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30.8.02

:: C I D A D E

Quase sexual essa relação do homem com sua cidade natal.
Não falo das meninas que sonham com postes fálicos, mas sim do conforto orgásmico de se sentir em casa.
Aquela ação mecânica de dobrar a direita numa esquina pra pegar todos os sinais verdes.
Aquela memória íntima que sublinha cada canto da cidade.
Ao lado do nome do edifício a mente escreve: 'foi aqui que eu me protegi da chuva no dia que faltou luz no cinema'
Ao lado do nome da rua numa placa a mente comenta: 'aqui morava o pai da minha primeira namorada que, quando viajou pro México, me proporcionou tardes inesquecíveis'.
Marcar às oito, chegar as onze e achar que chegou cedo. Saber que assustar o pão na graxa é esquentar pão com manteiga.
E, por mais violenta que a cidade possa ser, se sentir seguro em sua insegurança vagamente familiar.


:: [Marcelo Gluz] » 19:54 -
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:: !

Se você também é um orfão de Jerry Seinfeld vai gostar de saber que em breve chegará aos cinemas seu mais novo projeto. Nem vou ter que esperar pela chegada do filme ao Brasil porque, depois dessa notícia bombástica, Nandão vai ser o primeiro brasileiro a comprar o DVD do filme. Afinal de contas não conheço muitas pessoas que, não importa onde estejam, correm às 23:00 pra casa só pra ver um capítulo antigo da série.

The Comedian foi gravado em um mais de ano de acompanhamento das performances 'stand-up' de Seinfeld, pela câmera digital do diretor estreiante Chistian Charles. Levando-se em conta que eu quase tive uma síncope ocasionada pelo riso desenfreado quando vi o trailer, acho muito improvável que seja pior que ótimo. Clique aqui e confira.


:: [Marcelo Gluz] » 18:00 -
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:: P L Á S T I C O S     D E S C A R T Á V E I S

Hoje a tarde se fecharão as portas da Plastican, indústria de plástico injetado no pé do Morro do Jacarezinho, na qual estagiei há alguns anos.

Faziam de tudo por lá: embalagens de xampú, baldes, peças para automóveis e aqueles brinquedinhos que apitam quando você aperta. Lembro que quando saí da empresa houve uma decisão estratégica que gerou uma demissão em massa que a reduziu a um quarto do que era então. O presidente percebeu que a margem de lucro em cima da fabricação de cartões de crédito era bem maior do que a dos outros produtos e decidiu focar sua produção somente nas grandes chapas de PVC que vendia para a Visa International. Não importava ser líder de mercado na fabricação de bacias, a multilação estava definida.

O rebuliço tomou conta das duas regiões da fábrica. Na primeira, com ar-condicionado e decoração moderna, os diretores se engalfinhavam pra ver quem segurava o emprego de 5 dígitos, como crianças com medo de perder o espaço na casa da árvore. Funcionários rondavam como urubus na carniça, levando pra casa sacos de lixo repletos de material de escritório. O que não estava aparafusado no chão ou nas paredes foi furtado. Na segunda região, que mais parecia um calabouço medieval, escura, quente e mal-cheirosa, os operários quebravam as máquinas e choravam pelos cantos, sem saber o que falar para os cônjuges. Desde as copeiras até os projetistas chagavam do almoço com um exemplar do caderno de empregos 'Boa Chance' embaixo do braço.

O fim de uma empresa é sempre triste, mas não pude conter a alegria de ver a ordem natural das coisas sendo quebrada. Nesse dia, o diretor financeiro entrou no seu Volvo prateado tão desolado quanto o operador do torno de matrizes. A maior ironia é que, pela primeira vez, o primeiro deu boa tarde para o segundo.



:: [Marcelo Gluz] » 12:57 -
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29.8.02

:: O P Ç Õ E S

A padaria não é perto o suficiente para se ir a pé, nem longe o suficiente pra que se tire o carro da garagem, o que faz dessa decisão algo importante nesse momento de fome matinal. Sentei na privada disposto a sair dali com a decisão tomada, mas logo um diagrama de opções foi se desenhando na minha mente.

Se eu for de carro, talvez passe no açougue que é um pouco mais longe, para comprar a alcatra do rosbife do almoço. Se eu for a pé, talvez aproveite pra dar uma corrida na lagoa. Mas e se eu não quiser comer carne no almoço (acho que vou parar de comer carne), nem suar tanto assim nesse dia abafado? Não preciso almoçar em casa. Posso ir comer peixe em Pedra de Guaratiba e aproveitar a ida até lá para fazer uma caminhada na prainha, mas o negócio é que eu quero estar em casa pra ver o jogo do Flamengo.

Não sei nem pra que que eu fui comprar o pay-per-view do Campeonato Brasileiro. Esse Flamengo de hoje não merece. Não vou ver jogo nenhum. Aliás, nem preciso estar no Rio na próxima quarta-feira. Vou viajar pra Salvador na terça e só volto na quinta, pro churrasco do Fábio. Porra, mas eu parei de comer carne hoje. Também não preciso estar aqui na quinta. Vou aproveitar pra fazer uma viagem mais longa.

É isso. Arrumo minhas malas e vou hoje mesmo pra Salvador. Ou será que vai estar muito quente? Minha prima foi pra Buenos Aires e disse que o clima está ótimo. As viagens pra Argentina estão baratíssimas nesses dias, mas acho que já é hora de fazer uma viegem maior, pra vários países da América do Sul. Chile, Peru, de repente Costa Rica. Mas Costa Rica precisa de visto e umas vacinas malucas. Não vai dar tempo de ir nesses dias...

Bom... Então vou voltar a comer carne, mas não vou no açougue. Não vou sair de casa. São muitas opções e não tô a fim de escolher agora. Vou ligar pro restaurante da esquina e pedir pra entregar um Filé a Oswaldo Aranha. Ou será que à francesa vai cair melhor?



:: [Marcelo Gluz] » 18:49 -
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28.8.02

:: I D É I A S & L E M B R A N Ç A S

Ontem a noite tive uma idéia. Nem lembro bem dela, mas foi a culpada pelo meu sono de agora. Boas idéias me dão insônia e pior do que a insônia é acordar no dia seguinte e concluir que a idéia não era boa. Na verdade era tão ruim que nem digna de lembrança ela foi. Só acordei com as informações de que tinha reunião às dez em ponto e de que era aniversário do meu pai. Atrasado, durante o veloz e tortusoso percurso para o trabalho na terceira pista (aquela que só aparece pros atrasados, entre a da direita e a da esquerda), liguei pro meu pai. Parabéns, falei com o maior ânimo possível numa manhã sem noite. Obrigado mas não é hoje, ele me disse com um riso compreensivo. Nem preciso dizer que a reunião também não era às dez.

Talvez a ausência total de sono não tenha sido conseqüência da idéia, mas sim do filme que eu vi ontem, com o Pacino, que leva o nome da doença. O fato é que essas idéias, assim como os sonhos e os telefones das pessoas ocupam uma parte superficial da memória. Se essas coisas não estão mais em evidência elas somem. É como se fosse o purgatório do cérebro. Há que se decidir se as idéias vão para o céu, caso contrário elas são esquecidas no inferno das idéias, aquele inferno de platão, que não é o mesmo inferno da terra, mas sim uma cópia desse inferno que habita somente nossa massa encefálica.

Todos já devem ter percebido que esse é o depoimento de uma pessoa que acordou exausta. Perdoem-me a falta de objetividade no raciocínio... Pára tudo que eu lembrei da idéia! A idéia era projetar um site em cima da metáfora de um restaurante, onde o menu seria um menu de verdade e cada prato uma peça de portfólio. Ou seja: era melhor não ter lembrado.


:: [Marcelo Gluz] » 10:52 -
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27.8.02

:: ! Agora você que é louco o suficiente para ler esse blog pode assinar o ZarabatanaMail. Segundo as más línguas os assinantes serão avisados por e-mail cada vez que novos projéteis zarabatânicos forem soprados pra grande rede. Nem sei se funciona direito. Quem quiser ser a cobaia é só preencher o campinho de ZarabatanaMail no fim da coluna esquerda. depois me diz se funcionou.
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Quase imperdoável, mas esqueci de dizer que a newsletter foi dica do homem sem fios. Segundo ele mesmo 'setting standarts'.


:: [Marcelo Gluz] » 18:09 -
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:: D R Á U Z I O 3

Mensagem recebida no domingo a tarde, durante o jogo do Flamengo, através do boy da Carvalhão S.A.:

"Dráuzio,
Tentei telefonar para a casa da sua sogra, onde segundo sua ficha, você costuma passar as tardes de domingo, mas aqui em Búzios meu celular não pega direito. Seu projeto foi aprovado com exceção da parte dos prazos. Mando em anexo um arquivo de Microsoft Project com os novos prazos. Favor ir à empresa atualizar o relatório para a reunião de amanhã com o presidente. Depositamos confiança em você para que tenhamos a primeira fase toda pronta na terça-feira.

Obs.: Favor atualizar sua ficha no depto de RH, preenchendo o campo 'Domingo a tarde - domicílio alternativo'. Só o que consta lá é a casa de sua sogra. Nossa empresa não pode adivinhar onde estão seus 2.130 funcionários, concorda?

Atc.
Simões
Ger. de Novas Iniciativas"


:: [Marcelo Gluz] » 16:50 -
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:: D R Á U Z I O 2

E-mail recebido na manhã de quarta-feira.

"Dráuzio,
Precisamos liberar espaço no servidor 'Carvalhão 7'. Favor desconsiderar este e-mail. Já apagamos sua pasta pessoal.

Obs.: As fotos de sua namorada pelada foram poupadas por requisição do depto de tecnologia. Favor replicar esse e-mail caso queira ter acesso às fotos.

Atc.
Lucas
Ger. de Suporte"


:: [Marcelo Gluz] » 14:26 -
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:: D R Á U Z I O - Recado deixado depois do almoço em cima da mesa do pobre projetista de guindastes da Carvalhão:

"Dráuzio,
O guindaste-meta-hidráulico é um sucesso e seu relatório está ótimo, mas é uma pena que você não o tenha paginado corretamente. Como você sabe, de acordo com os padrões da nossa empresa, a paginação de relatórios deve acontecer do lado esquerdo das páginas, a partir da folha de rosto. Não a partir da capa do relatório. Não do lado direito. Não como você fez.

Favor consertar os erros durante o fim-de-semana e fazer também um relatório sobre os custos de papel e tinta que seu erro causou à Carvalhão S.A.

Atc.
Rubens
Ger. de Processos"


:: [Marcelo Gluz] » 13:37 -
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:: V E R D A D E ou C O N S E Q Ü Ê N C I A (como me lembrou a Karen)

Todo mundo já brincou disso. Roda-se um objeto qualquer que indica uma seta e um alvo. O alvo escolhe 'verdade' ou 'conseqüência' e a seta estabelece qual será a pergunta ou prenda à qual o alvo será submetido.

Lembro que quando criança, todos se pelavam de medo de escolher 'conseqüência'. Podia ser um beijo na garota feiosa com os óculos fundo de garrafa ou uma arriada de calças na frente da professora de matemática. Poucos eram os que tinham a coragem necessária. Já 'verdade' era commodity. Afinal de contas, o que um garoto de doze anos de idade pode ter para contar? 'Uma vez, quando eu tinha uns dez anos, eu fiquei 2 dias sem escovar os dentes' ou então 'Tá bom... Confesso que fui eu que rabisquei um piru no seu caderno'.

Ao contrário disso, se fôssemos brincar disso hoje em dia, a 'verdade' seria bem mais interessante. Todos já tomaram porres e pagaram micos enormes, mas pouquíssimos não tem uma terrível confissão a fazer. A verdade disso é que a verdade rareia a cada ano e a conseqüência é que ficou mais fácil ser inconseqüênte do que verdadeiro.


:: [Marcelo Gluz] » 13:34 -
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26.8.02

:: 8 0's

Ninguém resistiu aos anos 80, em cujos meados o universo ficou brega. Tenho certeza que a maioria dos artistas preferem esquecer desse abismo de bom-gosto entre 79 e 90.

Miles Davis, símbolo da elegância melódica, resolveu pintar seu trumpete de vermelho sangue e abusou das jaquetas cintilantes e dos discutíveis timbres dos sintetizadores.

Natassja Kinski, símbolo de beleza crua, resolveu pintar sua cara de vermelho sangue e usou até sutiã com ombreiras e gel de cabelo.

Martin Scorcese, símbolo dos bons filmes sangrentos, resolveu filmar 'Depois de horas' uma pseudo-comédia com o cartaz rosa-choque e aqueles personagens eclético-bizarros cultuados naqueles estranhos anos.



Pois é... Acho que só sobreviveu aos anos 80 quem ficou trancado dentro de casa sem ver TV nem escutar rádio.

Penso, penso e só me vem um nome à cabeça: João Gilberto.


:: [Marcelo Gluz] » 13:00 -
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23.8.02

:: ! Aluysio Escroque é meu candidato a presidente e a qualquer outro cargo a que ele resolver se candidatar.
Clique aqui e entenda que ele chorou por você.


:: [Marcelo Gluz] » 16:01 -
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:: P O L V O

O país onde todos são eventuais técnicos de futebol todos também são críticos de arte.

Pintei um olho numa tela enorme na frente de uma platéia muito participativa. Quase uma torcida de futebol. Vc vai ao banheiro e o André pede um toque psicodélico perto da íris. Rajadas coloridas dizia com os olhos arregalados como se quizesse demonstrar em si mesmo. Letícia acha que eu devia fazer sobrancelhas, a amiga discorda e quer que ele fique fofinho. 'Assina! Tá bom assim', gritaria o Baiano impaciente. Digo pra Sheila que é o olho dela, e peço pra ela ficar por perto porque eu posso esquecer de alguma coisa. Alguém grita 'contraste! mais contraste!' e toma de preto nas pestanas. Virei maquiador, pensei num momento existencialista.

No fim, o olho virou uma coletiva criatura esquizofrênica. Fofinho e psicodélido. Diferente de tudo o que eu já tinha feito na reclusão normal. Interessante como relato social e contraditório como peça gráfica. Coisa de um artista-polvo.


:: [Marcelo Gluz] » 12:54 -
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:: ! Ahhh esse PegBall ainda vai me deixar em maus lençois. O joguinho que tem tudo pra ser chato acaba gerando forte dependência logo após as primeiras partidas. Se você está com os prazos apertados no seu trabalho é melhor nem clicar no link acima.

Há algumas semanas eu e o Triste temos travado uma dramática batalha na liga mundial de pegball entre arquitetos da informação e designers. Hoje aconteceu a grande final cercada de muita catimba e torcedores tendendo pro lado de lá. Entreguei o jogo no fim, após liderar a partida inteira. Tá justo

Vale destacar que o Tristão, além de artilheiro fuçador no PegBall é também o repórter fuçador que entrevistou os papas da arquitetura da informação, Lou Rosenfeld e Peter Morville, nessa entrevista da Web Insider. Ponto pra equipe Triste.


:: [Marcelo Gluz] » 12:38 -
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:: C O N F Ú C I O

O tempo é relativo, disse Confúcio ou qualquer outro chinês com tempo pra dizer essas coisas.

É relativo mesmo e quanto mais farto, menos coisas acontecem dentro dele. Um bom exemplo são esses pensamentos vagos que preenchem meu cérebro no caminho de volta do trabalho.

Hoje, nesse trânsito angustiante, meus neurônios produziram 97 minutos de inutilidades. Idéias para fazer meu banho mais veloz e compensar o atraso (anotar: escova de dente no chuveiro), observação da moça do Palio tirando meleca e contagem dos minutos sem tocar no acelerador.

Ontem, fiz o mesmo percurso em míseros 22 minutos: Percepção óbvia e importante da ridícula e absurda fartura de banners eleitorais na Av. das Américas. Imagens imaginárias do morro sem a Rocinha. Recordações do campus da PUC com menos prédios e mais espaços vazios e arrependimento da maneira que tratei o garçon relapso no almoço.

O tempo é relativo, disse algum chinês que tinha pouco tempo o suficiente pra pensar nessas coisas.


:: [Marcelo Gluz] » 10:52 -
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22.8.02

:: ! Da série Zarabatana Interativa. Quer saber que filme é você? Clique aqui.

Dica do Newton, o homem sem fios.



O meu resultado foi mais ou menos. Imensidão Azul, de Luc Besson é excelente, mas acho que não tem muito a ver comigo. Tô mais pra Woody Allen, John Cassavetes ou Irmãos Coen.


:: [Marcelo Gluz] » 17:08 -
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:: E N L U A R A N D O

Há dois dias tento escrever sobre a lua. O texto não seria uma ode, mas uma desimitificação vigorosa.

No texto, enquanto você me mostrava a luminância dourada da lua no céu, eu retrucava dizendo que a luz não é de propriedade da lua. Ela é só inquilina do sol. Você dizia que a lua era única e que essa civilização foi moldada olhando pra ela. De cortes de cabelo a calendários e misticismos. Eu respondia falando mal dessa civilização e citando o fato de Saturno ter nove luas e nem por isso ser civilizado. Você falava da lua como referência dos perdidos e eu a subestimava, chamando de subúrbio da Terra. New Jersey cósmica.

Você via todas as cores, tamanhos e posições da lua como riqueza e versatilidade, mas eu decretava que era total falta de personalidade. No texto, eu discordava por esporte.

Parei de escrever supreso por perceber uma noite tão clara que dava pra desligar a luz da varanda e continuar escrevendo. Dei dois passos pra frente e procurei a lua, mas ela não estava lá. Peguei a chave do carro e fui tomar um sorvete no Mil Frutas da J.J.Seabra. Projetava meu pescoço janela do carro a fora, mas a lua parecia chateada comigo. Sabia que estava escondida em alguma reentrância do landscape, mas nada de dar as caras.

Acabei o sorvete e junto com o copinho joguei o papel com o texto no lixo. Confesso que senti saudade do intempestivo satélite e com a saudade veio o sono. Enquanto estacionava o carro ela apareceu por trás do Corcovado, imensa e amarela como já cantou Tom Jobim. Fiquei lá no debruçado no volante, esperando ela sair inteira, até criar um contorno branco no topo da montanha escura. Não dá mesmo pra falar mal de certas coisas.


:: [Marcelo Gluz] » 16:32 -
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20.8.02

:: ! Acabo de descobrir que o filho do Ivan Lins resolveu se dedicar aos estudos. Deve ser por isso que o cara não consegue pagar o aluguel dos apartamentos e ainda fica se metendo na minha frente. Maldito filho do Ivan Lins. Entenda melhor sobre isso na Dirce. Foi ela que disse.


:: [Marcelo Gluz] » 18:38 -
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:: L A B I R I N T O 2

Mais desdobramentos no caso do filho do Ivan Lins:

Ana Pow declara ter estudado com a prima do filho do Ivan Lins na faculdade.

Paulo me escreve pra dizer que uma vez o filho do Ivan Lins furou a fila do Itaú, criando uma confusão enorme entre as velhinhas de plantão. Essa agência não tinha caixa especial para velinhas, somente pra filhos do Ivan Lins, me afirmou o Paulo.

O mais surreal desdobramento foi o que a Sheila me lembrou agora há pouco. Há três domingos atrás na Barraca do Aleido, o Gigio teria me dito que conhece o filho do Ivan Lins, com quem contracenou na minissérie Aquarela do Brasil. Até aí tudo bem. O cara está em todos os lugares mesmo. O que me deixou pálido foi o fato do Gigio ter me dito que o sujeito tem um apartamento do qual está pensando em sair. Fico de olhos arregalados, olhando pro monitor, estudando as possibilidades:

a) O filho do Ivan Lins é Deus observando a minha performance no quesito alugar um apê
b) O Ivan Lins tem quinze filhos
c) Isso é uma conspiração. O Gigio, a mulher da Brito Cordeiro, a Ana Pow, o Paulo, o casal amigo, a Sheila e o próprio filho do Ivan Lins tão de sacanagem comigo.
d) O filho do Ivan Lins, com cuja prima a Ama Pow estudou, perdeu o apê pro Juca, dias depois ganhou o apê da Maria Angélica de mim, mas teve mais uma vez seu crédito desaprovado. Debaixo da ponte e desesperado o filho do Ivan Lins encontrou o casal amigo em um outro apartamento no Alto Leblo, mas acabou alugando um outro no Humaitá. Meses depois ele comentou com o Gigio que queria sair do apartamento em que mora, do qual vai acabar saindo agora, como confirmou a moça da Brito Cordeiro.

Tudo faz sentido, menos o fato dele ter furado a fila do Itaú. Talvez tenha alguma coisa a ver com a teoria de que ele é Deus. Ou pelo menos acha que é.




:: [Marcelo Gluz] » 18:27 -
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:: L A B I R I N T O [uma história real]

Quando o Juca resolveu alugar um apartamento no Jardim Botânico, logo na esquina do meu, teve que disputar cabeça-a-cabeça com o filho do Ivan Lins. Parece que apesar de trabalhar em novelas a renda do rapaz global não era das mais seguras e o Juca acabou levando o apartamento.

Há cerca de dois meses eu já procurava um apartamento pro qual devo me mudar em breve. Encontrei o apartamento perfeito na Rua Maria Angélica, mas quando entreguei a documentação necessária, o proprietário me disse que tinha acabado de fechar com o filho do Ivan Lins.

Há algumas semanas um casal de amigos, também na famigerada caça imobiliária, me disse que encontrou o filho do Ivan Lins num dos apartamentos que estavam visitando no Alto Leblon. Achei estranho, mas fiquei na minha. De repente o negócio na Maria Angélica michou...

O mais improvável aconteceu hoje de manhã. A moça da Brito Cordeiro me ligou animada com um apartamento que acabou de vagar no Humaitá. Adivinha quem estava acabando de esvaziar o tal apartamento???? Sim!!! O filho Ivan Lins!

Agora, das duas uma: Ou o Ivan Lins é um coelho reprodutor tendo feito milhares de filhos, todos espalhados pelas imobiliárias da cidade, ou tem um pobre desgraçado mais obcecado do que eu pra sair desse labirinto de tijolos





:: [Marcelo Gluz] » 11:35 -
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19.8.02

:: D E S C O N E X Ã O

» Atendimento ao cliente, Selma K, em que posso ajudá-lo?
» Boa tarde. Gostaria de fazer uma desconexão, por favor.
» Senhor, para melhor atendê-lo, preciso do seu nome de usuário e senha.
» Mas não sei meu nome de usuário... Nem sei como acabei ficando conectado...
» Senhor, desculpe, mas para melhor atendê-lo preciso saber o código alfa da sua conexão.
» Você não está entendendo, Selma K. Eu quero me desconectar. Quero sair fora, vazar, entendeu. Não quero mais ser encontrado em nenhuma lista, nem ouvir nenhum barulinho no meu bolso, ou no meu pulso. Quero desligar todos os aparelhos das tomadas... Não aguento mais ficar online. O pior é que não sei como me conectei...
» Mas, senhor... Dessa maneira o senhor não vai mais existir nos nossos registros e nós não poderemos mais atendê-lo...
» Mas pra que eu quero que vocês me atendam?
» Para melhor servi-lo, senhor. [impostando a voz] "Um infinito de informações ao seu alcance e você ao alcance do mundo!"
» Mas eu não quero mais ser servido. Só quero paz. Não quero mais devices, nem uploads, nem downloads, nem controles remotos, nem gadgets, nem banners personalizados, nem junk mail, nem newsletter, nem messenger, nem nada disso. Só quero me desconectar.
» Senhor, mas isso que o senhor está me pedindo é muito irregular. Não está ao meu alcance. Por que o senhor não deixa seu e-mail, ICQ# e telefone celular e aguarda um contato da nossa empresa. Estaremos projetando uma solução customizada para o seu caso, porque [impostando a voz] "os seus problemas mais pessoais também são o foco da nossa empresa".
» Mas não é possível! Vocês não tem nenhuma outra alternativa? Me despluga na raça, como se o ctrl+alt+del não funcionasse mais. Tira o fio da tomada. Qualquer coisa assim.
» Nós temos um paleativo para os casos mais extremos, senhor, mas não recomendamos o uso desse feature.
» Pro diabo a recomendação de vocês. [gritando] Eu quero me desconectar dessa inferno!
» É muito irregular...
» Manda logo essa merda!
» Senhor, em alguns minutos o senhor poderá fazer download de um psicotrópico virtual que terá o efeito desejado. Mas lembre-se: Será somente emulada uma sensação de desconexão, mas o senhor ainda terá disponíveis todos os features que nossa empresa oferece. Quando o efeito do psicotrópico passar o senhor poderá fazer novos downloads na nossa central do assinante.
» Maldita tecnologia chupa-sangue!
» Nossa empresa agradece seu contato. Faça bom uso de mais esse produto. Mais alguma coisa em que posso ajudá-lo? [desliga]


:: [Marcelo Gluz] » 17:16 -
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16.8.02

:: ! Hoje faz-se justiça ao que os poetas esqueceram de empoemar. Clique aqui e leia o Poema Justo.


:: [Marcelo Gluz] » 17:35 -
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15.8.02

:: ! Todas as capas da versão americana da jurássica e maravilhosa Revista Mad estão na web. Tesouro da irreverência impressa.

Chupado do Portal mais vertical da Internet, que por sua vez chupou do JavaBoy. Essa internet é uma chupação sem fim!


:: [Marcelo Gluz] » 14:56 -
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:: Mc E X I S T Ê N C I A 2002

Depois de amanhã é o McSábado Feliz, dia de fazer um esforcinho junkie comendo carne de minhoca com gordura vegetal hidrogenada, segundo alguns alardistas da nutrição. Ótima a iniciativa, mas esse post não vai tratar disso.

Os leitores mais antigos devem lembrar da McExistência, proposta desse site para que todos pensem no modo como querem existir, postada no dia 10/08/01 no Blogluz. Hoje eu vos apresento a McExistência/02. A idéia é que este post seja um cardápio e que você simplesmente peça pelo número. Use o pitaco pra fazer seu pedido, e espere a sua chegada sob a sombra da inércia. É possível que o pedido não chegue jamais, mas nunca se sabe. Aí vão as opções:

Ter três filhas e ser diretor(a) de uma empresa multinacional. Morar num dupléx com vista pras Cagarras. Fazer esportes radicais nos fins-de-semana, mas ser escravo da crueldade das grandes empresa durante os outros cinco dias.

Ter namorado(a) em São Paulo, Madri e Miami. Viver viajando por conta do trabalho e conhecer lugares fantásticos. Fazer amigos-de-quinze-minutos por todo mundo, mas não ter amigos-de-vida-toda. Não ter muitas rugas de preocupação nem móveis nos lugares por onde mora.

Trabalhar do lado de casa, em qualquer coisa insignificante, de oito às cinco e ter um hobby apaixonante. Pode ser criação de peixes ornamentais raros ou pintura de aquarelas com temáticas surrealistas. Estar numa relação maravilhosa e já ter tido várias outras relações maravilhosas. Morar numa cidade de médio porte como Curitiba, Seattle ou Zaragoza, num apartamento médio.

Ser empresário(a) de altos e baixos e viver comprando e vendendo coisas. Conhecer o mundo todo em viagens de quando era rico(a) e ter amigos na favela de quando era pobre. Não ter filhos nem cônjuge. Ter o Golden Retrivier mais esperto da cidade. Morar numa casa farta de obras de arte, mas ter o telefone cortado de vez em quando.

Ser um expoente cultural de Recife, mas ter que ralar atrás de patrocínio. Dormir com quem quiser, mas não querer ninguém pra sempre. Não ter muitas ambições e ir sempre no mesmo boteco com os mesmos amigos. Sorrir muito e de vez em quando ter crises de saudade de alguém que sumiu. Sonhar conhecer Tóquio, mas nunca fazer nada pra realizar sonhos.


Se você não gostou de nenhuma das opções, não se acanhe. Você pode comer no Bob´s, no Domino's Pizza, no Habbib's, ou em qualquer outra lanchonete. As opções são infinitas mas nunca são eternas. Só não deixe de fazê-las de tempos em tempos.


:: [Marcelo Gluz] » 12:08 -
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14.8.02

:: ! Deixaram de dar na Globonews.com:

"
Grupo se organiza na zona sul do Rio para exterminar flanelinhas

Um grupo de aproximadamente uma centena de pessoas que responde pelo nome de Vaga incerta foi apontado como autor dos três atentados contra guardadores de carros da última semana. A dona de casa Samira Trevisan, provável líder do grupo, declarou estar farta do poder paralelo exercido pelos chamados flanelinhas e acusou a prefeitura da cidade de ser conivente com os chantagistas das ruas (sic). O engenheiro Walter Saldanha, membro declarado do grupo, afirmou que o mesmo é uma filial do australiano free streets, que erradicou a profissão de guardador de carros em Sidnei, Canberra e mais sete cidades da Austrália.

O atentado da última terça-feira foi o mais incisivo. Dois flanelinhas licenciados da Vaga Certa e mais quatro sem licença foram encontrados pendurados pelo pé numa imensa amendoeira da Rua Rita Ludolf, no Leblon. Os trabalhadores noturnos se disseram vítimas de torturas e ameaças de que se voltassem a tomar conta de carros iriam provar a verdadeira ira do Vaga Incerta
"


:: [Marcelo Gluz] » 12:33 -
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12.8.02

:: C H O C O L A T R I A

Meu amigo olhudo disserta sobre a estranhíssima relação das mulheres com as barras de chocolate.
O único paralelo que posso traçar entre o popular alimento e uma noite de sexo, é que quem abusa do primeiro tem poucas oportunidades de praticar o segundo. Dermato-endocrino-verdade.

Lembro ainda da lacônica história do conhecido cuja namorada atacava um diamante negro no primeiro instante do pós-sexo. Os quilos foram se acumulando nas ancas da menina até que, criticada pelo namorado, resolveu fazer uma dieta, deixando o chocolate de lado. Tentou chiclete diet, pedacinhos de gengibre, manteiga de cacau nos lábios e até começou a fumar. Esse negócio de fumar depois do coito é uma instituição, pensou ela lembrando do filme que tinha visto. Se convenceu de que o chocolate era coisa do passado, mas o sexo ficou burocraticamente chato. A ausência dos açucarados quitutes causou frigidez absoluta.

Desesperado com o balde de água fria, esse meu conhecido deu o braço a torcer e presenteou a namorada com uma caixa de sortidos da Godiva, esperando dezenove semanas e meia de amor ardente. Pra complementar os preparativos, duas caixinhas de Viagra foram compradas na Drogaria Popular. Blue diamonds, como fez questão de sublinhar o empolgado farmacêutico. Tudo pronto: Luz de velas, insenso, viagra e a voluptuosa caixa da Godiva. A namorada, bem mais magra e vestida com seu recém-adquirido tubinho cor-de-rosa, se negou veemente mente a aceitar o presente. Disse que assim se sente bem assim, mais gostosa, mais mulher e mais controlada. Os elogios das amigas foram fatais para as intenções do namorado. Arrependido pelo comentário sobre as ancas o namorado bateu os punhos cerrados no próprio cucuruto e saiu pra rua a procura de uma mulher fogosa. Nem importava se fosse uma gordinha.


:: [Marcelo Gluz] » 17:30 -
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:: P I T A C O
Pitaco
espetáculo
receptáculo
de espasmos
ex-alados
cuspidos, atirados,
soprados pequenos
saem grandes
do outro lado
de
uma
zarabatana.

De Gabriel Silva do Philosophia, pitacado no post logo abaixo.

Esse negócio de pitaco tá dando pano pra manga. Já no post 'Honky Tonk, in Cleveland, Ohio", eu percebi que essa ferramenta de comentários poderia ter uma função mais interessante do que "a-do-rei seu blog", ou "concordo", ou "discordo". Agora o Gabriel, que escreve muito bem em um blog que eu nem conhecia, pitacou esse poeminha instantâneo. Que os pitacos continuem.


:: [Marcelo Gluz] » 10:56 -
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9.8.02

:: E S T Í M U L O S

Não tenho sono. Brinco de enumerar os objetos do meu quarto pra me distrair. Percebo que pareço um rato branco de um laboratório doméstico. Inventário:

Pote de palmitos. Os miolos dos troncos de algumas árvores são guardados ali, numa conserva de água, sal e aditivos químicos. Cada palmito cilíndrico pode ser recolhido pela pinça dos dedos indicador e polegar e levado ao consumo oral. Antes disso é necessário que a tampa do pote de vidro seja torcida até que a rosca seja vencida e o acesso ao interior liberado.

Caixas de som. Enquanto tremem, externam o conteúdo das bolachas prateadas com embalagens coloridas. Giram as bolachas dentro dos casulos ejetáveis, reproduzindo faixas gravadas na superfície plástica como um telégrafo, um texto em braile. As caixas tem mecanismos diversos para os sons mais graves e mais agudos. Se o tipo de som for estéreo cada caixa reproduz uma parte do todo, que depois é reunido pela audição do ouvinte.

Chama de insenso. A ponta do pequeno bastonete é carburada para que o olor solidificado ali seja solto ao ar. Uma pequena espátula serve de receptáculo das cinzas.

Tela de Tv. Um device manual dispara um comando acionando o aparelho. Válvulas, transistores e resistências se eletrificam pra receber o sinal e gerar as imagens. Elas aparecem na tela, uma espécie de janela retangular com os cantos ligeiramente arredondados e são cambiáveis por outra, outra e outra. O device manual é acionado compulsivamente pra que novas imagens sejam vistas. Quando se desligar a Tv a janela ficará cinzenta novamente.

Página de revista. No papel brilhoso foram impressas mínimas retículas de tinta, que vistas a olho nu, formam grafismos policromáricos. Letras são combinadas com fotografias, ilustrações, ícones e espaços vazios, de tal modo que a compreensão do leitor seja pautada. Em alguns casos opta-se por combinar tudo isso de forma caótica, a fim de que o leitor não entenda que as idéias não fazem sentido.

Teclado de computador. Dezenas de botões com caracteres diversos são distribuídos pela bandeja cor-de-creme. Com os dez dedos das mãos se apertam as teclas para disparar letras, que formam palavras, frases e parágrafos que aparecem num monitor adjacente. Essa massa de texto representa uma idéia daquele que empurra os botõezinhos quase tão rápido quanto consegue pensar.

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Aciono todos os mecanismos do laboratório doméstico. Estímulos auditivos, visuais, táteis, palatáveis e olfativos são simultânamente enviados ao meu cérebro. A demanda exagerada me deixa numa espécie de transe e uma barreira invisível é construída em volta dos neurônios. A partir desse momento somente os estímulos dolorosos poderiam me atingir. Durmo com profundidade. Amanhã estarei pronto para absorver mais estímulos.


:: [Marcelo Gluz] » 15:04 -
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:: C A M P A N H A
 



Minha colaboração pra deixar claro quem é o homem mais popular da web brasileira.


:: [Marcelo Gluz] » 11:10 -
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8.8.02

:: M I L I O N Á R I O

Tudo começou com a idéia da Nancy. Dezoito pessoas da empresa fizeram um bolão de apostas na Mega-Sena acumulada, algumas Polianas por acreditarem que poderiam ganhar, outros cépticos (dentre os quais me incluo) por acharem a vida irônica o suficiente pra conceder milhões para dezessete pessoas e deixar lá, ralando sozinho, o único incrédulo miserável que acredita no trabalho como forma de lucro.

Os motivos nem importam muito, mas sim o fato de que, amanhã de manhã, minha conta bancária vai transbordar como a caixa-forte do velho Patinhas. O choque foi enorme quando o Pedro Garcia me ligou aos prantos: "Eu te amo, eu amo a lua, a Caixa Econômica Federal, e amo até esse gancho de telefone bege!", bradava ofegante, enquanto eu engolia cada palavra que meu cérebro produzia. Desliguei em estado de semi-catatonia.

Pra quem eu ligo, o que que eu faço? Liguei pra casa dos meus pais, mas não tive coragem de contar. "O que vem fácil vai fácil", me ensinou minha mãe. Como poderia desmentir assim? Além do mais, era possível que eu desse um nó na cabeça consumista e efusiva da minha irmã, fazendo ela surtar de vez. Melhor ficar na minha.

Liguei pra namorada e confirmei o programa com a sogra. O trânsito tá ruim, será que vai chover, estamos atrasados pro show, encontrei fulano na rua. Nada de falar sobre os milhões. Sabe como é... Essas coisas a gente não fala assim... Elas exigem uma certa cerimônia. Não podia chegar do nada e disparar "Sheila, pega um helicóptero e vem pra minha casa, porque eu ganhei na Mega-Sena e estou tendo uma síncope nervosa.". Não é assim.

Estou sozinho em casa e resolvi contar que estou milionário pro gato Tom Jobim. Segurei o gordo felino pelos bracinhos e falei "Tomzinho, você vai ter Whiskas pro resto das suas sete vidas. Só lamento que alguém tenha te castrado, senão cê ia poder escolher qualquer gatinha da vizinhança!". Fiquei pensando que se a teoria das realidades paralelas fosse verídica, em algum desses universos eu ainda ia estar não-milionário, fugindo do vaga-certa pra não ter que desembolsar dois reais.

Mundo desgraçado esse, que a gente sofre até com as realidades paralelas. Que a gente nem pode contar pra ninguém que ganhou na Mega-Sena pra não matar o infeliz de efarte.


:: [Marcelo Gluz] » 11:46 -
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7.8.02

:: R E F O R M A D O

19º apartamento visitado da semana. Por ser recorde absoluto já seria um marco, mas a história que conto a seguir tornou o episódio inesquecível.

O proprietário do apartamento andava com um vagar despreocupado e irritante no caminho da imobiliária da Urca até o apartamento, de frente pra a praia vermelha. Eu sou muuuito chato com as minhas coisas, dizia ele orgulhoso de sua medíocre alma doméstica. Esse sapato aqui já deve ter uns 50 anos. Meu pai era general aposentado e me presenteou quando eu fui promovido a sargento.

Passei a observar os passos do velhinho com atenção. Havia algo de marcha naquele compasso pé-ante-pé. Vinte minutos tinham se passado e já eram dez horas. Já devia estar no trabalho, pensava apertando o passo pra tentar forçar a pressa dele. E nada. Me contava estórias do exército, dificuldades da aposentadoria e eu fingia que ouvia, mais preocupado com a porta do imóvel que teimava em não abrir. Tentei tomar a chave para abrir mais rápido, mas seus punhos cerrados e sua altivez militar me impediram.

A porta abriu e o susto mobilizou meu semblante. Centenas de animais empalhados, perdidos entre entulho e tufos semi-sólidos de poeira azulada, me encaravam, todos ao mesmo tempo. Não repara a bagunça, se justificou, afastando com a bengala uma caixa de azulejos com estampas de canhões, baionetas e revólveres antigos.

Olha menino, ele me disse em tom de segredo. Eu uso esse apartamento aqui como um relicário das coisas que me fizeram o homem que eu sou. Fico até emocionado de vir aqui depois de tantos anos. Mas agora estou velho e a aposentadoria do exército não me rende quase nada. Preciso alugar esse museu de mim. Estou disposto a fazer um preço bem camarada se você puder guardar as minhas coisas enquanto estiver aqui. São objetos muito distintos... Tem até um bule de porcelana que pertenceu ao terceiro reich...

Espirrei e virei as costas pro velho antes que ele continuasse o inventário do freak show. Malditos anúncios de jornal. Quem dera que viessem com fotos ilustrativas.


:: [Marcelo Gluz] » 19:11 -
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6.8.02

:: M A Y A    A N G E L O U

"Passing Time"

Your skin like dawn
Mine like musk

One paints the beginning
of a certain end.

The other, the end of a
sure beginning.


:: [Marcelo Gluz] » 16:21 -
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:: !
Ótima essa dica do Jean Boechat. Trata-se da abertura do database do MEC de cada ano letivo cursado por cada aluno na rede nacional de ensino. Tem até foto. Clique aqui e preencha seus dados.


:: [Marcelo Gluz] » 15:57 -
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:: !
Agradecimento atrasadíssimo ao Elton Okada, vulgo Chinão, pela força nos agatêemes do Zarabatana. Antes tarde do que nunca. Se quiser se utilizar dos serviços freelancers do rapaz Clique aqui. Ele já tá acostumado com prazos surreais.


:: [Marcelo Gluz] » 15:41 -
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:: P R Ê M I O

Os Picolinos estão organizando um concurso pra eleger os melhores blogs do Brasil. Meu lado mais chato acha esse tipo de concurso uma bobagem. Assim como a entrega do Oscar, torneio de patinação artística em olimpíada e desfile de escola de samba, a eleição dos blogs deveria ser definida por critérios subjetivos e pessoais. Nada parecido com os frios cronômetros dos 100 metros rasos, ou os índices de audiência do Ibope.

Além disso, o mesmo lado chato também acha que esse tipo de premiação, com pinta de oficial, beira o ridículo. Me aparece logo a imagem de Hitler no palco, com seu cabelinho engomado: "... e os indicados pra melhor ditador de países latinos são... Pinochet... Geisel... Strossner". Ou então a Dercy Gonçalves "... e o prêmio bacalhau maquiado vai para... Hebe Camargo". Ou ainda o Capitão Guimarães, falando direto do Sheraton: "...e o contraventor vencedor do troféu bicheiro/traficante do ano é... Elias Maluco!!!" e a tradução simultânea: "Crazy Eliah!!!"... "El Loco Elias"...e assim por diante.

Por outro lado sou fascinado por qualquer competição oficial, extra-oficial, nada-oficial ou anti-oficial. Se tem competição eu tô lá acompanhando os resultados e (quase sempre) discordando de quem ganhou. Vamos aos meus favoritos para o Yo Blog:

Balde de Gelo - pelas humor nas relações
Wowblog - pelo bom gosto
Telescópica - também pelo bom gosto
Feira Moderna - pela identificação
Terceira Base - pelas dicas


:: [Marcelo Gluz] » 15:26 -
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:: F O R A 2

Na minha vida nada muda, ela disse com a boca prestes ao riso. Meus dias são sempre os mesmos, com eventos desimportantes e atitude de 'tanto faz'. Meus sonhos e amigos são os mesmos de dez anos atrás, se é que ainda tenho sonhos e amigos. Ele olhava com o discurso em vácuo, como se tentasse doar um pouco do ânimo que esbanjava.

Me desculpe por tudo que eu te fiz, por não aprender o que você me ensinou.

Ele se sentiu como uma estátua gelada. Egocêntrico, distante e impotente, como se estivesse vendo alguém se afogar no mar enquanto toma um drink na proa do barco. Conhecia aquele rosto, mas é como se fosse uma desconhecida com uma máscara familiar. Foi pra algum lugar da moda beber com os amigos pensando que não foi a primeira vez que se sentiu assim.


:: [Marcelo Gluz] » 12:45 -
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5.8.02

:: O    G E M I D O    D A    E M A    C I B E R N É T I C A

O nome da vez na música brasileira contemporânea tem idade de medalhão e repercussão de revelação a cada disco novo. Tem sotaque de artista regional, mas é mais universal que toda a molecada da Trama que se veste com o tal do new look. Lenine agrada tanto a head-bangers quanto a forrozeiros e mostra que somos injustos cada vez que falamos mal da música eletrônica. Música eletrônica é só mais um jeito de fazer boa ou má música. É só um novo meio.

No show da nova turnê, a onda cerebral do peixe apocalíptico de Lenine se sintonizou perfeitamente com Mr. Tostói, guitarrista recém-ressussitado dos longínquos anos 80. O figuraço com cara de niilista de filme dos Irmãos Coen, se contorcia como uma serpente enquanto batia com uma baqueta de berimbau da fender azul-bebê. A ema cibernética não afundou a cabeça na base de maracatu planetário do "Ano em que faremos contato", nem na emulação eletro-dançante de Jackson do Pandeiro do "Na Pressão". Em "Falange Canibal", mais uma vez seu gemido anuncia boas novas.


:: [Marcelo Gluz] » 17:18 -
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:: F O R A

Muita coisa tá acontecendo na minha vida, ela disse com os dois olhos irritados, ambos prestes ao choro. Meus dias agora são diferentes, com eventos inadiáveis e tomadas de decisão. Tenho novos amigos e sonhos politemáticos. Tantos temas que você não conhece nem acordado.

Muito obrigado por tudo que você me ensinou, mas era muito pouco.

Ele se sentiu como o primeiro professor do Guga. Preterido, insuficiente e dispensável, como se estivesse lendo um e-mail de novos desafios. Conhecia aquele rosto, mas é como se fosse uma desconhecida com uma máscara familiar. Foi pra casa assistir o Fantástico Show da Vida pensando que não foi a primeira vez que se sentiu assim.


:: [Marcelo Gluz] » 17:18 -
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2.8.02

Frase mais repetida dessa até agora insuportável noite de sexta-feira:

D A M N    T E C H I E S !!!!!!

A coisa tá tão feia que estamos todos aqui escravos por motivos que não sabemos traduzir. Tem que esperar o QA1, o QA4, o Vig Infra liberar o pacote final, o cache ser limpo, os conteiners serem cadastrados, os componentes ajustados e a minha paciência ser esgotada.

Damn Techies!


:: [Marcelo Gluz] » 20:39 -
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:: S E Q Ü Ê N C I A    L Ó G I C A

Branco, preto, escuro, silêncio, música... clique para ver mais


:: [Marcelo Gluz] » 20:01 -
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:: L Í N G U A

A língua se aloja na boca alheia,
Rodopia e se lambuza como uma cobra louca lisérgica sob um raio de luz halógena
Depois do ósculo lento, a língua aleatória ativa na memória palavras de quebra-cabeça
Léguas e mais léguas de uma língua elástica e longínqua
Ela lambe idéias, recolhe sílabas, e engole letras


:: [Marcelo Gluz] » 19:58 -
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:: R E L A Ç Õ E S

Oito mini-contos sobre algumas pessoas imaginárias e outras nem tanto. Situações hipotéticas e outras nem tanto.
O ano de 2001 gerou uma coleção de posts sobre relações que agora podem ser encontrados no menu da esquerda ou aqui.


:: [Marcelo Gluz] » 12:32 -
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:: M A T E R N I D A D E   &   Sto S E P U L C R O

Registros desta semana de tempo instável:

Nasceram:
ABLog - Aquele que tudo vê
Tangerina - alterego do cajú

Ressussitaram:
Mochilinha - o homem que carrega xenenéu nas costas
NewtonFo - o amigo do Cavallo
Flor de Obsessão - Em homenagem ao anjo pornográfico

Quase tudo nessa vida internética é viral.



:: [Marcelo Gluz] » 12:31 -
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:: M U S A

Os homens são todos iguais, ouvi algumas vezes sem ter culpa.

Dessa vez as mulheres tem razão. Do diretor ao estagiário se mobilizaram pra eleger a musa da empresa. Algum freak criou uma enquete e spanou pra algumas pessoas-chave. Em meia hora o vírus do julgamento estético-machista contaminou a empresa inteira. Falou-se em confeccionar uma faixa pra vencedora, fazer um ensaio no paparazzo das três primeiras em poses picantes e até em conceder aumentos às premiadas. Ninguém conseguiu trabalhar nessa manhã.

As moças da empresa tentam contra-atacar com uma enquete dos homens mais gostosos. Não sabem que esse tipo de raciocínio é um expediente masculino, da mesma forma que memorizar as roupas alheias é um expediente feminino. Não sabem também que já foi criado um robô na tecnologia pra passar o dia votando no nosso escolhido, o irresistível Bruno Sérgio.

Não sabem que a palavra 'muso', se existe, é feia demais pra ser dita.



:: [Marcelo Gluz] » 12:31 -
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