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31.7.02

:: C O L O M B I A N A

Quem viu Pantaleão e as visitadoras teve a oportunidade de assistir à mais pura síntese da palavra sensualidade. Trata-se de la visitadora Colombiana com suas poses, caras, bocas e etecéteras. E bota etecétera nisso. A cena em que ela tenta seduzir a personificação peruana do milico caxias é uma das mais impressionantes. Se você tá curioso clique aqui e confira. Metade do charme é perdido por conta da ausência do movimento, mas serve como teaser.

A história do filme é igualmente fantástica. O romance, uma mistura de crítica social com realidade fantástica, foi escrito por Mario Vargas Losa, cidadão do mundo, ganhador de Prêmio Nobel e candidato recém derrotado por Alberto Fujimori à presidência do Peru. O embrionário cinema peruano ainda é tecnicamente inocente, mas a literatura e a beleza das mulheres descendentes dos Incas são coisa de primeiro mundo.


:: [Marcelo Gluz] » 12:00 -
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30.7.02

:: H O N K Y - T O N K in Cleveland, Ohio

It's a jazz affair, drum crashes and cornet razzes.
The trombone pony neighs and the tuba jackass snorts.
The banjo tickles and titters too awful.
The chippies talk about the funnies in the papers.
The cartoonists weep in their beer.
Ship riveters talk with their feet
To the feet of floozies under the tables.
A quartet of white hopes mourn with interspersed snickers:
"I got the blues.
I got the blues.
I got the blues."
And . . . as we said earlier:
The cartoonists weep in their beer.

Um poema de Carl Sandburg
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Achei um teste que, a partir de perguntas, define com que poeta você se identifica. Na resposta do meu teste, saíram Robert Frost, T.S. Eliot, Alfred Lord Tennyson e Carl Sandburg, autor do belo poema acima. Faça seu teste clicando aqui. Não esqueça de escrever um pitaco com o resultado.



:: [Marcelo Gluz] » 11:39 -
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:: H O M E M - S U C O

Adaptando Cartola ao mundo hortifruti, o mundo é um liquidificador. Uma centrífuga, melhor dizendo, porque suco de liquidificador não é suco, é fruta com as moléculas quebradas em milhares de micro-partículas.

Tudo aconteceu na minha vida depois de ter lido o "Livro dos Sucos", presente de Joanna, a nutricionista de quem virei marido. Maços de espinafre, lotes de figos e porções de capim clorofilado passaram a exercer um significado cotidiano e especial e mesmo meus relacionamentos mudaram bruscamente. Está tudo lá, na bíblia fruto-leguminosa, tudo descrito detalhadamente. Abacaxi, maracujá e brócolis relaxam e pacificam primeiros encontros. Gengibre, morango, coentro e uva-rubi os tornam inesquecíveis. Confesso que não poderia me imaginar passando um dia sem suco. Um dia sem suco é um dia sem sangue nas veias, sem ar nos pulmões.

E pensar que antes de conhecer Joanna, passava os dias engravatado numa multinacional e as noites discutindo os comentários do Joelmir Betting no Jornal da Globo com minha ex-mulher. Lembro de ter feito a pós em finanças por causa dela, e de ter abarrotado as estantes com livros de economia. De Adam Smith a Roberto Campos. Hoje tudo isso virou suco e as estantes comportam vasinhos com manjericão, cominho e alecrim.

Meus amigos dizem que se minha próxima amante for halterofilista minha sala vai virar academia. Eles dizem que meus ideais não são nada consistentes. E eu que pensava que o apelido de homem-suco era por causa da alimentação.


:: [Marcelo Gluz] » 11:39 -
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29.7.02

:: F A K E

No Rio, a temporada de desfiles nem acabou e já tem gente com saudade. Afinal de contas, quando a morena de olhos engateados vai poder usar aquelas roupas cintilantes novamente ? Só se for passar o fim-de-semana em São Paulo... Esse universo todo é tão falso que até o adjetivo que o denota é 'fake'. Mesmo repetindo palavras inglesas com freqüência, tenho que assumir que o estrangeirismo é uma forma muito comum de falsidade.

Dois marombeiros com roupa camuflada batiam perna desgovernados, e sem perceber, faziam a galera da varanda se desfazer das drogas. Cachecóis salmão, boinas de lã e botas femurais faziam sucesso, mas seus usuários passavam perrengue e suavam no morno inverno carioca. Senti falta das máscaras, acessório fundamental em qualquer festa a fantasia. "I wanna get coolified, wanna be fashion, hype, extremely plock, gay, stoned, horny e up-to-time" dizia um esquizofrênico emulador de glamour, sem saber ao certo o significado de tais palavras. No fim do discurso subia na mesinha e rebolava mexendo as mãos como um náufrago pedindo ajuda, ao som de um jungle-trance-lounge-fucking-techno-cardio-funk.

Hickmann e Mallmann. Cicarelli e Piovani. Parece escalação de desafio Alemanha x Itália de duplas de tênis. Pra surpresa geral, nas passarelas não passam Silvas, nem Souza. Nem uma Almeidinha sequer... Durante os desfiles até que dá pra se distrair, o problema é o entre-desfiles. Parece um ator que entre uma cena e outra do filme sobre a vida do Napoleão, insistia em continuar falando com sotaque francês e mão no peito. Assistiu a entrega do Oscar de um manicômio em Baltimore.



:: [Marcelo Gluz] » 12:06 -
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:: N O S T A L G I A

Nunca mais ouvi dos Ions, da Ione, da Dona Ivone Lara e da Clara, bela namorada do horácio cujo romance me fez crer que vaca e cavalo podem ser mais que amigos.

Onde estão os micos, os Mário Tilicos, os Licos e todos os outros esudeiros do Zico em oitenta e um. Cadê Ataliba, os amigos eternos e os ternos que se prometem perenes, com seus super-hiper-ultra tecidos de fibras plurissintéticas.

Verdade, iogurte e amizade deveriam vir com data de validade na facha, como fazem os frascos de lança-perfume-cor-de-rosa e os tubos-de-lança-chamas-cor-de-sangue para uso infantil: Válido por quinze minutos prorrogáveis a cada nova porção individual. A prorrogação não é válida no caso dos lactovacilos vivos, ativos e operantes, viria escrito no canto em letras miúdas.

Onde andam as frutas dos tempos insaturados. Os jambos, jambús, jabotis. Os sapotis, que embora por fora sejam kiwis, por dentro são vento, conseqüência inexorável da perda de memória palativa.

Cadê a freira, o Gabeira, a Baby e o Moraes Moreira, a glória e o Tarcísio Meira. Galãs de bigodes, tangas e shorts, todos pisoteados pelas solas platafórmicas das modísticas fashion weeks semanais.

Nada contra o futuro, mas é que nostagia é a cor do meu sangue e a mudança é só um corte de cabelo.



:: [Marcelo Gluz] » 11:58 -
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26.7.02

:: C O M P R E E N S Ã O

Quando um jornalista escreve uma matéria, pressupõe que o leitor vai entender 100% do que foi escrito. Caso contrário ele é um mal jornalista.
Quando um designer projeta uma cafeteira, pressupõe que o usuário vai saber usá-la em todas as suas funções. Caso contrário é um mal designer.

Quando um poeta escreve um verso, um pintor pinta uma paisagem, ou um coreógrafo cria um espetáculo a coisa é diferente. O artista tenta passar um conceito, ou uma idéia, mas a compreensão de sua obra é algo muito mais subjetivo. A expressão se impõe à comunicação e as compreensões passam a ser múltiplas. Abdica-se do controle delas.

O fato é que esse blog se situa em cima do muro de papel que separa o primeiro caso do segundo. De vez em quando eu saio de cima do muro e opto (sem pensar) por ser claro ou por deixar a clareza de lado pra escrever semi-poemas ou poemas convictos. Depende do jeito que eu durmo. Quando eu sonho muito não sinto vontade de ser claro.

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* Me incluo num grupo de seis pessoas que estão fundando uma mutação genética entre zine (odeio essa palavra), revista e filipeta. Trata-se de um projeto que mistura poesia, guia cultural, design, arte, fotografia e muita opinião. A lista de colaboradores já beira uma centena e tem tudo pra sair coisa boa. O post abaixo é sobre a dolorosa escolha do nome do tal impresso.



:: [Marcelo Gluz] » 15:47 -
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:: B I S C O I T O

Que difícil isso de escolher nome pra alguém que ainda não nasceu. Tá certo que já grita de dentro da barriga, mas a voz sai abafada. Apelidar é fácil, quase automático, mas nomear assim, sem um referencial concreto, é tarefa complicada. Melhor apelar pros conceitos.

Tem que ser plural e ter personalidade. Flexível, porém sólido. Útil e lúdico. Transversal e paralelo. Tem que ser fácil sem ser idiota, minimamente descritivo, mas razoavelmente misterioso. Tem que ser contextual no nove e no dez. No baixo e no alto. Free-jazz e friquique. Tem que ser cromossomico por estar no gen da gema e ser a soma de todas as cores. Diastólico por expandir corações e telecinético por pretender mover coisas com a razão das entrelinhas. Perimétrico por estar em volta e egocêntrico por ser o centro. Nem que seja por quinze minutos.

Colé, brou! Ihhh ó o cara aí... Esse orelhão é trombone, hein? Fica esperto que origami é coisa de baitola. Aqui, o nome da parada é dobradura. Tem que ter suíngue, ter bibope e ser indiscutivelmente carioca. Tem que ter a quebrada do samba, com solavanco e contratempo. Poliédrico, multifacetado e dobradiço. Modular como um tabuleiro de jogo de encaixes mas consistente como um tabuleiro de angu de esquina. Realista como a massa no 434 lotado às seis horas da tarde. E mágico como a paisagem dos mesmos passageiros, à mesma hora, no mesmo ônibus. É só saber virar o pescoço.

Tem que ser comum no grito e ser ouvido sem receio. Tem que se comer no ato e no hiato do recreio. Pode até rimar com coito, aos dezoito e do primeiro. E se alguém achar um nome mais marcante e mais maneiro ganha um quadrado na hora e nem precisa de conselho.


:: [Marcelo Gluz] » 11:32 -
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23.7.02

:: M E M Ó R I A




Resgatei minhas fitas k-7 antigas. Grande parte delas. É impressionante como o tempo às vezes transforma o que é ruim em poesia. Talvez a gente devesse viver só de memória como os craques dos anos 50. Em sépia e branco tudo fica muito mais bonito. Existem relatos que as obscuras reentrâncias da memória deixam as cores todas sépia.

Resagatei meus posts antigos. Todos eles. É impressionante como o tempo tornou os assuntos menores, algumas vezes até ridículos. O trabalho de faculdade digno de nota dez se torna um projeto amador. A majestosa imagem de uma foto antiga vira uma estátua ordinária. A ex-namorada que era a menina mais bonita da sala se transforma numa menina sem sal. Logo ela que me fazia saltar do ônibus dois pontos antes.

Melhor seria fazer como Leônia, a personagem de Italo Calvino em 'Cidades Invisíveis', que todo dia jogava fora os vestígios do passado. Toda e qualquer memória teria que ser encontrada no lixo. Duas Leônias paralelas coexistiam: uma que se renova a cada dia e outra feita de sua própria memória, seu próprio lixo. Cada ação feita no passado é representada por um objeto jogado fora no dia seguinte. Talvez a gente devesse mesmo abrir espaço na cabeça pra que novas coisas entrem, como o Herbert Vianna sugeriu em 'Tendo a lua', dizendo que a casa fica bem melhor sem cartas e fotografias antigas. Não tenho muita certeza disso.

Minha única certeza é de como está contraditório esse post de hoje.


:: [Marcelo Gluz] » 19:06 -
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22.7.02

:: A P A R T A M E N T O

frente mar, lindo e requintado, salão, 2 banhs, vaga, infraestrutura completa, segurança, móveis opcionais, chaves porteiro, alugo local tranquilo, predio s/elevador, s/ garagem, serve atelier, pertinho faculdade, aceita contra-proposta, 1ª locação, closet, lavabo, gazebo, jd inverno, vista panorâmica, arms embuts, banh decorado, oportunidade única, camera de segurança, indevassável...

Existe uma ciência em anunciar um apartamento no jornal e outra em saber ler os anúncios. A primeira ensina que o interessante deve vir antes do relevante. A segunda que se deve ler o anúncio de trás pra frente. A primeira ensina que se o preço for caro não o ponha no anúncio. A segunda a dar prioridade aos anúncios com preço. As duas ciências incongruentes fazem com que os locatários e locadores façam muito mais esforço durante o processo.

Todo mundo anuncia no domingo, dia que as imobiliárias e administradoras estão em recesso. Deve ser pra deixar os interessados numa expectativa que cresce em progressão geométrica até segunda de manhã, quando eles ligam e descobrem que o apartamento é o dobro do que eles podem pagar. Por que não incluir preços nos anúncios? Por que não anunciar em dias com alguém pra atender o telefone? Por que não marcar horários de visita fora do horário comercial? Garanto que na Suécia é mais fácil.

Sim! Eu estou procurando apartamento e começo a me desesperar.


:: [Marcelo Gluz] » 14:05 -
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:: B E N J O R G E

Onde fica a Capadócia? Quem é essa Tia Léia? O que tem de especial nessa gravata florida? Cadê o Zé Pretinho?
Uma sessão de DVD e as perguntas começam a aflorar. Inútil e tolo tentar procurar respostas. Ouve, cala-a-boca e tenta imaginar um spyro gyra fluorescente sobrevoando seu quarto em penumbra, à procura de água-doce.


:: [Marcelo Gluz] » 14:05 -
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19.7.02

queda-livre:: Q U E D A    L I V R E

Eu acordo com sono e durmo sem, e no intervalo, cada segundo da linha do tempo é um metro negativo na linha do espaço.
Estou caindo e não vejo o chão.
A gravidade é meu relógio, e pela sua lei, os ponteiros aceleram a uma razão de 9,81 metros por segundo ao quadrado.
Meu corpo desgovernado se contorce, tentando desviar sua trajetória, mas o máximo que consegue é mudar o curso em alguns graus, sem nunca mudar a direção.
Minha roupa se deforma, assim como a pele do meu rosto, tentando acolher todo o vento ascendente.
Influo a cada dia menos nos meus caminhos.
Posso jurar que um dia serei uma gota.
Pra mim, viver bem é ser aerodinâmico.


:: [Marcelo Gluz] » 17:24 -
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18.7.02

:: H T M L
Body é o DNA da página. Seus gens se replicam a todas as áreas da página. Ele vem logo depois do head que às vezes é gordão, cheio de scripts que serão chamados a posteriore. Quando a página tem mais head do que body, já dá pra ver que ela tem mais enganação que conteúdo. Diferente de nós, humanos, a quem é mais importante ter cabeça do que corpo, ou pelo menos deveria ser. É isso: Esse mundo agatemielítico, cheio de letrinhas que parecem nada significar é o mundo bizarro do super-homem. Tudo aqui é pelo avesso e nossa cabeça também fica assim.

A href é igual a (dois pontos barra-barra) um agá-tê-tê-pê qualquer, target blank. table, te-dê, te-érre, bgcolor jogo da velha hexadecimal, colspan é irmão do rowspan, width é irmão do height e primo distante do cellspacing e do cellpadding, que parecem ser uma pessoa só, mas são duas pessoas bem parecidas entre si. Já os conheço a mais de cinco anos e não lembro da diferença entre eles.

Cada tabela dessas é um sistema de objetos (ver, mais uma vez, baudrillard) e também parte de um sistema maior. Tabelões e tabelinhas cada vez menores, umas dentro das outras, cada uma com suas linhas e colunas, tudo isso cheio de propriedades e letrinhas com hiperlinks pendurados e pendurantes.

Conheço gente que pensa o mundo em tabelas. Entra no ônibus e vê dois te-dês, direita e esquerda. Depois tem que sentar em algum tê-érre, cada um deles com duas tabelas internas: janela ou corredor. Falar com alguém de outro banco é um link âncora e com alguém de fora do ônibus é um link externo. Quando entra um garotinho fazendo malabarismo por dinheiro, deve ser fruto de algum javascript, ou então é flash. Tudo que a gente não consegue explicar, o tempo que muda de repente, a coincidência dupla de um encontro na rua que se repete, tudo isso só pode ser flash ou javascript. Linguagens alienígenas e misteriosas.

Aqui, no mundo do agá-tê-miéle é preto no branco. Ângulos retos e cores chapadas como nos quadros do construtivistas. Se isso fosse uma religião, nosso Deus seria Mondrian. O resto é coisa do imponderável.


:: [Marcelo Gluz] » 11:29 -
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17.7.02

:: Á L C O O L

lubrificante social

"O álcool é um lubrificante social"
[Pedro Garcia... A frase não é dele, mas ele me apresentou]




:: [Marcelo Gluz] » 19:59 -
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:: E N Q U A D R A M E N T O

A Bauhaus ensinava que ângulos retos eram necessários. Ainda são.
Entre quatro deles tudo faz mais sentido, tudo é mais compreensível e você fica mais bonita.
Meus olhos passam escaneando a superfície quadrilateral como a vassoura farejadora de poeira explora meu quarto quadrado.
Num quadro, as molduras são represas de cores, como se a soma delas não fosse tão forte quanto os limites da geometria. Os limites do cartesianismo.
Pura ilusão geométrica. As cores são livres mas gostam de tocar limiares. É como se aquelas, dos cantinhos, continuassem pra sempre.
Seu nariz na mediatriz perfeita da minha janela. Te olho acolhida pelas esquadrias, e tão só por ser humana, passas por um triz de ser perfeita.
Entre quatro traços retos não tens mistério. A imagem é um retrato de carteira, uma figurinha repetida, uma vinheta de novela no Vale-a-pena-ver-de-novo.
Conheço cada micro-retícula e sei que as quatro rascantes retas tangentes a tua face não te aprisionam. Somente te eternizam nesse enquadramento.


:: [Marcelo Gluz] » 19:30 -
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15.7.02

:: T O P 3 0

Para contrariar os que afirmam que a minha lista de '10 melhores filmes de todos os tempos' tem mais de 100 títulos, apresento a lista de '10 melhores filmes de todos os tempos' que fiz no IMDB

Ela tem apenas 30 títulos.

» Clique aqui para ver a lista completa.


:: [Marcelo Gluz] » 17:23 -
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:: G R A D E S
Chupado do Rapadura Eletrônica:


Só de olhar essa vinheta boba regredi uns 20 anos. Me revoltava com o motorista do ônibus da escola, quando demorava a chegar em casa e me privava da melhor hora do dia...

Quando começava a anoitecer a gente tinha que trocar o canal. Tirávamos da TVE, onde passava o Tio Maneco, pra Bandeirantes. Era a hora dos Batutinhas e do Gordo e o Magro. Antes disso ainda tinha as mãos mãgicas. Hoje, no mesmo horário, o SBT passa novelas mexicanas, a Band propõe lavação de roupa suja do mais baixo nível e a Globo sintetiza a juventude brasileira num bando de legumes semi-retardados que passam os dias na academia. O fim-de-tarde virou o fim-do-mundo.


:: [Marcelo Gluz] » 10:30 -
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14.7.02

:: O S M O S E    J O N E S - A nova animação da Warner é fantástica! Mainstream sem ser lugar-comum, educacional sem ser chata.




:: [Marcelo Gluz] » 18:56 -
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:: F R E E Z O N E

O cenário era um casarão de Santa Teresa com um conjunto música-decoração-freqüência irresistível. Um desses lugares quase-mágicos, que agrada a gregos e troianos. Chama-se Baixo Santa Alto Glória.

Falava-se do Rio como opção de cidade pra se passar o resto da vida, sempre o comparando com outras cidades do mundo. Falava comigo mesmo, de como a comparação com outras cidades era algo natural, e de como a comparação desse mundo com outros mundos é algo surreal (ver o livro novo do Jean Baudrillard). Em suma: O ser humano não estava em questão. Somente as sociedades.

[advogada] - Tenho medo de blitz da PM, com aqueles caras com cara de bandido com o dedo no gatilho de metralhadoras desproporcionais aos playboys sem carteira que param na blitz.
[tradutor] - É, mas no Brasil não existe ódio. Em Fort Launderdale as barricadas nos guetos eram muito mais agressivas.
[nutricionista] - Eu tenho medo de moarar aqui. A minha empregada pediu pra chegar mais tarde pra não ter que passar na área do tiroteio quando ainda está escuro.
[tradutor] - Em Israel o clima é mais tenso, mas sabe-se que a autoridade está bem entregue.
[engenheiro] - É tudo culpa desses políticos ladrões. Queria saber como é que a gente pune os políticos que fazem merda.
[eu] - É tudo culpa sua e minha. De uma forma ou de outra os políticos são representantes dessa sociedade. Quem não está satisfeito com eles tem o dever de escolher melhor ou então se candidatar a algum cargo. Se nêgo tá roubando a culpa é sua e minha. Se fosse na França, os ricos e os fudidos, mas principalmente os fudidos, iam pra rua exigir a cabeça de alguém."
[engenheiro] - Não acredito na política formal, por isso só voto no Macaco Tião. Só as ONGs podem fazer alguma coisa.

O papo girava em torno da guerra civil do Rio de Janeiro atual, quando alguém resolveu virar o jogo em favor da cidade maravilhosa:

"Ahhh gente... Mas em que lugar do mundo que a gente sente toda essa efervescência artística do Rio. A gente tá num lugar lindo, num bairro que parece nos fazer voltar no tempo, entre pessoas de classes diferentes... Vamos falar de coisas boas".

Não aguentei e olhei pro logotipo do evento. Era vermelho e azul, com a palavra FreeZone em branco em alguma tipografia da Emigré, ou algo semelhante. Ótimo projeto gráfico e um linda slogan que falava de pessoas com alguma coisa em comum... Ôpa! Me lembrei que estávamos num evento de uma famosa marca de cigarro que procurava mais viciados pra aumentar os lucros. Tinha até um guichê de cadastramento de novos escravos. "É melhor a gente subir pra dançar. Afinal de contas estamos no Rio e no Rio ninguém se importa em alimentar coisas com as quais não concordamos. Boicotar um evento por convicção seria uma atitude política, e vocês sabem que aqui no Rio a gente é feliz e não gosta de política..."

Subi as escadas do casarão pensando no "homem-cordial" do Sérgio Buarque de Holanda. Somos tão cordiais que chega a me dar nos nervos.




:: [Marcelo Gluz] » 18:51 -
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11.7.02

:: I D E O L O G I A

Participo como ouvinte de um foro de discussão sobre situação/futuro político do Brasil. Quem me conhece sabe que participar de debate como ouvinte é coisa rara pra mim. Segundo meu amigo Braz, 'quando falta interlocutor discordo de mim mesmo'. Mas dessa vez eu só leio o debate e, embora o ache importante e divertido, duvido muito da capacidade de mobilização de qualquer comunidade brasileira. A gente só se mobiliza pra decretar feriado de comemoração futebolística. O negócio dos cara-pintadas é a mais incrédula fábula da Tia Carochinha.

Gostaria de me mobilizar por alguma causa, qualquer que seja... Acho que a minha geração é carente de causas. Na verdade nunca soube que que é isso de geração (o conceito 'geração = pessoas de idades parecidas' é furado), mas todas as gerações surgidas nos últimos 30 anos se alimentam do vazio televisivo, do vazio educacional e do vazio político do mundo que encontraram. E como diria nosso poetinha quem semea vento colhe sempre tempestade.

Outro dia fiquei meio triste vendo o Gil cantando 'Kaya na gandaia' como se fosse o hino da juventude atual. Nada contra o Marley, contra o rastafarismo, nem contra o laissez faire, laissez passer promovido pela fumaça de cannabis. O problema maior é que na falta de consistência ideológica as bandeiras alçadas ao ar são das mais diversas e incompreensíveis cores. Outro dia vi um cara no horário gratuito cuja plataforma eleitoral é a liberação das praças públicas para a oração coletiva dos evangélicos. As grandes questões do país não são mais nobres como a liberdade de expressão, as eleições diretas ou a consciência ecológica. São rasteiras e ridículas como calotar ou não calotar o FMI. Ideologia! Eu quero uma pra viver.


:: [Marcelo Gluz] » 17:58 -
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10.7.02

:: E T I Q U E T A S

Não gosto de comprar roupa, odeio ir a shopping e não uso nada com o logo de alguma empresa pendurado no meu corpo. Já cheguei a 'desbordar' um cavalinho asqueiroso de uma camisa Pólo que ganhei da minha tia. Numa melancólica exceção, fui ao BarraShopping na hora do almoço comprar uma calça jeans.

'Vai na M.Officer que tem uma de jeans lavado linda' me receitou com ar de farmacêutica, uma amiga que encontrei na praça de alimentação. A calça era legal, confortável e acabei comprando.

Ontem, mais ou menos um mês depois dessa tarde fatídica, a calça rasgou. Não. A frase não teve o apelo dramático desejado. Ontem, a calça praticamente se dividiu em duas. Escancarou-se um orifício enorme desde a costura do bolso de trás até o fim do músculo posterior da coxa, me deixando com frio e cara de Mané. Rasgou sem mais nem menos.

O pior foi ouvir da gerente da loja que a calça tinha que ir pra análise em São Paulo. Análise de quê? Tenho medo que a calça se desintegre no meio da viagem. Só vai sobrar a etiqueta da loja, intacta e reluzente.


:: [Marcelo Gluz] » 11:16 -
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:: F L A

A Brahma tirou suas seis letras gigantes da arquibancada da Gávea. Não sei quando foi... confesso ter me dado férias do Flamengo. Passo em frente ao clube todos os dias, mas prefiro virar o pescoço pra direita e ver os cavalinhos do Jóquei Clube.

A ausência das letras da Brahma me fez lembrar dos tempos em que eu ia assistir aos treinos com o meu pai, pra ver Zico, Andrade, Adílio, Leandro e Júnior brincando com a bola. Outros tempos esses, quando o patrocinador era só um detalhe, os jogadores tinham a pele da cor do clube e o Flamengo ainda dava medo em alguém.

Agora (logo agora que parece que os garotos tão se acertando) ainda falam em trazer o Romário de volta. Deviam trazer de volta esse espírito.




:: [Marcelo Gluz] » 10:57 -
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Eu sei que é antigo, mas como ainda tento recuperar o arquivo do BloGluz vou despejando homeopaticamente algumas das coisas antigas...

:: E S T Á T U A

Esperá-las, as pétalas
Com as palmas espalmadas
Sob um buquê estático e cansado

Aguardá-las, as gôndolas
Com as pernas quase internas
às águas frígidas e lisas

Travá-los, os cavalos do tempo
Retardá-los em seus trotes
Pra quem sabe, iludirmo-nos
de que tudo agora
é cópia do que tem sido
Nas últimas muitas horas

De gelo o mar, de pedra um par
Se beija até se contemplar
No eterno

Estátua ser, se tanto arder
Parado estar, se o céu ficar
Parado.





:: [Marcelo Gluz] » 10:48 -
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8.7.02

:: V O L T A

Ainda não expliquei por que o BloGluz sumiu do ar desde dezembro de 2001. Acho inclusive estranho me referir ao ano de 2001 como algo do passado. Nem Stanley Kubrick estaria preparado pra isso.

O sumiço foi uma mistura da preguiça com a ocupação mental do vazio. Ou seja: preguiça. O que importa é que ele voltou em sua nova versão camaleonica, agora com o emblemático nome de Zarabatana. O endereço é www.zaraba.blogspot.com por que alguém menos preguiçoso que eu pegou o zarabatana.blogspot.com antes. O motivo do nome é longo demais pra esse postzinho de fim-do-dia. Deixo pra explicar depois.

Pois é... 2001 é realmente coisa do passado, assim como 1968, 1983 e mais que a metade de 2002. De lá pra cá aprendi a não me decepcionar mais com o Flamengo, visitei corpos humanos embalsamados numa exposição bizarra em Londres, presenciei a corpos humanos (pelo menos os seios) sendo expostos ao relento em troca de um colar de continhas plásticas em New Orleans, fui vítima de um larápio búlgaro em Praga e descobri um jeito de viver me alimentando essencialmente de iogurte com granola. Sem falar do Penta.

Ou seja: Não fiz nada tão marcante como dar um golpe de estado, escutar um ornitorrinco falante ou encontrar o Cauby Peixoto sem peruca.




:: [Marcelo Gluz] » 20:21 -
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:: V Í R U S

Trabalho desenhando websites. Quando um deles não dá certo, todos se esforçam pra identificar as falhas. Arquitetos da informação, designers, jornalistas e implementadores tecnológicos batem cabeça pra mesclar suas expertises numa só caixa-preta. E depois tentam derreter a caixa-preta e separar as matérias-primas. O isolamento de cada elemento raramente dá certo.

As pessoas também são caixas-pretas.

Algumas pessoas são vazias de conteúdo. Sem conteúdo novo em folha ninguém é interessante. As pessoas precisam que ter o que contar, mesmo que as histórias não sejam sempre interessantes.
Algumas pessoas têm conteúdo, mas não sabem contar as estórias. Outras até sabem contar, mas não conseguem chamar a atenção dos interlocutores.

Algumas pessoas não falam nada. Fica difícil saber se não têm conteúdo, se não sabem comunicá-lo ou se têm vergonha dele. Parecem ter nascido homens por engano. Uma molécula de DNA a menos e seriam um vegetal ou um vírus.


:: [Marcelo Gluz] » 19:57 -
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:: A S   C O I S A S

Ocupo espaços com coisas

Arranjo átomos e moléculas
Transformo matéria em objeto
tempo em ação
e celulose em arte
Transformo caixas de sapato em máquinas fotográficas
tubos de pasta de dente em goleiros de botão
palitos de churrasco em estruturas de avião
Transformo bisnagas de durepóxi em ídolos sacro-santos

Reciclo sacos
Fabrico brincos
Constrúo trilhos
Encravo prédios em lacunas planas

Formo cadeias de carbono por onde passo pra você dormir e comer sobre elas

Imito Ford pra você andar
Viro Newton pra você me ver
Sou Corbusier pra você morar
Repito Gates pra você saber

Me reconstruo a cada dia
e então me torno novo pra você
Renovo meus próprios olhos
e então te tenho sempre diferente

Envolvo o mundo de papel
e ponho um laço amarelo
Pra te dar de presente

Mas ainda não sei falar contigo.


:: [Marcelo Gluz] » 16:24 -
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:: S A L V E    J O R G E

A Banda do Zé pretinho chegou e não parou de tocar até que cada clássico Benjoriano fosse tocado. Não teve copo d'água, troca de roupa, cenário, nem descanso. O trio elétrico de jorge estava parado na praia de Ipanema, mas na areia ninguém parava.

Tá certo que não é a melhor batida, essa mais reta, meio Olodum meio funk. Queremos o Jorge do Samba-jazz, da batida quebrada sem pressa e sem a obrigação de fazer todo mundo pular. Mas não sejamos tão exigentes assim. Ele estava lá, todo de branco, ensinando que Spyro Gyro é um bichinho bonito, verdinho, que dá na água. Quanto ao batuque quebrado do Benjor de outros tempos, é só esperar o show do "Acústico MTV" estreiar e vestir sua melhor gravata florida.


:: [Marcelo Gluz] » 12:27 -
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5.7.02

Hoje o Blogger tá uma merda. Ontem também tava. De anteontem não lembro, mas tomando por base dezembro do ano passado o Blogger já não é mais o mesmo!


:: [Marcelo Gluz] » 15:39 -
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:: T I J U C A

Márcio Tristão, Repórter em ação, me informa do aniversário de 243 anos da Tijuca, incomparável bairro do Rio de Janeiro, berço do Salgueiro, do Jorge Ben, do Tom Jobim, da Bossa Nova, da Jovem Guarda e desse que vos escreve.

Ninguém fala Ipanemenho, Copacabanense, nem Lebloneiro. Mas Tijucano é um termo que pode ser dito com orgulho ou sarcasmo, significando céu ou inferno. Pra quem não mora no Rio não é fácil entender que a Tijuca é uma cidade dentro da cidade, tão poderosa que faz com que todos os moradores dos bairros vizinhos (Andaraí, Grajaú, Vila Isabel, Maracanã) se proclamem também tijucanos. Uma cidade sem praia nem lagoa, que faz da Praça Sães Penha seu referencial e que não aceita ser subúrbio, nem extensão da zona sul.

Bom... A Tijuca também é decadente e perigosa como o resto do Rio. Na verdade tem estado muito mais decadente e perigosa do que o resto do Rio, mas prefiro lembrar do bairro com os dez cinemas de rua que eu ia a pé na minha infância. Onde se jogava bola na rua, se fazia piquenique e todo mundo se conhecia. Hoje não tem mais cinema nem piquenique e as pessoas temem umas as outras. O cinema virou Igreja Evangélica ou Casas Bahia, o piquenique é no playground e eu tenho a mais serena certeza de que eu saí de lá a tempo de ter boas lembranças.


Praça Sães Penha em 1910




:: [Marcelo Gluz] » 15:20 -
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4.7.02

:: D I Á R I O   de um   L E G U M E


No canto da sala um vegetal observa os falantes pelo reflexo no vidro. As plantas leguminosas, como essa, fazem parte de uma grande família cujas principais características são a presença de frutos em forma de vagem (que em botânica é denominado legume) e a necessidade de uma relação simbiótica com bactérias de corpo curto e robusto. O tronco longilíneo e estreito e as folhas discretas e encrespadas do vegetal acolhem as pequenas bactérias durante o inverno e não demostram afeição biológica a nenhum outro ser vivo. As bactérias endofíticas são hermafroditas e se reproduzem uma vez por ano, atraíndo os parceiros com um tipo de 'pose sensual' que pode ser facilmente observada através de um microscópio T-17.


A planta observava a tudo e um dia falou. Sim! A planta falou. Pra suspresa dos falantes da sala, das bactérias simbióticas e da própria calada leguminosa. Ela cometia erros de português e tinha a voz fininha. Depois desse dia a planta se calou pra sempre no seu canto frio e úmido. Somente suas bactérias atarracadas podiam ouvir seus murmúrios tristonhos, mas seu diário continua disponível pra todos aqueles que se interessam por por leguminosas em silêncio no Diário de um vegetal. Em breve, aqui no Zarabatana.







:: [Marcelo Gluz] » 19:29 -
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:: C A R A M U J O

O presidiário e o poster da Luma que comprou na banca de revistas. Ele leva o poster de penitenciária em penitenciária. Da cela normal pra solitária. Só não leva pro pátio por ciúme da Luma.

A menina de cachinhos e o ursinho verde que ganhou da tia. Na primeira noite que dormiu fora de casa ela levou o ursinho e chorou com saudade da mãe. Hoje a menina tem 24 anos e quando vai a trabalho pra Buenos Aires leva o ursinho na bagagem de mão.

O ex-craque e a chuteira com travas de ferro da despedida em Ribeirão Preto. Quando se mudou pra Campinas, pra abrir um bingo em sociedade com um ex-jogador do Guarani, ele levou as chuteiras nas costas, como fazia depois dos treinos do Botafogo. "Joga essa sucata no lixo" e "Isso pesa mais que a minha mala inteira", clamava sua mulher, mas ela não sabia que as chuteiras significavam casa pro marido do mesmo jeito que o pano de prato bordado pela mãe significava pra ela.

No computador ao lado do meu, Marcinha espalhou bandeiras de São João, Miniaturas de bumba-meu-boi, bonecos de palha e um Santo Expedito, na tentativa saudosa de trazer um pouco de sua longínqua Recife pra cá. Alem de símio, felino e ave, grande parte dos homens também têm um pouco de caramujo.



:: [Marcelo Gluz] » 18:16 -
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:: C Ã E S    F A M I N T O S

Pedro não aguenta um pacote inteiro de waffer. Ele sabe disso.

Todo dia, às 16:45 ele sobe as escadas, caminha até a máquina com os punhos cerrados, escondendo o valor exato em moedinhas necessário pra voltar com seu pacote debaixo do braço. Introduz as moedinhas e recolhe, sorridente, o prismático e desejado quitute cruelmente industrializado. Na volta, os outros se aproximam de Pedro pra faturar algum biscoito farelento, mas o proprietário alega que prefere levar os biscoitos pra casa.

Todos sabem que ele vai abrir o pacote dentro de alguns instantes, e ele mesmo tem certeza que não vai conseguir escapar ileso dos abutres, mas esse momento da negação dos waffers se repete todos os dias, como se fosse uma tradição religiosa. Ainda há a tradição do Pedro reclamar do roubo do último biscoito, mesmo estando satisfeito e enjoado daquele mini-sanduíche de uma pasta cor-de-rosa feita de produtos químicos, farinha e gordura hidrogenada.

Sábado a tarde, na Central do Brasil, uma matilha de cães sarnentos repetia o mesmo ritual. O Pedro era o cão com as patas brancas e o corpo pardo. O waffer era um gato magro, atropelado pelos trilhos apressados do trem de Marechal Hermes. Quem imita quem?





:: [Marcelo Gluz] » 17:37 -
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:: P L O F T

Você está interessado na história de um cocô, chamado Ploft, que vive em um intestino que sofre de prisão de ventre? Não, né?

Mas o Bernardo Prata, meu amigo, autor e desenhista do filme, garante que você iria se comover com as aventuras desse infeliz ser, cujo sonho maior é conhecer o mundo lá fora! A animação da produtora Aqueles caras, concorre na mostra competitiva da Anima Mundi. Os amigos da escatologia e/ou da arte da animação podem conferir nos locais e horários abaixo.

Cinema/ CCBB
terça - 16/07 às 16:30
quinta - 18/07 às 15:00

TEATRO 2/ CCBB
quarta - 17/07 às 15:30
sábado - 20/07 às 17:00

CENTRO CULTURAL DA JUSTIÇA FEDERAL
sexta - 12/07 às 16:00
domingo - 14/07 às 16:00
sexta - 19/07 às 16:00





:: [Marcelo Gluz] » 17:16 -
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3.7.02

:: T R O F É U    P I E R L U I G I    C O L L I N A de futebol de mesa

Newton, como você não publicou minhas respostas às polêmicas geradas pelo torneio do qual você foi vencedor com justiça (porém sem charme nenhum), decidi publicar eu mesmo.

Pra quem não está entendendo nada eu explico:
O anfitrião do torneio, demostrando total desconhecimento da regra carioca do futebol de mesa (a dos 3 toques), alegou que o dadinho não precisa ultrapassar totalmente a linha da meta adversária pra que seja gol. Depois da discussão toda, ele ainda fez um gol ilegal. Tabelando com o jogador no fundo do meu gol.

Pra quem ainda não entendeu, clique aqui e veja o vídeo do gol ilegal.














:: [Marcelo Gluz] » 15:11 -
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2.7.02

Recem-chegado do Planeta Zinxter, Pierluigi Collina é o primeiro alien a apitar uma final de copa. Marca importante.





:: [Marcelo Gluz] » 18:40 -
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:: P L A C A S    em    A N E X O

Este é meu mais desconfortável e perplexo post.

Ainda me sinto aprisionado nesse lay-out novo, como nos primeiros momentos dividindo uma casa com pessoas. Estou clasutrofóbico, exilado nessa caixinha de texto, como me senti no People Lounge na semana passada. Também, quem mandou ir ao People? A música era impessoal, antiséptica, o visual idem e não tinha lugar pra sentar. Na verdade tinha muito lugar, mas todos vinham com uma placa de "reservado" em anexo. As pessoas poderiam vir com uma placa "retardado" em anexo e eu poderia estar com uma placa "otário" em anexo, por estar bebendo cerveja de cinco reais num lugar desinteressante.

Ainda tô inventando um modo pra escrever aqui... Talvez me caia bem personificar o cara que prefere falar das experiências odiosas em vez das agradáveis. É isso... Meu personagem vai ser intolerante, crítico e ácido. E vai vir com uma placa "mal-humorado" em anexo.


:: [Marcelo Gluz] » 18:28 -
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:: A O V I V O

Dizem que quem sabe faz ao vivo, mas afirmo que quem não sabe também faz.

Ou pelo menos engana muita gente. Não tô falando do show do Cabruêra da semana passada que estorou os miolos de quem gostou do cd e nem das mesas redondas que a perfeccionista cismou de promover durante a copa. Falo de mim mesmo.

Na quinta-feira vai ter um evento com a Cris Braun, o Rodrigo Shá e mais uma galera. Até aí tudo bem... O diferente é que vão botar uma tela no palco e eu vou pintar ao vivo. Já fiz isso outras vezes mas sempre fico com a nítida impressão de que se eu tivesse em casa, com régua, silêncio e tempo, o resultado seria bem melhor. Que o espírito de algum impressionista baixe em mim!




:: [Marcelo Gluz] » 15:26 -
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1.7.02

:: S E L E Ç Ã O   do    M U N D O (segundo a equipe poliesportiva do Zarabatana)

1 - Kahn (ALE)
2 - Cafu (BRA)
3 - Hierro (ESP)
4 - Campbell (ING)
5 - Gilberto Silva (BRA)
6 - Yoo (COR)
7 - Dioup (SEN)
8 - Ballack (ALE)
9 - Ronaldo (BRA)
10 - Rivaldo (BRA)
11 - Sas (TUR)

12 - Marcos (BRA)
13 - Ozalan (TUR)
14 - Arce (PAR)
15 - Kleberson (BRA)
16 - Ronaldinho Gaúcho (BRA)
17 - Keane (IRL)
18 - Raul (ESP)


:: [Marcelo Gluz] » 19:17 -
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:: S O Z I N H A

Uma mulher sozinha, derramada na cama vazia. Ela deixa a luz invadir seu corpo e olha pro teto sem ver nada. Ela lembra de coisas que não fez com profunda nostalgia e tem saudade de quem não existe. A mulher sente sua mão como se fora a de alguém que habita em lugar nenhum senão em seu imaginário. Henry de Tolouse-Lautrec me deu o melhor momento desse dia. Clique aqui e ganhe esse momento também.


:: [Marcelo Gluz] » 19:17 -
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:: F A L A

Tem gente que se cala enquanto os outros falam. Sua voz franzina ecoa por becos distantes e só volta pra casa mais forte. O silêncio não é sinal de timidez, mas sim de cautela.
Tem gente que fala pra preencher os vácuos sonoros. Na verdade, são os mesmos que criam vácuos de significado.
Tem gente que se vicia em suas próprias frases as quais repete mecânicamente. Não apanhei quando falei da primeira vez, portanto não apanharei agora. Paranóia.
Tem gente que fala alto e muito. Por cima da voz dos outros e sem fazer vírgula. É como uma loja da Rua da Alfândega que vende barato pra vender muito, ou vende muito pra vender barato.
Tem gente que pronuncia palavras cuidadosas como se fossem elas mãos de cegos caminhando no escuro, ou pés de gatos sobre a escrivaninha lotada. Talvez é a palavra predileta.


:: [Marcelo Gluz] » 16:45 -
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