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30.10.02

:: A   T R O C A

Agora que as gêmeas cresceram, pouco saem juntas. Uma gosta de samba e freqüenta a Lapa. A outra malha o dia inteiro e conhece cada boite da Barra.

Na Lapa, a primeira passeia de sandálias baixinhas e sem maquiagem. Se permite ser gordinha e não tem que disfarçar a barriga proeminente. De vez em quando encontra amigos com quem fala sobre a vida na faculdade de filosofia e a filosofia na faculdade da vida.

Nas boites, a segunda tem o cenário ideal pra exibir suas roupas caras e seu corpo moldado com muito esforço. Lá ela pode sentir um gostinho do mundo em que gostaria de viver. Limpo e glamoroso. Por causa do som alto, não conversa muito com os conhecidos. Prefere as frases curtas e as onomatopéias (Uhhuuuu! A noite tá bombando).

Nas manhãs seguintes, as duas tomam o café-da-manhã juntas. A primeira come sucrilhos, queijo-quente e toma vitamina de abacate. A segunda come um nutri e toma um pouco de mate diet. As duas estão de ressaca e reclamam dos homens. A primeira diz que o Hugo é um filhinho-de-papai-fútil que tem mais gel do que cérebro na cabeça. A segunda diz que o Vinícius é um pé-rapado-irresponsável-preguiçoso que vive tendo idéias, mas nunca concluí uma frase.

Um dia os dois casais foram a uma pizzaria em Botafogo. A primeira amou o Vinícius e a segunda adorou o Hugo. Os namorados das irmãs eram os homens tão sonhados por elas. Foram ao banheiro e decidiram trocar de namorado. Nunca mais iriam reclamar dos homens no café-da-manhã... se o sentimento deles fosse recíproco. Hugo gostava de patricinhas-gostosas-vazias e o Vinícius gostava de ripongas-metidas-a-intelectuais. A troca nunca iria funcionar.

Sei que a histórinha caricaturiza os estereótipos socias de forma irreal, mas nem a moral é que o meio escolhe as pessoas mais do que elas escolhem o meio. A maioria delas acaba cedendo às escolhas e se transforma no que o meio espera dela. Como um ser herbívoro que depois de anos e anos vivendo na caatinga, acaba gostando de carniça.


:: [Marcelo Gluz] » 12:04 -
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28.10.02

:: F E S T A

22:15 O caminho pra festa é fácil até pro André Braz. Quem reclamou do mapa tem que pedir desculpas.
22:30 270 cartelas foram numeradas. Achei que era demais, mas pedi pra numerar mais cinqüenta.
23:00 Pedroza sugere tirar a lona azul. Alguém argumenta que a lona isola o som. Alguém que nunca estudou física.
23:30 As bochechas rosadas do Dj me lembram as de um viking. Ele dança sozinho e sua barriga quica como gelatina semi-pronta.
23:45 A caipirinha tá excelente. O barmen, ainda sóbrio, achou a medida certa de maracujá e açúcar.
00:15 Os presentes chegam aos poucos. Encosto na árvore do canto. Papai Noel existe.
00:45 Na porta do banheiro alguém corrige uma letra na placa com uma caneta grossa. De onde tiraram a caneta?
01:00 Álcool e Gravidade: pessoas acima da escada não descem. Pessoas abaixo não sobem. Alguns espertos sentam na escada.
01:30 Festa abarrotada. A galera do morro quer entrar. Eu veto, explico que tá muito cheio.
01:45 O manguaça da rua manda avisar pra menina-de-pé-quebrado que se precisar de colo ele tá disponível.
01:46 O manguaça adjacente grita o nome do Lula.
02:00 Já foram as 270 cartelas e mais umas vinte sem número. E chega cada vez mais gente. Os menos festivos reclamam da lotação.
02:15 A caipirinha tá mais ou menos. Só tem de limão com cachaça. Pra mim tá bom.
02:30 O Nado rodopia e quem não conhece acha que ele é cor-de-rosa.
02:45 A galera do morro entra na marra. Chamo o lider pra conversar. 'Não vou arrumar merda não, meu primo'.
03:00 Ponho o cabelo do Tristão pra frente. 'Assim é melhor'. A mulher dele discorda.
03:30 A caipirinha tá um lixo. Pouco gelo e pouca fruta. Pelo menos ainda tem cachaça.
04:00 Sorrisos na pista um pouco mais vazia. Nem a secura de cerveja fez a galera parar.
04:30 Entraram mais de trezentas pessoas. O maluco da porta sumiu com mais de 150 cartelas. Farejo prejuízo.
05:05 O cozinheiro reclama que só vendeu quatro pizzas a noite toda. Perguntei se tinha de cerveja.
05:45 Mando o Dj parar. Ele parece estar gostando de resmungar. Maldito viking resmungão!
06:15 O sol raiou e empilho os presentes no carro. Espremedores, raladores e louças disputavam lugar com as tralhas do DJ.
06:30 O caminho de volta é tranquilo. Também, quem dirigiu foi o piloto automático.


:: [Marcelo Gluz] » 18:12 -
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25.10.02

:: S E X O - V I R T U A L

No consultório de um renomado terapeuta:

- Doutor, eu trabalho com internet... Não sei por onde começar...Vou ser direta: Estou apaixonada por um botão! Por favor me ajude.

- Como assim 'por um botão' Cláudia? Desenvolva...

- Eu só penso nele. Ele é tão gordinho, tão fofinho que dá vontade de tocar, de apertar, de morder... Ahh ele é tão suculento!

- Como um botão pode ser suculento? Acredito que você esteja transferindo pra esse objeto um conjunto de sensações ocasionadas por uma outra pessoa. Isso é muito comum. Como é sua relação com os seus pais?

- Doutor, não tem nada a ver com os meus pais. Meus pais são muito offline. O fato é que aquele botão aqua vermelhinho me dá tesão. Aqueles brilhos, sombras, reflexos, refrações, volumes... Aqueles volumes me deixam louca!

- Mas você está falando de um botão... um botão de verdade? Algo que tenha um formato fálico ou coisa parecida. Pode ser um caso de inveja do falo... Me diga: você conhece alguém que produz elevadores? Algum eletrecista, que instala interruptores, ou um costureiro, que prende botões em camisas ou calças...

- Que falo que nada, doutor! Não tem nada de falo, nem de botão de roupa ou de elevador. Tô falando de uma simulação gráfica de um botão. Ele só existe dentro de um arquivo html, entendeu? O meu botãozinho amado só existe dentro de um monitor, com um computador conectado à internet.

- Já entendi. É um caso típico de 'workaholics'. Alguns deles costumam traçar uma relação sexo-emocional com o universo do trabalho. Como o caso do fazendeiro texano que se enamorou da ovelha mais parruda do rebanho, ou do marceneiro tcheco que fazia dezenas de oríficios nos armários embutidos que manufaturava... Da mesma forma que acontece com os psicanalistas que acabam copulando com as pacientes.

- Doutor! O senhor está me cantando? Saiba que eu sou fiel ao meu 'juicy button'!


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Na semana seguinte a paciente voltou ao consultório confirmando o que acontece com a grande maioria das paixões ardentes:

- Ahh Doutor... Eu estou tão triste.

- O que houve? Tiraram o botão do ar?

- Não, doutor. Eu cliquei nele...

- E então? O que aconteceu?

- Eu tomei coragem, cliquei no meu botãozinho tridimensional e acabei caíndo nessa página aqui. Ele não era nada do que eu pensava.



:: [Marcelo Gluz] » 15:49 -
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15.10.02

:: G U A R D A - C H U V A

Se a última folha púrpura de uma árvore ancestral; Se a última folha com rubina e clorofila; Se a folha suspensa. Se a rua vazia e o comércio fechado do bairro dos meus pais; Se o silêncio irritante; Se ninguém na janela. Se eu e se você também; Se todos, num momento de clausura e dúvida; Se todo mundo que eu conheço ou acho que conheço. Se meu programa favorito da TV; Se o encontro de quarta que vem; Se o jogo do Flamengo; Se toda aquela rotina salutar. Se uma jaqueta apertada numa noite quente; Se a afta, a alergia, a gastrite e a dor de garganta; Se um sono incontestável. Se uma lembrança de um tempo perdido; Se toda e qualquer lembrança de brinquedos de madeira; Se uma quina angulosa e sem revestimento. Se o peixe esquecido ao relento; Se o peixe asfixiado e mal-cheiroso. Se na reunião de condomínio o vizinho de baixo e o de cima; Se as taxas, as contas, os dudas, ufires e renavans. Se as chaminés da fábrica um tanto ao quanto defasada; Se os funcionários e as famílias deles; Se a crise mundial. Se um homem sisudo de terno e gravata cinzas, no fim da tarde de chuva; Se o meu guarda-chuva velho; Se a ponta metálica daquele guarda-chuva e de todos os outros guarda-chuvas escuros que sobrevoavam as cabeças cansadas dos bancários, secretárias e contadores às seis horas da tarde da quarta-feira de um dia de setembro no centro da cidade do Rio de Janeiro, ou de qualquer outra grande cidade do mundo.

Se a ponta metálica de qualquer guarda-chuva esbarrar no seu ombro bem de leve
Se for o suficiente para fazer seu sangue se desviar de seu percurso normal
Se sujar sua camisa branca
Se a ponta metálica lanhar sua pele e um pouco de sua carne
Se o vagaroso e incômodo atrito com o metal fizer você sentir dor
Se o ruído da sua pele rasgando

Ou se a chuva caísse com tanta força que os guarda-chuvas se rompessem e a água lavasse as calçadas, as copas das árvores se deteriorassem e novas folhas frondassem, as chaminés das fábricas ruíssem sobre os homens sisudos e os dorsos dos superpopulosos morros da cidade virassem tobogãs.


:: [Marcelo Gluz] » 16:01 -
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10.10.02

:: C I N D E R E L A

Sob a escassa sombra do poste, um funcionário da Conlurb erguia sua foice tentando remover as dezenas de galhardetes sobrepostos. O lixo eleitoral se espalhava pelo asfalto pra depois ser reunido em pequenas montanhas equidistantes. O Papai Noel de Quintino, a Professora do Povo, o André do PV, o Anti-burguês, o Coronel Jairo, todos eram desatachados pela foice, recolhidos pela vassoura e depositados nos montes de lixo. Pilhas e mais pilhas de promessas impossíveis, divagações infrutíferas, coligações oportunistas, Siglas enigmáticas e dogmas de ocasião.

Do meu carro, colado no meio-fio, observei por vinte minutos o funcionário da Conlurb limpando o suor e xingando os políticos de forma genérica. Pra ele, o rosto de todos os candidatos era o mesmo rosto. O mesmo rosto do chefe, que o descontava por cada atraso; da mãe, que reclamava das infiltrações da cozinha e do presidente do sindicato, que pedia colaborações mais generosas.

Pra mim, o rosto do funcionário da conlurb era o mesmo rosto do menino que lava os carros de quem vai na cadeira especial do Maracanã, do capataz que defende com sangue o território do coronel e da faxineira que chega às sete na Delfim Moreira pra limpar os vômitos da festa que acabou às seis.

Quem suja precisa ter quem limpe, mas mesmo assim anda por aí contando a estória da Cinderela. Como se não fosse óbvio que se a fábula virar realidade o lixo fica na rua e o baile superlota.


:: [Marcelo Gluz] » 16:50 -
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7.10.02

:: F E N Ô M E N O   V E R M E L H O

Estranhei quando soube que votaram no Lula e em congressistas do PT:

Meu tio, que votou no Maluf pra presidente e no Amaral Neto pra Deputado algumas vezes.
Um amigo rico, que sempre votou em conhecidos pessoais do ex-PDS pra deputado.
A mãe de uma amiga, que o-dei-a pobre e anda com penduricalhos brilhantes num Audi A3

O mundo está do lado do avesso (que confesso, neste caso, é melhor que o lado certo). Resolveram, enfim, dar uma oportunidade pra esquerda, se é que isso ainda existe.



:: [Marcelo Gluz] » 19:42 -
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4.10.02

:: B O C A   D E   U R N A   E L E T R Ô N I C A

Eleição é sempre assim. Desperta a rebeldia dos pacatos brasileiros. É como se todo mundo que passa o ano inteiro politicamente passivo e desinteressado desse uma acordada de alguns dias pra dizer que todos os políticos são ladrões. É como se por alguns dias os naturais do Brasil vestissem uma fantasia de cidadãos do Brasil. Franze-se a testa da nação. Uns ricos se esforçando pra lembrar de tudo o que está errado e outros pobres, numa tentativa de acreditar que algo vai mudar. Se todos são ladrões eu não sei. Acredito que não. Generalizações são erros.

Eleição é sempre assim. Exercito minha involuntária capacidade de ser do contra. Por isso sei que no fim da apuração, meus candidatos a presidente, governador e senador vão estar no fim das listas com uma média de 9% do eleitorado. Meus candidatos nunca ganham nada. De qualquer forma a equipe de cientistas políticos do Zarabatana já escolheu os projéteis a serem disparados no próximo domingo. Só restam controvérsias no que diz respeito ao segundo voto para Senador. O nome que concorre com Arthur da Távola é impublicável. Se publicasse eu ganharia muitos inimigos, inclusive eu mesmo.




:: [Marcelo Gluz] » 16:10 -
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2.10.02

:: 7   D I A S   N O   T I B E T

Me mudei há sete dias. Antes morava com um amigo, sua namorada e dois gatos, agora moro comigo mesmo.

No primeiro dia carreguei sofá nas costas escada acima, tomei cachaça e tremi, pulei e contraí os músculos pra tomar banho frio.
No segundo, construí e preguei uma prateleira, fiquei tonto com o cheiro da tinta e falei todos os palavrões que eu conheço antes de tomar banho frio.
No terceiro, varri a sala, pendurei uns quadros tomei banho frio contrariado, fiz sexo na cama serrada e tomei banho frio de novo, um pouco menos incomodado.
No quarto arrumei os cd's, assisti a Fantástica Fábrica de chocolate, recebi pessoas, bebi cerveja e tomei banho frio quase indiferente.
No quinto, arrumei as roupas, preguei o porta-vinhos, arrumei as fotos e tomei banho frio sem me lembrar da temperatura.
No sexto, acordei cedo, liguei pro gazista e perguntei qual o problema do gás do banheiro. Tomei banho frio já com um pouco de saudade.
No sétimo, troquei o chuveiro, e recebi um telefonema do gazista dizendo que custava R$200,00 pra ter água quente. Acho que vou ficar tomando banho frio por mais um tempo.


:: [Marcelo Gluz] » 19:32 -
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:: V Í D E O - C L U B E

Tem gente levando muito a sério esse conceito de video-clube. Poderiam se conter ao conceito de vídeo-locadora.

Outro dia entrei no vídeo com pressa pra pegar um dvd de filme antigo e me mandar. Na porta da locadora fui abordado por uma sorridente e uniformizada funcionária. Olá. Posso ajudá-lo a escolher o filme?. Respondi não obrigado me dirigindo rapidamente ao setor de clássicos, área 1. A moça me perseguiu até o setor, se colocando estrategicamente entre a plataforma de filmes e eu. Senhor, esses filmes são ruins de entender... Os lançamentos em português estão do outro lado. E esses aí são filmes velhos. Mas eu não ia procurar Ben-Hur nos lançamentos. Ela me tratava como se soubesse que o meu gosto é o mesmo da madame do Nova Ipanema que veio buscar um filme pra assistir com a comadre do Novo Leblon.

No fim das contas ela me apareceu com um belo exemplar de 'Blade 2', alegando que eu tinha cara de quem gostava desses filmes. Quase disse pra ela de que é que ela tinha cara. Achei melhor ir embora e assistir a qualquer coisa que tava passando na Net.


:: [Marcelo Gluz] » 19:32 -
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:: L E G U M E S & V E R D U R A S

Alguém sabe a diferença entre eles? Existem legumes verdes? Verduras leguminosas? Já ouvi chamarem de fruta um sujeito viado ou meio fresco e de legume um sujeito paradão ou meio retardado. E verdura? O que será que quer dizer se chamam alguém de verdura? Tomate é legume, fruta ou verdura? Ou é fruto? Existe diferença entre fruta e fruto? Se 'fruta' é bicha, 'fruto' é lésbica? E a dúvida que não quer calar: Um sujeito caladão, tímido, meio retardado e homosexual pode ser ao mesmo tempo uma fruta e um legume? Poderia ser o tomate, ao mesmo tempo, um fruto e uma hortaliça?



:: [Marcelo Gluz] » 19:32 -
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