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27.9.02

:: P A L A V R A S    E S C R O T A S   2 - atendendo a pedidos

Crosta, beringela, lacraia, fíbula, carmegão, furúnculo, pegajoso, barriga, verruga, polca, lontra, sovaco, angú, bucha


:: [Marcelo Gluz] » 11:25 -
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26.9.02

:: S E X O, C I D A D E, A N I M A I S

Metade da cidade faz sexo a outra metade é constituída dos velhos, das crianças, dos que ainda não conseguiram encontrar um parceiro e de pessoas com doenças físicas ou mentais. O grupo das pessoas doentes é constituído do grupo das pessoas que não podem fazer sexo por determinada patologia (hipovitaminose, aids, impotência, etc...) e do grupo das pessoas cuja patologia é não querer fazer sexo. Existem também as pessoas que ficaram doentes após inúmeras tentativas de encontrar um parceiro.

Dentre as pessoas sexualmente ativas há variações de teor e freqüência de atividade sexual. As variações de teor são tão complexas quanto a física quântica. Há os que gostam de mulheres, os que gostam de homens, os que gostam de mais de um homem, os que gostam de mais de uma mulher, os que gostam de várias pessoas, homens e/ou mulheres ao mesmo tempo, os que gostam de homens mas copulam com mulheres, os que gostam de mulheres mas copulam com homens, os que gostam de copular com quem não gostam, os que copulam sem objetivo, os que copulam por força dos instintos, os que copulam por dinheiro, por obrigações conjugais, por narcisismo e por prazer. Há os que nunca têm o prazer cessado e os que nunca atingem o prazer. Há os que usam drogas, objetos estapafúrdios, palavras em outras línguas, ambientes aromatizados e imagens mentais para atingir o prazer. Há os que fazem sexo através da boca do parceiro, das axilas do parceiro, da mão do parceiro e da própria mão. Há os que gostam de copular com velhos caquéticos, gordos gelatinosos, magros esqueléticos, mulheres grávidas, homens inválidos e travestis super-dotados.

As variações de freqüência são de uma vez por ano até sete vezes por noite. Os primeiros recebem críticas pela escassez e os segundos pelo exagero. Há os que chegam ao orgasmo várias vezes por cópula e os que copulam várias vezes para atingir ao orgasmo. Após o orgasmo alguns sorriem, outros dormem, outros xingam a mãe de algum sujeito oculto e outros simplesmente não se contentam com o pós-orgasmo, já o transformando num pré-orgasmo. O intervalo entre eles pode ser de segundos, horas ou dias.

Metade da cidade faz sexo, e metade dessa metade tenta fazer o resto da cidade crer que eles não fazem. Na outra metade da cidade, a dos que não copulam, há uma metade que tenta fazer o resto achar que eles fazem. Entre os animais há um percentual maior de indivíduos sexualmente ativos. Há também um percentual maior de cópulas per capta. Entre os animais não tem periquito fingindo que é tamanduá, nem calango se fazendo de gazela. Usando uma metáfora de necessaire, os homens estão para os animais assim como o barbeador elétrico está para a Gillete: É mais complexo, menos potente e a pilha pode acabar a qualquer momento.


:: [Marcelo Gluz] » 19:27 -
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24.9.02

:: B L O G A B I L I D A D E

Acredito que a Internet seja a mídia mais democrática de todos os tempos. Acredito também que a invenção dos weblogs tenha uma enorme relevância na história da comunicação.

Eu sei, eu sei.... Na www só tem lixo e 90% dos blogs são desinteressantes e vazios relatos sobre as tediosas vidas dos seres humanos médios. Eu sei, eu sei... Que revolução é essa na qual os agentes são singelos escrevedores de diários? Hoje eu acordei, escovei os dentes, percebi que a escova estava velha, saí sem tomar café, peguei um pouco de trânsito na Lagoa-Barra, trabalhei como um corno, voltei pra casa, jantei, vi o final da novela e o início do Você Decide e dormi.. Alguém, nos anos 90, dizia que os diários eram coisas ultrapassadas.

Me lembro de um artigo que do Zeldman no qual ele supõe como seria se o filme Cidadão Kane tivesse sido escrito em formato de diário. Algo bem parecido com a maioria dos blogs que eu esbarro por aí. É claro que tem gente tentando escrever coisas relevantes... Ou então tentando escrever coisas irrelevantes mesmo... Mas com o mínimo de blogabilidade.


:: [Marcelo Gluz] » 20:17 -
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:: C I R C O

Agora circo tem acionista. Também tem ombudsman e headhunter. Gente pra injetar dinheiro e cobrar resultados, gente pra se justificar de possíveis falhas ocorridas no picadeiro e gente pra encontrar as mulheres mais barbadas Brasil a fora. Agora circo tem que dar resultado.

Essa é a história de um palhaço ligeiramente confuso. Ele recebe piadas sem graça por e-mail, com as quais tem que fazer rir o respeitável público. Ele é compelido a fazer hora extra pra apresentar números medíocres aos acionistas. E ainda ganha tão mal que ainda é freelancer na boca do leão.

Um dia o palhaço chegou no circo e tava todo mundo de gravata. O engolidor de facas, os gêmeos malabaristas e o homem-da-perna-de-pau. Disseram que agora era todo mundo estratégico. Só ele, o palhaço, ainda era operacional. Passou o fim-de-semana livre fazendo workshop de homem-bomba, curso de vidente e passando creme de jaborandi no corpo todo pra ficar no lugar da Conga, a mulher gorila. Acabaram meus dias de jaula, dizia ela, ajeitando a meia-calça. Agora eu sou gerente de marketing.

No dia do espetáculo o palhaço estava exausto e pela primeira vez odiou sua profissão. Pela primeira na vida vez odiou alguma coisa. Os acionistas ainda contavam o dinheiro da bilheteria quando o público começou a vaiar. O palhaço pensou em vaiar junto, mas percebeu que estava sozinho no meio do picadeiro e não seria ouvido. Na outra semana nçao teve fila pra comprar ingresso. O público foi rareando e os acionistas resolveram tomar uma atitude. Chamaram o palhaço pra uma conversa franca, mas não deixaram ele falar:

- Seu palhaço, o senhor nos desculpe mas é culpa da globalização, da alta do dólar, do Elias Maluco e das milícias Talibãs. Nosso circo vai ter que passar por uma reestruturação e vamos ter que demitir o senhor. Nada pessoal, mas é que o circo tem que dar resultados. Tenha um bom dia, o domador de leões vai cuidar da sua situação lá no RH.


:: [Marcelo Gluz] » 16:42 -
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19.9.02

:: da série G R A N D E S    I N F L U Ê N C I A S    Z A R A B A T A N A

Woody Allen, Marc Chagall, Caetano Veloso, Win Wenders, Roger Milla, Giorgio Giugiaro, Thelonious Monk, Roberto DaMatta, Bob Dylan, Paul Simon, Paul Auster, Metallica, Chico Buarque, Rene Magritte, Rocco Sifredi, Legião Urbana, Miles Davis, Arnaldo Antunes, Vinícius de Morais, Tolouse-Lautrec, Alan Ginsberg, Martin Scorcese, Jerry Seinfeld, Robert Johnson, Zico, Bauhaus, Yahoo!, Aldous Huxley, Monthy Phyton, Luis Fernando Veríssimo, João Cabral de Melo Neto.


:: [Marcelo Gluz] » 15:52 -
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:: P A L A V R A S    E S C R O T A S

Leitão, inhame, andaime, cautela, joelho, coentro, cru, crespo, espasmo, polenta, fresta, emplasto, prenha, pandemônio, pigarro, traquéia, quimera.


:: [Marcelo Gluz] » 15:25 -
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:: D I A   do   P E R D Ã O

Perdoe-me quem falou a verdade e teve de mim descrença,
quem se esforçou e teve de mim intolerância,
quem tentou me abraçar e teve de mim raiva por ter, por engano, me pisado o pé.
Os motoristas idosos que ouviram de mim buzinas. Talvez estivessem eles entediados em casa.
As crianças choronas que ouviram de mim bastas. Talvez estivessem elas com dor.
Os atacantes raçudos que ouviram de mim vaias. Talvez não fosse tão fácil marcar o gol.

Que, por favor, me perdoem as caixas de banco lentas, os garçons estabanados, as cantoras desafinadas.
Todos incapazes de captar suas incapacidades.

Com quem gritei, a quem xinguei, de quem fugi
por ser também falível e humano.

Perdão pelas minhas inverdades. Achei que eu não mentisse.
Pelos meus erros de português, de matemática e de memória.
Pelos meus esbarrões, cutucões e pisões involuntários. Minhas imperfeições motoras.
Quando encostei em fila dupla e atrapalhei o trânsito,
quando acordei os outros por não medir a voz,
quando chutei a bola com displicência por achar que o gol era fácil.

Perdão se fui incapaz de captar minhas incapacidades e fiz pessoas fugirem, me xingarem e gritarem contra mim.
A quem eu fiz que me traísse.

Perdão por potencializar as falhas de outras pessoas
e por pedir perdão somente uma vez por ano.


:: [Marcelo Gluz] » 14:54 -
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:: C O P A   dos   C A M P E Õ E S

No israelense Maccabi Haifa o meio-campo croata-cristão-com-nome-de-italiano Giovanni Rosso joga ao lado do craque-judeu-da-seleção-israelense Walid Badir e do zagueiro-muçulmano-nigeriano-gigante Eric Ejiofor.

No britânico Manchester United o spice-boy Beckham joga ao lado dos veteranos-franceses Barthez e Blanc, do uruguaio-cabeludo Forlan e do expatriado-argentino-careca Veron.

Os adversários do jogo de 29 de outubro, válido pelo mais importante torneio de clubes de futebol do mundo, não têm muito em comum além da globalização do escrete. O Manchester é o clube mais rico do mundo, campeão em 99 e clube com maior número de participações no torneio. O Maccabi estréia na competição depois de anos de discussão sobre a legitimidade da participação de clubes israelenses em competições do velho mundo. Cada vez mais as fronteiras geográficas representam menos e as contingências político-econômicas representam mais.


:: [Marcelo Gluz] » 14:53 -
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17.9.02

:: P A S S A R A L H O

Playlist do especial temático de "Lay-off" da Rádio Pin:

Staying_Alive (Bee_Gee's)
O Segundo Sol (Cassia Eller)
That's The Way (Led Zeppelin)
Get Back (versão Sarah Vaughan)
O Sol Nascerá (Cartola)
Vai passar (Chico Buarque)
Here Comes The Sun (The Beatles)
Getting Better (The Beatles)
With A Little Help From My Friends (The Beatles)
Stir it up (Bob Marley)
O patrão nosso de cada dia (Secos e Molhados)
Fire (Jimy Hendrix)
Hell ain't a bad place to be (ac/dc)
All along the watchtower (Bob Dylan)

É impressionante como a criatividade das pessoas atinge graus altíssimos nesses momentos de crise. A maior prova disso é o Passaralho, blog criado pelos empregados de uma grande empresa pontocom em meio à uma série de demissões coletivas. Humor negro em tempos turbulentos.


:: [Marcelo Gluz] » 18:12 -
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:: J U C A

Ahhh, Juca... seu suícida! Era uma questão de tempo pro meu vizinho e companheiro de trabalho se machucar com mais seriedade do que em seus reincidentes arranhões, hematomas e torções. Certa vez, o pai dos joselitos-sem-noção entrou de corpo inteiro dentro de uma porta de vidro, quando tentava realizar uma enterrada ousada na tabela de basquete no meio da empresa.

Dessa vez o ex-ajudante do Bozo se ferrou de verdade. Além de vizinho, cuspidor de idéias e meu despertador de domingo de manhã, o Juca ainda é skatista. E dizem que dos mais rápidos. Nesse link um companheiro de skate conta detalhes do acidente, com o estranho orgulho dos soldados que voltaram vivos da batalha. Porra, Juca! Agora vê se aquieta o rabo, pára de me acordar e arruma um esporte mais seguro. Vai jogar bocha!


:: [Marcelo Gluz] » 18:12 -
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12.9.02

:: C U R R Í C U L O

Imagine uma sociedade onde os relacionamentos pessoais são conquistados com base na análise de currículos. Primeiro o sujeito escolhe se ele quer ser marido, namorado, amante, melhor amigo, amigo próximo, distante ou conhecido. Depois ele preenche seus dados: relacionamentos anteriores, virtudes pessoais, benefícios dos adjacentes. Esse currículo vai para um mega-banco-de-dados e fica disponvel para a consulta dos interessados.

Uma mulher chega com um propósito definido e consulta essa base de dados. Filtra por idade, por palavra-chave, por tipo de carro, habilidades artísticas, etc... Aí vem um listão de nomes, clicando-se nos quais se pode ver mais detalhes. Escolhe uma opção com um signo que tenha a ver com o dela. Aí, vem o currículo completo:

Nome: Frederico DuBois
Idade: 28 anos, libra (29/09/73)
Objetivo: Relacionamento de amizade próxima com mulheres. Possibilidade de extensão para cargo de 'melhor amigo' e/ou 'amante'.

Virtudes Pessoais:
Tolerância, inteligência voltada para análises de seriados na TV, versatilidade sexual, Sorte (já achou dois relógios andando na rua)

Benefícios dos adjacentes:
Passear no Mitsubishi branco do pai, Carteirinha do clube naval, Tv a cabo, Internet, coleção completa do fórum da extinta revista Ele Ela

Outras habilidades:
Sabe falar palavrões em Tcheco, a escalação do botafogo da década de 80 e mais de vinte posições sexuais (nível difícil) do Kama Sutra.

Relacionamentos anteriores:
# 4 - Marcia Jungmann - Ex-mulher. Fomos casados de 95 até ontem a noite, quando a peguei na cama com meu tio de 76 anos.
# 3 - Maria das Dores Ribeiro - 1993. Conhecida de vista, Dores trabalhava como faxineira no apartamento vizinho ao meu. Um dia faltou açúcar e me tornei o amante eventual das terças e quintas.
# 2 - Padre Gilson Lancelloti - Relacionamento de longa data que começou com amizade através das missas de domingo. A partir do segundo semestre de 88, houve uma promoção para amante interrompida em 92, quando Gilson decidiu se mudar para o Vaticano.
# 1 - Joana DuBois - Minha prima. Brincamos de médico de 82 a 88. De 87 em diante o relacionamento se tornou mais forte, e acumulei os cargos de parente, amante e melhor amigo. Em 88, Joana se envolveu com o Santo Daime e se mudou para a Amazônia.



:: [Marcelo Gluz] » 12:14 -
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:: H A B I L I D A D E S

Eu sei virar a língua pros dois lados, disse fazendo uma demostração em seguida. Eu também sei mexer a orelha direita e contrair e dilatar as narinas como faz um coelho. Eu também sei fazer outras coisas, mas não vou mostrar. Quanto mais os olhos dos presentes se arregalavam mais amostras de versatilidade física eram disparadas. É porque eu tenho hiper-flexibilidade, explicou como se desvendasse um mistério. Hiper-flexibilidade poderia ser item de um currículo, na parte de 'outras habilidades'. Foi assim que eu pensei no post acima.


:: [Marcelo Gluz] » 12:13 -
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11.9.02

:: A L G U M    L U G A R

Passei o sábado inteiro abrindo o fecho-eclair e enfiando a mão dentro dela.
Os dedos revolviam os cantos em busca de um pouquinho mais, mas um dia tinha que esgotar.
A minha carteira, essa estufada máquina de guardar coisas inúteis e transformar tempo em utensílios supérfluos.
Um dia eu me livro dela, junto com os sapatos e o telefone celular.

Vou pra algum lugar onde as coisas sejam de graça e a gente não tenha que passar dias e mais dias encarcerados nessas salas condicionadas pelos piores ares do planeta.


:: [Marcelo Gluz] » 19:12 -
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:: A U T O - C E N S U R A

Pela terceira vez tenho um texto censurado aqui no Zarabatana. Teria sido censurado por mim mesmo se as três pessoas que eu chamei pra ler antes de publicar não tivessem o feito antes. Tristão nem precisou falar nada. Me olhou com aquela cara óbvia de 'você não vai postar isso, né?'. O Braz disse que eu perdi de vez o juízo e o unblogged Pedro Garcia completou afirmando que por mais que eu tentasse disfarçar tratava-se claramente de uma crítica à pessoas (físicas e/ou jurídicas) às quais não se deve criticar dessa forma.

Nem adiantou dizer que não era pra ser uma crítica... Ninguém ia acreditar. O problema é que se você é um fumante, mesmo quando fala das flores, seu hálito entrega tudo. E olha que tem tempo que o ar à minha volta é feito de nicotina pura.


:: [Marcelo Gluz] » 18:44 -
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:: ! A Laurinha agora tem um blog! O nome dele é Aurora e promete aumentar qualitativamente os 'Lorem Ipsum'* da web brasileira. Esperamos que os posts apareçam nos dias de mau humor também, Laurinha.

*Se você não é designer, saiba que 'Lorem Ipsum' é o início de um texto em latim que é usado para marcar o espaço onde no futuro entrará o texto real. Resumindo, é texto place-holder.


:: [Marcelo Gluz] » 18:43 -
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9.9.02

:: S A C A N A G E M     C O N T E X T U A L I Z A D A

O amarelão NewtonFo, também conhecido como o homem-sem-fios, acaba de ganhar uma voz em favor da sacanagem com roteiro. A contextualização da foda é importantíssima! E quanto melhor o roteiro, mais chances o filme tem de ser excitante. Também não adianta fazer um roteiro policial e introduzir trepadas no meio. Produzir um filme em que o erotismo seja interessante pra pessoas com mais de dois neurônios é quase tão difícil quanto achar uma atriz pornô virgem. Por outro lado tem uma porção de filme por aí que só é feito de contextualização. A sacanagem é tão implícita que chega a ser sacanagem com quem tá assistindo.

(abre parênteses) Nesse momento passa o Marcorelha pela minha baia, perguntando sobre um bom filme pra ver com a esposa. Sugeri 'Lucia e o Sexo' e fiquei imaginando o estrago que isso vai causar na noite do casal. Amanhã o cara vai chegar aqui cheio de olheiras e vamos ter que adaptar o apelido de Marcorelha pra Marcolheira (fecha parênteses)

Bom... Pensando bem acho melhor esquecer aquela história toda de roteiro e sacanagem. Acho que são como água e óleo. Além do mais fiquei imaginando certas cenas que realmente não precisam de contextualização nenhuma... E outras que por mais sensual que seja a contextualização não conseguem excitar nem um tarado trancado há dez anos numa jaula.


:: [Marcelo Gluz] » 18:53 -
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:: R E S U L T A D O S

» Resultado consolidado das últimas cinco partidas de PegBall: Gluz - 25 x 11 - Tristão.

» Resultado consolidado da Taça Eurico Cruz de botão: Gluz - 19 pontos, Braz - 10 pontos, Archanjo - 6 pontos, Newton - 0 pontos (w.o.).

» Resultado consolidado das últimas duas partidas de Fifa World Cup: Gluz 5 x 3 Dani

Não é pra me gabar não (quem me conhece sabe que eu sou pouco competitivo), mas depois da tenebrosa semana que passou, da apocalíptica ventania que derrubou um número recorde de árvores no Rio de Janeiro e da passagem pra mais um novo ano(5763, no calendário judaico), os resultados esportivos voltaram pro seu eixo natural. Aceito novos desafios de natureza poliesportiva. É só pitacar.


:: [Marcelo Gluz] » 18:18 -
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:: R E C E I T A

Na fila do banheiro ele escrevia no guardanapo a receita de um drink com gengibre e cachaça amarela. Uma desconhecida com os cabelos pretos presos por uma faixa laranja pergunta o motivo da inspiração momentânea, imaginando que falava com um poeta. Ele enfiou o guardanapo no bolso e respondeu que sempre que entrava em filas tinha idéias interessantes. Ela pediu pra ler o que ele tinha escrito. Ele disse não. Que não costumava mostrar o que escrevia pra desconhecidos, mas que se ela quisesse, depois de mijar ou retocar a maquiagem, eles podiam se conhecer melhor.

Ela não gostou do termo 'mijar', mas fingiu que nem ouviu. Tocava Lenny Kravitz e ela só gostava de samba. Resolveu gastar um tempo com o poeta. De repente ele era o homem da vida dela e tinha como único defeito usar palavras rudes em momentos inoportunos. De repente ele era o guru que ela precisava.

Ele nunca leu um poema na vida. Ouve a Rádio Globo AM de manhã, toma chope num boteco em Botafogo e é considerado um rapaz tímido. Dessa vez resolveu encarnar o poeta chique invasor de banheiros. Forçou a porta até entrar e ficar frente-a-frente com a mulher relaxada na privada. Ela não parou de mijar nem de estar relaxada. Ele fechou a porta e eles treparam em cima da pia. Os sabonetinhos coloridos em formato de peixe se espalharam por todo o lavabo e as outras pessoas da fila dançavam a popular e antiqüíssima dança dos bebedores de cerveja apertados.

Eles saíram do banheiro e foram tomar um drink. Gengibre, açúcar mascavo, mate leão e cachaça amarela, pediu ele com a autoridade de um poeta, invasor de banheiros, metido a barman. Ficaram em silêncio até ela pedir pra ler o poema de novo. Ele tirou o guardanapo do bolso e picotou em milhares de pedaços. Depois daquela noite ele virou poeta e ela mulher de poeta. Ela nunca soube que o transformou em vez de o escolher.


:: [Marcelo Gluz] » 17:17 -
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5.9.02

:: J O R N A L  |  L I V R O  |  B L O G

Escrever é a arte de cortar palavras, disse a professora de teoria da comunicação, enquanto passava a franja cor-de-gelo nos entrededos. Gosto muito das palavras pra cortá-las com tanta facilidade. Gosto de dar o maior número de adjetivos pra cada substantivo e escrever detalhes em primeira análise irrelevantes. Talvez alguns desses detalhes também sejam irrelevantes em última análise, mas é um modo de climatizar o texto e desviar por alguns instantes o leitor da história principal.

Transferi meus créditos pra aula de poesia latino-americana. Talvez aqui eu possa ter uma visão menos dogmática e mais livre, pensei quando o professor entrou na sala. Era um peruano gordo com mãos de almofada e ele se esforçava pra dizer em português que a poesia é a mais sintética das literaturas. Se um romance é um bairro, um conto é um condomínio e um poema é uma esquina. Pensei nos substantivos como tijolos, nas preposições como a argamassa, nos pronomes como as vigas e os adjetivos como estuco. Não gostei de pensar assim. Prefiro pensar nas palavras como coisas vivas, que chamam outras palavras pra perto de si. Prefiro poder me descontrolar com elas, fazê-las espumar outras palavras.

Me transferi novamente. Agora pra aula de prosa experimental. O professor era hippie e exalava maconha por todos os poros. Colé a tua idéia, me perguntou coçando a barba. Ainda não tenho idéia, mas às vezes começo a escrever e as palavras vão me revelando uma idéia, expliquei pra ouvir o discurso do professor que fez trancar a matrícula: Quê isso, cara. Sem idéia não tem texto. As palavras vem da idéia, não o contrário. Faz ioga, olha pro horizonte, e libera os canais energéticos. Depois você volta aqui e me explica a idéia que as palavras vão explicar.

Então não posso escrever jornal, nem romance, nem poesia, nem nada? Já sei. Vou fazer um blog e publicar meus textos prolixos na internet. Ninguém vai estar pagando pra ler, não vai ter editor e eu não vou estar vendendo nada. Se reclamarem eu explico que é por querer. Que eu gosto das palavras e que me divirto sendo dominado por elas. E daí ?


:: [Marcelo Gluz] » 11:10 -
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3.9.02

:: J U N K - M A I L

encontre crianças desaparecidas / enlarge your penis now / obtenha resultados de sua equipe / slim down - lose 10-12 lbs in 30 days guaranteed / get the child support you deserve / silicone-se agora / save your lungs / aumente sua renda através de um plano dimensional de faturamento / become very desirable / detetive moura resolve seu problema / all natural breast enhancer / i'm your real state provider

Leio meu junk mail com surpreendente desvelo. No headphone Jorge Ben conta a história de Hermes Trismegisto, mas prefiro não pensar em nada. Spam é divertido por esse motivo. É como assistir leilão de tapetes na Net de madrugada. Só uma pergunta se faz necessária. Que otário que decide comprar um apartamento, ou aumentar o pau, ou contratar um detetive, lendo a porra do spam?


:: [Marcelo Gluz] » 18:24 -
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2.9.02

:: C O I S A    B O N I T A    D E M A I S

Quer ver mais? Clica. Foi mal, Sheila... Não pude evitar.


:: [Marcelo Gluz] » 20:14 -
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:: ! Morreu em Nova Iorque o homem que inventou o vibrafone como instrumento de jazz. Além do grande músico que foi, Lionel Hampton foi protagonista do ponto crucial da história em que o racismo foi desafiado em prol da música. Benny Goodman, o então queridinho da América, o chamou pra tocar em sua Banda, antes somente formada por jovens brancos. Nos anos 30, ele e o pianista Teddy Wilson subiram no palco com Goodman pra desgosto dos racistas de plantão.


:: [Marcelo Gluz] » 19:44 -
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:: A Q U I    P E R T I N H O

Fizeram aqui pertinho um filme de Spike Lee, linguagem gráfica de Snatch, narrativa de Corra Lola Corra, roteiro de Pulp Fiction e brasilidade de Deus e o Diabo na Terra do Sol. Só que melhor do que tudo isso. O 'aqui pertinho' é que torna o filme inesquecível? Não. É só ver a repercussão do filme na Europa pra saber que o 'aqui pertinho' é só um fator a mais.

Correndo o risco de estar sendo exagerado, posso dizer que Cidade de Deus é o melhor filme que já foi feito no Brasil. Técnica impecável e roteiro brilhante. Os cuidados com a edição de som impressionam desde o início e a fotografia emociona tanto quanto o fantástico roteiro.

Quando vi Amores Brutos (Amores Perros, México 2000) pela primeira vez, fiquei pensando que o cinema nacional ainda não tinha condição de realizar tão bem uma idéia como fizeram os mexicanos. Pensava em estrutura de narrativa, sonoplastia, edição e direção de arte. Agora tenho certeza de que podemos não só produzir filmes tecnicamente admiráveis, como também podemos criar novas linguagens originais.

O Invasor, Bicho de 7 cabeças, Lavoura Arcaica e Abril Despedaçado já indicavam o caminho, mas Cidade de Deus será o marco do nascimento dessa nova cinematografia.



:: [Marcelo Gluz] » 19:07 -
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