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26.6.03

V O L T E I !

acessem http://www.gluz.com.br

Vejo vocês por la.


:: [Marcelo Gluz] » 17:13 -
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11.11.02

:: C A T E T Ê

Eram cinco os dedos da mão do Wellington quando ele entrou naquela fábrica pra dobrar chapas de ferro. Saiu de lá com quatro dedos e um tique nervoso e começou a alugar guarda-sol e vender maconha na praia de Copacabana. Primeiro ficou conhecido como quatro-dedos-treme-treme, mas os aviões achavam o nome muito difícil e passaram a chamá-lo de 4tt, ou Catetê.

Em dois anos Catetê dominou o tráfico do asfalto de Copacabana. No Chapéu-Mangueira, no da Viúva e no Pavãozinho seu nome era sinônimo de bons negócios. Qualquer coisa vendia na mão do Catetê, e nunca pintava sujeira. Ele molhava a mão dos policiais da Atlântica, dos conciérges dos hotéis da orla, dos Maitres do AlCazar e dos porteiros da Help. Rico e com o dedo implantado, Catetê montou por um esquema onde ninguém sujava a mão. A droga vinha empacotada dos morros da zona sul e o esquema de logística montado permitia que os usuários recebessem as drogas em casa num tempo recorde.

Quem conhecia a estrutura jurava que Catetê era digno de capa da Veja. Foi quando Catetê decidiu que queria ser chamado por seu nome de batismo, Wellington. Se mudou para Campos do Jordão, fez terapia pra acabar com os tiques nervosos, implantou uma moderníssima prótese no lugar do dedo, decidiu aprender a falar línguas e abriu um hotel, que em dois anos, virou a maior rede nacional de hotelaria, que acabou comprando a maioria das ações do Copacabana Palace. Sua missão era fazer o hotel voltar a ter o glamour que um dia tivera.

Wellington fez uma renovação de funcionários, redecorou o hall principal e setenta porcento das suítes e molhou a mão de cada PM da região pra acabar com o tráfico e a prostituição das imediações do Copacabana.

Um PM reconheceu seu rosto e o chamou de quatro-dedos-treme-treme. Era o mesmo policial que havia recebido dinheiro dele pra deixar o tráfico rolar, há alguns anos atrás. Pagou e voltou pro seu escritório com a certeza de que era melhor ter ficado na fábrica, dobrando chapas.



:: [Marcelo Gluz] » 14:30 -
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:: B O O K M A R K

Tô meio sem assunto ultimamente. Demorei pra confessar, mas agora tomei coragem.

Como não quero violar a natureza zarabatânica desse site, resolvi abrir parte do meu bookmark. Se estiver de bobeira, ou sem saco de resolver as 324 pendências do dia, dá uma navegada pelos links abaixo:

FLASH MASTER ::Nesse site você desenha retratos falados online. Impressionante.

SOUTH PARK :: Nesse aqui você cria personagens do South Park.

MOMA :: Aqui você aprende o passo-a-passo de cada técnica de gravura e pode ver exemplos de cada técnica. Muito bem feito.

KARTELL :: Esse aqui é um grupo de design mobiliário italiano. Os caras são os papas do assunto.

DERUSH ::Aqui tem umas camisetas com estampas interessantes. Algumas delas, até dá pra usar sem ser confundido com um ploc.

FIRST BORN ::Essa é uma empresa de design interativo de Chicago. O site tem uma das navegações mais interessantes que eu já vi.



:: [Marcelo Gluz] » 14:22 -
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1.11.02

:: C O N V E R S A   F O R A

- É verdade que se alguém puser um cigarro na boca de um sapo, ele explode?

- Não sei... Mas quem vai ter coragem de enfiar um cigarro na boca do bicho? Dizem que se ele mijar na cara da pessoa ela fica cega. Será que é verdade?

- Deve ser. Eu que não chego perto. Meu primo falou que um amigo do porteiro dele jogou sal num sapo e ele ficou paralisado!

- Como assim? Igual no desenho do pica-pau que o quando o jacaré põe sal no rabo dele ele fica parado? Não pode ser... Acho que você tá confundindo com aquela história bíblica que o Lot, quando saída de Sodoma, olhou pra trás e virou uma estátua de sal.

- Não foi o lot, seu burro. Foi a mulher dele. E isso aconteceu quando ele olhou pra Gomorra. Eu sou igual São Judas Tadeu. Só acredito no que vejo.

- São Judas Tadeu é o santo das causas impossíveis. Você tá falando de São Tomé.

- Mas São Tomé não é o santo que viu um Alien? Por isso que aquela cidade que fica em cima de uma gruta, onde pousam os Aliens, se chama São Tomé das Letras.

- São Tomé das Letras é em volta de uma gruta! Não em cima.

- Ãããhhnnn... É mesmo? Mas voltando ao que interessa: será que se puser um cigarro na boca de um sapo ele explode?


:: [Marcelo Gluz] » 15:54 -
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:: S P I E L B E R G

Ele fez Tubarão, 1941, Os Caçadores da Arca Perdida, Encontros Imediatos, e aí fez E.T. Depois ele fez Poltergeist, os dois Indiana Jones, A Cor Púrpura, Jurassic Park e aí fez a Lista De Schindler. Agora ele fez Amistad, O Resgate do Soldado Ryan, A.I., Minority Report e... Deve estar vindo mais uma obra-prima por aí.

Entre desvios de percurso (Jurassic Park e A.I.), ótimos filmes (Encontros Imediatos, A Cor Púrpura e o Resgate do Soldado Ryan) e obras primas (E.T. e A Lista de Schindler), o diretor que melhor representa o cinema americano vai engrisalhando e amadurecendo aos poucos. Sua cronologia filmográfica indica que deve estar por vir alguma coisa extraordinária.


:: [Marcelo Gluz] » 15:54 -
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:: A R R O Z

Enquanto nos alto-falantes a feminina voz masculina enumerava as novas medidas, no pátio descampado os ensurdecedor burburinho era um risoto interrogações. Os plantadores de arroz queriam saber dos adubos ultra-modernos, sistemas de irrigação cibernética e novas espécies transgênicas, não daquele blá-blá-blá motivacional e daquelas palavras de ordem. O conhecimento verdadeiro ficava na mão de poucos, os mesmos que escreviam os discursos inúteis.

Àquela comunidade, restava plantar, colher, comer e defecar arroz. Era assim então e seria assim pra sempre.


:: [Marcelo Gluz] » 15:54 -
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:: C H A V E

Há momentos na vida em que você tem que parar e rever suas verdades. Não tô dizendo que esse é um desses momentos, mas o fato de estar pensando nisso agora prova que não considero dignas de pensamento as coisas importantes que andam me rondando. Prova que esse corredor, que finda em portas trancadas, é um desafio maior do que eu pensava. Não tenho que escolher uma das portas, mas reaprender a abrí-las. Esqueci o que é chave.



:: [Marcelo Gluz] » 15:53 -
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30.10.02

:: A   T R O C A

Agora que as gêmeas cresceram, pouco saem juntas. Uma gosta de samba e freqüenta a Lapa. A outra malha o dia inteiro e conhece cada boite da Barra.

Na Lapa, a primeira passeia de sandálias baixinhas e sem maquiagem. Se permite ser gordinha e não tem que disfarçar a barriga proeminente. De vez em quando encontra amigos com quem fala sobre a vida na faculdade de filosofia e a filosofia na faculdade da vida.

Nas boites, a segunda tem o cenário ideal pra exibir suas roupas caras e seu corpo moldado com muito esforço. Lá ela pode sentir um gostinho do mundo em que gostaria de viver. Limpo e glamoroso. Por causa do som alto, não conversa muito com os conhecidos. Prefere as frases curtas e as onomatopéias (Uhhuuuu! A noite tá bombando).

Nas manhãs seguintes, as duas tomam o café-da-manhã juntas. A primeira come sucrilhos, queijo-quente e toma vitamina de abacate. A segunda come um nutri e toma um pouco de mate diet. As duas estão de ressaca e reclamam dos homens. A primeira diz que o Hugo é um filhinho-de-papai-fútil que tem mais gel do que cérebro na cabeça. A segunda diz que o Vinícius é um pé-rapado-irresponsável-preguiçoso que vive tendo idéias, mas nunca concluí uma frase.

Um dia os dois casais foram a uma pizzaria em Botafogo. A primeira amou o Vinícius e a segunda adorou o Hugo. Os namorados das irmãs eram os homens tão sonhados por elas. Foram ao banheiro e decidiram trocar de namorado. Nunca mais iriam reclamar dos homens no café-da-manhã... se o sentimento deles fosse recíproco. Hugo gostava de patricinhas-gostosas-vazias e o Vinícius gostava de ripongas-metidas-a-intelectuais. A troca nunca iria funcionar.

Sei que a histórinha caricaturiza os estereótipos socias de forma irreal, mas nem a moral é que o meio escolhe as pessoas mais do que elas escolhem o meio. A maioria delas acaba cedendo às escolhas e se transforma no que o meio espera dela. Como um ser herbívoro que depois de anos e anos vivendo na caatinga, acaba gostando de carniça.


:: [Marcelo Gluz] » 12:04 -
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28.10.02

:: F E S T A

22:15 O caminho pra festa é fácil até pro André Braz. Quem reclamou do mapa tem que pedir desculpas.
22:30 270 cartelas foram numeradas. Achei que era demais, mas pedi pra numerar mais cinqüenta.
23:00 Pedroza sugere tirar a lona azul. Alguém argumenta que a lona isola o som. Alguém que nunca estudou física.
23:30 As bochechas rosadas do Dj me lembram as de um viking. Ele dança sozinho e sua barriga quica como gelatina semi-pronta.
23:45 A caipirinha tá excelente. O barmen, ainda sóbrio, achou a medida certa de maracujá e açúcar.
00:15 Os presentes chegam aos poucos. Encosto na árvore do canto. Papai Noel existe.
00:45 Na porta do banheiro alguém corrige uma letra na placa com uma caneta grossa. De onde tiraram a caneta?
01:00 Álcool e Gravidade: pessoas acima da escada não descem. Pessoas abaixo não sobem. Alguns espertos sentam na escada.
01:30 Festa abarrotada. A galera do morro quer entrar. Eu veto, explico que tá muito cheio.
01:45 O manguaça da rua manda avisar pra menina-de-pé-quebrado que se precisar de colo ele tá disponível.
01:46 O manguaça adjacente grita o nome do Lula.
02:00 Já foram as 270 cartelas e mais umas vinte sem número. E chega cada vez mais gente. Os menos festivos reclamam da lotação.
02:15 A caipirinha tá mais ou menos. Só tem de limão com cachaça. Pra mim tá bom.
02:30 O Nado rodopia e quem não conhece acha que ele é cor-de-rosa.
02:45 A galera do morro entra na marra. Chamo o lider pra conversar. 'Não vou arrumar merda não, meu primo'.
03:00 Ponho o cabelo do Tristão pra frente. 'Assim é melhor'. A mulher dele discorda.
03:30 A caipirinha tá um lixo. Pouco gelo e pouca fruta. Pelo menos ainda tem cachaça.
04:00 Sorrisos na pista um pouco mais vazia. Nem a secura de cerveja fez a galera parar.
04:30 Entraram mais de trezentas pessoas. O maluco da porta sumiu com mais de 150 cartelas. Farejo prejuízo.
05:05 O cozinheiro reclama que só vendeu quatro pizzas a noite toda. Perguntei se tinha de cerveja.
05:45 Mando o Dj parar. Ele parece estar gostando de resmungar. Maldito viking resmungão!
06:15 O sol raiou e empilho os presentes no carro. Espremedores, raladores e louças disputavam lugar com as tralhas do DJ.
06:30 O caminho de volta é tranquilo. Também, quem dirigiu foi o piloto automático.


:: [Marcelo Gluz] » 18:12 -
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25.10.02

:: S E X O - V I R T U A L

No consultório de um renomado terapeuta:

- Doutor, eu trabalho com internet... Não sei por onde começar...Vou ser direta: Estou apaixonada por um botão! Por favor me ajude.

- Como assim 'por um botão' Cláudia? Desenvolva...

- Eu só penso nele. Ele é tão gordinho, tão fofinho que dá vontade de tocar, de apertar, de morder... Ahh ele é tão suculento!

- Como um botão pode ser suculento? Acredito que você esteja transferindo pra esse objeto um conjunto de sensações ocasionadas por uma outra pessoa. Isso é muito comum. Como é sua relação com os seus pais?

- Doutor, não tem nada a ver com os meus pais. Meus pais são muito offline. O fato é que aquele botão aqua vermelhinho me dá tesão. Aqueles brilhos, sombras, reflexos, refrações, volumes... Aqueles volumes me deixam louca!

- Mas você está falando de um botão... um botão de verdade? Algo que tenha um formato fálico ou coisa parecida. Pode ser um caso de inveja do falo... Me diga: você conhece alguém que produz elevadores? Algum eletrecista, que instala interruptores, ou um costureiro, que prende botões em camisas ou calças...

- Que falo que nada, doutor! Não tem nada de falo, nem de botão de roupa ou de elevador. Tô falando de uma simulação gráfica de um botão. Ele só existe dentro de um arquivo html, entendeu? O meu botãozinho amado só existe dentro de um monitor, com um computador conectado à internet.

- Já entendi. É um caso típico de 'workaholics'. Alguns deles costumam traçar uma relação sexo-emocional com o universo do trabalho. Como o caso do fazendeiro texano que se enamorou da ovelha mais parruda do rebanho, ou do marceneiro tcheco que fazia dezenas de oríficios nos armários embutidos que manufaturava... Da mesma forma que acontece com os psicanalistas que acabam copulando com as pacientes.

- Doutor! O senhor está me cantando? Saiba que eu sou fiel ao meu 'juicy button'!


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Na semana seguinte a paciente voltou ao consultório confirmando o que acontece com a grande maioria das paixões ardentes:

- Ahh Doutor... Eu estou tão triste.

- O que houve? Tiraram o botão do ar?

- Não, doutor. Eu cliquei nele...

- E então? O que aconteceu?

- Eu tomei coragem, cliquei no meu botãozinho tridimensional e acabei caíndo nessa página aqui. Ele não era nada do que eu pensava.



:: [Marcelo Gluz] » 15:49 -
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15.10.02

:: G U A R D A - C H U V A

Se a última folha púrpura de uma árvore ancestral; Se a última folha com rubina e clorofila; Se a folha suspensa. Se a rua vazia e o comércio fechado do bairro dos meus pais; Se o silêncio irritante; Se ninguém na janela. Se eu e se você também; Se todos, num momento de clausura e dúvida; Se todo mundo que eu conheço ou acho que conheço. Se meu programa favorito da TV; Se o encontro de quarta que vem; Se o jogo do Flamengo; Se toda aquela rotina salutar. Se uma jaqueta apertada numa noite quente; Se a afta, a alergia, a gastrite e a dor de garganta; Se um sono incontestável. Se uma lembrança de um tempo perdido; Se toda e qualquer lembrança de brinquedos de madeira; Se uma quina angulosa e sem revestimento. Se o peixe esquecido ao relento; Se o peixe asfixiado e mal-cheiroso. Se na reunião de condomínio o vizinho de baixo e o de cima; Se as taxas, as contas, os dudas, ufires e renavans. Se as chaminés da fábrica um tanto ao quanto defasada; Se os funcionários e as famílias deles; Se a crise mundial. Se um homem sisudo de terno e gravata cinzas, no fim da tarde de chuva; Se o meu guarda-chuva velho; Se a ponta metálica daquele guarda-chuva e de todos os outros guarda-chuvas escuros que sobrevoavam as cabeças cansadas dos bancários, secretárias e contadores às seis horas da tarde da quarta-feira de um dia de setembro no centro da cidade do Rio de Janeiro, ou de qualquer outra grande cidade do mundo.

Se a ponta metálica de qualquer guarda-chuva esbarrar no seu ombro bem de leve
Se for o suficiente para fazer seu sangue se desviar de seu percurso normal
Se sujar sua camisa branca
Se a ponta metálica lanhar sua pele e um pouco de sua carne
Se o vagaroso e incômodo atrito com o metal fizer você sentir dor
Se o ruído da sua pele rasgando

Ou se a chuva caísse com tanta força que os guarda-chuvas se rompessem e a água lavasse as calçadas, as copas das árvores se deteriorassem e novas folhas frondassem, as chaminés das fábricas ruíssem sobre os homens sisudos e os dorsos dos superpopulosos morros da cidade virassem tobogãs.


:: [Marcelo Gluz] » 16:01 -
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10.10.02

:: C I N D E R E L A

Sob a escassa sombra do poste, um funcionário da Conlurb erguia sua foice tentando remover as dezenas de galhardetes sobrepostos. O lixo eleitoral se espalhava pelo asfalto pra depois ser reunido em pequenas montanhas equidistantes. O Papai Noel de Quintino, a Professora do Povo, o André do PV, o Anti-burguês, o Coronel Jairo, todos eram desatachados pela foice, recolhidos pela vassoura e depositados nos montes de lixo. Pilhas e mais pilhas de promessas impossíveis, divagações infrutíferas, coligações oportunistas, Siglas enigmáticas e dogmas de ocasião.

Do meu carro, colado no meio-fio, observei por vinte minutos o funcionário da Conlurb limpando o suor e xingando os políticos de forma genérica. Pra ele, o rosto de todos os candidatos era o mesmo rosto. O mesmo rosto do chefe, que o descontava por cada atraso; da mãe, que reclamava das infiltrações da cozinha e do presidente do sindicato, que pedia colaborações mais generosas.

Pra mim, o rosto do funcionário da conlurb era o mesmo rosto do menino que lava os carros de quem vai na cadeira especial do Maracanã, do capataz que defende com sangue o território do coronel e da faxineira que chega às sete na Delfim Moreira pra limpar os vômitos da festa que acabou às seis.

Quem suja precisa ter quem limpe, mas mesmo assim anda por aí contando a estória da Cinderela. Como se não fosse óbvio que se a fábula virar realidade o lixo fica na rua e o baile superlota.


:: [Marcelo Gluz] » 16:50 -
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7.10.02

:: F E N Ô M E N O   V E R M E L H O

Estranhei quando soube que votaram no Lula e em congressistas do PT:

Meu tio, que votou no Maluf pra presidente e no Amaral Neto pra Deputado algumas vezes.
Um amigo rico, que sempre votou em conhecidos pessoais do ex-PDS pra deputado.
A mãe de uma amiga, que o-dei-a pobre e anda com penduricalhos brilhantes num Audi A3

O mundo está do lado do avesso (que confesso, neste caso, é melhor que o lado certo). Resolveram, enfim, dar uma oportunidade pra esquerda, se é que isso ainda existe.



:: [Marcelo Gluz] » 19:42 -
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4.10.02

:: B O C A   D E   U R N A   E L E T R Ô N I C A

Eleição é sempre assim. Desperta a rebeldia dos pacatos brasileiros. É como se todo mundo que passa o ano inteiro politicamente passivo e desinteressado desse uma acordada de alguns dias pra dizer que todos os políticos são ladrões. É como se por alguns dias os naturais do Brasil vestissem uma fantasia de cidadãos do Brasil. Franze-se a testa da nação. Uns ricos se esforçando pra lembrar de tudo o que está errado e outros pobres, numa tentativa de acreditar que algo vai mudar. Se todos são ladrões eu não sei. Acredito que não. Generalizações são erros.

Eleição é sempre assim. Exercito minha involuntária capacidade de ser do contra. Por isso sei que no fim da apuração, meus candidatos a presidente, governador e senador vão estar no fim das listas com uma média de 9% do eleitorado. Meus candidatos nunca ganham nada. De qualquer forma a equipe de cientistas políticos do Zarabatana já escolheu os projéteis a serem disparados no próximo domingo. Só restam controvérsias no que diz respeito ao segundo voto para Senador. O nome que concorre com Arthur da Távola é impublicável. Se publicasse eu ganharia muitos inimigos, inclusive eu mesmo.




:: [Marcelo Gluz] » 16:10 -
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2.10.02

:: 7   D I A S   N O   T I B E T

Me mudei há sete dias. Antes morava com um amigo, sua namorada e dois gatos, agora moro comigo mesmo.

No primeiro dia carreguei sofá nas costas escada acima, tomei cachaça e tremi, pulei e contraí os músculos pra tomar banho frio.
No segundo, construí e preguei uma prateleira, fiquei tonto com o cheiro da tinta e falei todos os palavrões que eu conheço antes de tomar banho frio.
No terceiro, varri a sala, pendurei uns quadros tomei banho frio contrariado, fiz sexo na cama serrada e tomei banho frio de novo, um pouco menos incomodado.
No quarto arrumei os cd's, assisti a Fantástica Fábrica de chocolate, recebi pessoas, bebi cerveja e tomei banho frio quase indiferente.
No quinto, arrumei as roupas, preguei o porta-vinhos, arrumei as fotos e tomei banho frio sem me lembrar da temperatura.
No sexto, acordei cedo, liguei pro gazista e perguntei qual o problema do gás do banheiro. Tomei banho frio já com um pouco de saudade.
No sétimo, troquei o chuveiro, e recebi um telefonema do gazista dizendo que custava R$200,00 pra ter água quente. Acho que vou ficar tomando banho frio por mais um tempo.


:: [Marcelo Gluz] » 19:32 -
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:: V Í D E O - C L U B E

Tem gente levando muito a sério esse conceito de video-clube. Poderiam se conter ao conceito de vídeo-locadora.

Outro dia entrei no vídeo com pressa pra pegar um dvd de filme antigo e me mandar. Na porta da locadora fui abordado por uma sorridente e uniformizada funcionária. Olá. Posso ajudá-lo a escolher o filme?. Respondi não obrigado me dirigindo rapidamente ao setor de clássicos, área 1. A moça me perseguiu até o setor, se colocando estrategicamente entre a plataforma de filmes e eu. Senhor, esses filmes são ruins de entender... Os lançamentos em português estão do outro lado. E esses aí são filmes velhos. Mas eu não ia procurar Ben-Hur nos lançamentos. Ela me tratava como se soubesse que o meu gosto é o mesmo da madame do Nova Ipanema que veio buscar um filme pra assistir com a comadre do Novo Leblon.

No fim das contas ela me apareceu com um belo exemplar de 'Blade 2', alegando que eu tinha cara de quem gostava desses filmes. Quase disse pra ela de que é que ela tinha cara. Achei melhor ir embora e assistir a qualquer coisa que tava passando na Net.


:: [Marcelo Gluz] » 19:32 -
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:: L E G U M E S & V E R D U R A S

Alguém sabe a diferença entre eles? Existem legumes verdes? Verduras leguminosas? Já ouvi chamarem de fruta um sujeito viado ou meio fresco e de legume um sujeito paradão ou meio retardado. E verdura? O que será que quer dizer se chamam alguém de verdura? Tomate é legume, fruta ou verdura? Ou é fruto? Existe diferença entre fruta e fruto? Se 'fruta' é bicha, 'fruto' é lésbica? E a dúvida que não quer calar: Um sujeito caladão, tímido, meio retardado e homosexual pode ser ao mesmo tempo uma fruta e um legume? Poderia ser o tomate, ao mesmo tempo, um fruto e uma hortaliça?



:: [Marcelo Gluz] » 19:32 -
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27.9.02

:: P A L A V R A S    E S C R O T A S   2 - atendendo a pedidos

Crosta, beringela, lacraia, fíbula, carmegão, furúnculo, pegajoso, barriga, verruga, polca, lontra, sovaco, angú, bucha


:: [Marcelo Gluz] » 11:25 -
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26.9.02

:: S E X O, C I D A D E, A N I M A I S

Metade da cidade faz sexo a outra metade é constituída dos velhos, das crianças, dos que ainda não conseguiram encontrar um parceiro e de pessoas com doenças físicas ou mentais. O grupo das pessoas doentes é constituído do grupo das pessoas que não podem fazer sexo por determinada patologia (hipovitaminose, aids, impotência, etc...) e do grupo das pessoas cuja patologia é não querer fazer sexo. Existem também as pessoas que ficaram doentes após inúmeras tentativas de encontrar um parceiro.

Dentre as pessoas sexualmente ativas há variações de teor e freqüência de atividade sexual. As variações de teor são tão complexas quanto a física quântica. Há os que gostam de mulheres, os que gostam de homens, os que gostam de mais de um homem, os que gostam de mais de uma mulher, os que gostam de várias pessoas, homens e/ou mulheres ao mesmo tempo, os que gostam de homens mas copulam com mulheres, os que gostam de mulheres mas copulam com homens, os que gostam de copular com quem não gostam, os que copulam sem objetivo, os que copulam por força dos instintos, os que copulam por dinheiro, por obrigações conjugais, por narcisismo e por prazer. Há os que nunca têm o prazer cessado e os que nunca atingem o prazer. Há os que usam drogas, objetos estapafúrdios, palavras em outras línguas, ambientes aromatizados e imagens mentais para atingir o prazer. Há os que fazem sexo através da boca do parceiro, das axilas do parceiro, da mão do parceiro e da própria mão. Há os que gostam de copular com velhos caquéticos, gordos gelatinosos, magros esqueléticos, mulheres grávidas, homens inválidos e travestis super-dotados.

As variações de freqüência são de uma vez por ano até sete vezes por noite. Os primeiros recebem críticas pela escassez e os segundos pelo exagero. Há os que chegam ao orgasmo várias vezes por cópula e os que copulam várias vezes para atingir ao orgasmo. Após o orgasmo alguns sorriem, outros dormem, outros xingam a mãe de algum sujeito oculto e outros simplesmente não se contentam com o pós-orgasmo, já o transformando num pré-orgasmo. O intervalo entre eles pode ser de segundos, horas ou dias.

Metade da cidade faz sexo, e metade dessa metade tenta fazer o resto da cidade crer que eles não fazem. Na outra metade da cidade, a dos que não copulam, há uma metade que tenta fazer o resto achar que eles fazem. Entre os animais há um percentual maior de indivíduos sexualmente ativos. Há também um percentual maior de cópulas per capta. Entre os animais não tem periquito fingindo que é tamanduá, nem calango se fazendo de gazela. Usando uma metáfora de necessaire, os homens estão para os animais assim como o barbeador elétrico está para a Gillete: É mais complexo, menos potente e a pilha pode acabar a qualquer momento.


:: [Marcelo Gluz] » 19:27 -
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24.9.02

:: B L O G A B I L I D A D E

Acredito que a Internet seja a mídia mais democrática de todos os tempos. Acredito também que a invenção dos weblogs tenha uma enorme relevância na história da comunicação.

Eu sei, eu sei.... Na www só tem lixo e 90% dos blogs são desinteressantes e vazios relatos sobre as tediosas vidas dos seres humanos médios. Eu sei, eu sei... Que revolução é essa na qual os agentes são singelos escrevedores de diários? Hoje eu acordei, escovei os dentes, percebi que a escova estava velha, saí sem tomar café, peguei um pouco de trânsito na Lagoa-Barra, trabalhei como um corno, voltei pra casa, jantei, vi o final da novela e o início do Você Decide e dormi.. Alguém, nos anos 90, dizia que os diários eram coisas ultrapassadas.

Me lembro de um artigo que do Zeldman no qual ele supõe como seria se o filme Cidadão Kane tivesse sido escrito em formato de diário. Algo bem parecido com a maioria dos blogs que eu esbarro por aí. É claro que tem gente tentando escrever coisas relevantes... Ou então tentando escrever coisas irrelevantes mesmo... Mas com o mínimo de blogabilidade.


:: [Marcelo Gluz] » 20:17 -
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:: C I R C O

Agora circo tem acionista. Também tem ombudsman e headhunter. Gente pra injetar dinheiro e cobrar resultados, gente pra se justificar de possíveis falhas ocorridas no picadeiro e gente pra encontrar as mulheres mais barbadas Brasil a fora. Agora circo tem que dar resultado.

Essa é a história de um palhaço ligeiramente confuso. Ele recebe piadas sem graça por e-mail, com as quais tem que fazer rir o respeitável público. Ele é compelido a fazer hora extra pra apresentar números medíocres aos acionistas. E ainda ganha tão mal que ainda é freelancer na boca do leão.

Um dia o palhaço chegou no circo e tava todo mundo de gravata. O engolidor de facas, os gêmeos malabaristas e o homem-da-perna-de-pau. Disseram que agora era todo mundo estratégico. Só ele, o palhaço, ainda era operacional. Passou o fim-de-semana livre fazendo workshop de homem-bomba, curso de vidente e passando creme de jaborandi no corpo todo pra ficar no lugar da Conga, a mulher gorila. Acabaram meus dias de jaula, dizia ela, ajeitando a meia-calça. Agora eu sou gerente de marketing.

No dia do espetáculo o palhaço estava exausto e pela primeira vez odiou sua profissão. Pela primeira na vida vez odiou alguma coisa. Os acionistas ainda contavam o dinheiro da bilheteria quando o público começou a vaiar. O palhaço pensou em vaiar junto, mas percebeu que estava sozinho no meio do picadeiro e não seria ouvido. Na outra semana nçao teve fila pra comprar ingresso. O público foi rareando e os acionistas resolveram tomar uma atitude. Chamaram o palhaço pra uma conversa franca, mas não deixaram ele falar:

- Seu palhaço, o senhor nos desculpe mas é culpa da globalização, da alta do dólar, do Elias Maluco e das milícias Talibãs. Nosso circo vai ter que passar por uma reestruturação e vamos ter que demitir o senhor. Nada pessoal, mas é que o circo tem que dar resultados. Tenha um bom dia, o domador de leões vai cuidar da sua situação lá no RH.


:: [Marcelo Gluz] » 16:42 -
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19.9.02

:: da série G R A N D E S    I N F L U Ê N C I A S    Z A R A B A T A N A

Woody Allen, Marc Chagall, Caetano Veloso, Win Wenders, Roger Milla, Giorgio Giugiaro, Thelonious Monk, Roberto DaMatta, Bob Dylan, Paul Simon, Paul Auster, Metallica, Chico Buarque, Rene Magritte, Rocco Sifredi, Legião Urbana, Miles Davis, Arnaldo Antunes, Vinícius de Morais, Tolouse-Lautrec, Alan Ginsberg, Martin Scorcese, Jerry Seinfeld, Robert Johnson, Zico, Bauhaus, Yahoo!, Aldous Huxley, Monthy Phyton, Luis Fernando Veríssimo, João Cabral de Melo Neto.


:: [Marcelo Gluz] » 15:52 -
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:: P A L A V R A S    E S C R O T A S

Leitão, inhame, andaime, cautela, joelho, coentro, cru, crespo, espasmo, polenta, fresta, emplasto, prenha, pandemônio, pigarro, traquéia, quimera.


:: [Marcelo Gluz] » 15:25 -
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:: D I A   do   P E R D Ã O

Perdoe-me quem falou a verdade e teve de mim descrença,
quem se esforçou e teve de mim intolerância,
quem tentou me abraçar e teve de mim raiva por ter, por engano, me pisado o pé.
Os motoristas idosos que ouviram de mim buzinas. Talvez estivessem eles entediados em casa.
As crianças choronas que ouviram de mim bastas. Talvez estivessem elas com dor.
Os atacantes raçudos que ouviram de mim vaias. Talvez não fosse tão fácil marcar o gol.

Que, por favor, me perdoem as caixas de banco lentas, os garçons estabanados, as cantoras desafinadas.
Todos incapazes de captar suas incapacidades.

Com quem gritei, a quem xinguei, de quem fugi
por ser também falível e humano.

Perdão pelas minhas inverdades. Achei que eu não mentisse.
Pelos meus erros de português, de matemática e de memória.
Pelos meus esbarrões, cutucões e pisões involuntários. Minhas imperfeições motoras.
Quando encostei em fila dupla e atrapalhei o trânsito,
quando acordei os outros por não medir a voz,
quando chutei a bola com displicência por achar que o gol era fácil.

Perdão se fui incapaz de captar minhas incapacidades e fiz pessoas fugirem, me xingarem e gritarem contra mim.
A quem eu fiz que me traísse.

Perdão por potencializar as falhas de outras pessoas
e por pedir perdão somente uma vez por ano.


:: [Marcelo Gluz] » 14:54 -
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:: C O P A   dos   C A M P E Õ E S

No israelense Maccabi Haifa o meio-campo croata-cristão-com-nome-de-italiano Giovanni Rosso joga ao lado do craque-judeu-da-seleção-israelense Walid Badir e do zagueiro-muçulmano-nigeriano-gigante Eric Ejiofor.

No britânico Manchester United o spice-boy Beckham joga ao lado dos veteranos-franceses Barthez e Blanc, do uruguaio-cabeludo Forlan e do expatriado-argentino-careca Veron.

Os adversários do jogo de 29 de outubro, válido pelo mais importante torneio de clubes de futebol do mundo, não têm muito em comum além da globalização do escrete. O Manchester é o clube mais rico do mundo, campeão em 99 e clube com maior número de participações no torneio. O Maccabi estréia na competição depois de anos de discussão sobre a legitimidade da participação de clubes israelenses em competições do velho mundo. Cada vez mais as fronteiras geográficas representam menos e as contingências político-econômicas representam mais.


:: [Marcelo Gluz] » 14:53 -
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17.9.02

:: P A S S A R A L H O

Playlist do especial temático de "Lay-off" da Rádio Pin:

Staying_Alive (Bee_Gee's)
O Segundo Sol (Cassia Eller)
That's The Way (Led Zeppelin)
Get Back (versão Sarah Vaughan)
O Sol Nascerá (Cartola)
Vai passar (Chico Buarque)
Here Comes The Sun (The Beatles)
Getting Better (The Beatles)
With A Little Help From My Friends (The Beatles)
Stir it up (Bob Marley)
O patrão nosso de cada dia (Secos e Molhados)
Fire (Jimy Hendrix)
Hell ain't a bad place to be (ac/dc)
All along the watchtower (Bob Dylan)

É impressionante como a criatividade das pessoas atinge graus altíssimos nesses momentos de crise. A maior prova disso é o Passaralho, blog criado pelos empregados de uma grande empresa pontocom em meio à uma série de demissões coletivas. Humor negro em tempos turbulentos.


:: [Marcelo Gluz] » 18:12 -
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:: J U C A

Ahhh, Juca... seu suícida! Era uma questão de tempo pro meu vizinho e companheiro de trabalho se machucar com mais seriedade do que em seus reincidentes arranhões, hematomas e torções. Certa vez, o pai dos joselitos-sem-noção entrou de corpo inteiro dentro de uma porta de vidro, quando tentava realizar uma enterrada ousada na tabela de basquete no meio da empresa.

Dessa vez o ex-ajudante do Bozo se ferrou de verdade. Além de vizinho, cuspidor de idéias e meu despertador de domingo de manhã, o Juca ainda é skatista. E dizem que dos mais rápidos. Nesse link um companheiro de skate conta detalhes do acidente, com o estranho orgulho dos soldados que voltaram vivos da batalha. Porra, Juca! Agora vê se aquieta o rabo, pára de me acordar e arruma um esporte mais seguro. Vai jogar bocha!


:: [Marcelo Gluz] » 18:12 -
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12.9.02

:: C U R R Í C U L O

Imagine uma sociedade onde os relacionamentos pessoais são conquistados com base na análise de currículos. Primeiro o sujeito escolhe se ele quer ser marido, namorado, amante, melhor amigo, amigo próximo, distante ou conhecido. Depois ele preenche seus dados: relacionamentos anteriores, virtudes pessoais, benefícios dos adjacentes. Esse currículo vai para um mega-banco-de-dados e fica disponvel para a consulta dos interessados.

Uma mulher chega com um propósito definido e consulta essa base de dados. Filtra por idade, por palavra-chave, por tipo de carro, habilidades artísticas, etc... Aí vem um listão de nomes, clicando-se nos quais se pode ver mais detalhes. Escolhe uma opção com um signo que tenha a ver com o dela. Aí, vem o currículo completo:

Nome: Frederico DuBois
Idade: 28 anos, libra (29/09/73)
Objetivo: Relacionamento de amizade próxima com mulheres. Possibilidade de extensão para cargo de 'melhor amigo' e/ou 'amante'.

Virtudes Pessoais:
Tolerância, inteligência voltada para análises de seriados na TV, versatilidade sexual, Sorte (já achou dois relógios andando na rua)

Benefícios dos adjacentes:
Passear no Mitsubishi branco do pai, Carteirinha do clube naval, Tv a cabo, Internet, coleção completa do fórum da extinta revista Ele Ela

Outras habilidades:
Sabe falar palavrões em Tcheco, a escalação do botafogo da década de 80 e mais de vinte posições sexuais (nível difícil) do Kama Sutra.

Relacionamentos anteriores:
# 4 - Marcia Jungmann - Ex-mulher. Fomos casados de 95 até ontem a noite, quando a peguei na cama com meu tio de 76 anos.
# 3 - Maria das Dores Ribeiro - 1993. Conhecida de vista, Dores trabalhava como faxineira no apartamento vizinho ao meu. Um dia faltou açúcar e me tornei o amante eventual das terças e quintas.
# 2 - Padre Gilson Lancelloti - Relacionamento de longa data que começou com amizade através das missas de domingo. A partir do segundo semestre de 88, houve uma promoção para amante interrompida em 92, quando Gilson decidiu se mudar para o Vaticano.
# 1 - Joana DuBois - Minha prima. Brincamos de médico de 82 a 88. De 87 em diante o relacionamento se tornou mais forte, e acumulei os cargos de parente, amante e melhor amigo. Em 88, Joana se envolveu com o Santo Daime e se mudou para a Amazônia.



:: [Marcelo Gluz] » 12:14 -
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:: H A B I L I D A D E S

Eu sei virar a língua pros dois lados, disse fazendo uma demostração em seguida. Eu também sei mexer a orelha direita e contrair e dilatar as narinas como faz um coelho. Eu também sei fazer outras coisas, mas não vou mostrar. Quanto mais os olhos dos presentes se arregalavam mais amostras de versatilidade física eram disparadas. É porque eu tenho hiper-flexibilidade, explicou como se desvendasse um mistério. Hiper-flexibilidade poderia ser item de um currículo, na parte de 'outras habilidades'. Foi assim que eu pensei no post acima.


:: [Marcelo Gluz] » 12:13 -
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11.9.02

:: A L G U M    L U G A R

Passei o sábado inteiro abrindo o fecho-eclair e enfiando a mão dentro dela.
Os dedos revolviam os cantos em busca de um pouquinho mais, mas um dia tinha que esgotar.
A minha carteira, essa estufada máquina de guardar coisas inúteis e transformar tempo em utensílios supérfluos.
Um dia eu me livro dela, junto com os sapatos e o telefone celular.

Vou pra algum lugar onde as coisas sejam de graça e a gente não tenha que passar dias e mais dias encarcerados nessas salas condicionadas pelos piores ares do planeta.


:: [Marcelo Gluz] » 19:12 -
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:: A U T O - C E N S U R A

Pela terceira vez tenho um texto censurado aqui no Zarabatana. Teria sido censurado por mim mesmo se as três pessoas que eu chamei pra ler antes de publicar não tivessem o feito antes. Tristão nem precisou falar nada. Me olhou com aquela cara óbvia de 'você não vai postar isso, né?'. O Braz disse que eu perdi de vez o juízo e o unblogged Pedro Garcia completou afirmando que por mais que eu tentasse disfarçar tratava-se claramente de uma crítica à pessoas (físicas e/ou jurídicas) às quais não se deve criticar dessa forma.

Nem adiantou dizer que não era pra ser uma crítica... Ninguém ia acreditar. O problema é que se você é um fumante, mesmo quando fala das flores, seu hálito entrega tudo. E olha que tem tempo que o ar à minha volta é feito de nicotina pura.


:: [Marcelo Gluz] » 18:44 -
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:: ! A Laurinha agora tem um blog! O nome dele é Aurora e promete aumentar qualitativamente os 'Lorem Ipsum'* da web brasileira. Esperamos que os posts apareçam nos dias de mau humor também, Laurinha.

*Se você não é designer, saiba que 'Lorem Ipsum' é o início de um texto em latim que é usado para marcar o espaço onde no futuro entrará o texto real. Resumindo, é texto place-holder.


:: [Marcelo Gluz] » 18:43 -
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9.9.02

:: S A C A N A G E M     C O N T E X T U A L I Z A D A

O amarelão NewtonFo, também conhecido como o homem-sem-fios, acaba de ganhar uma voz em favor da sacanagem com roteiro. A contextualização da foda é importantíssima! E quanto melhor o roteiro, mais chances o filme tem de ser excitante. Também não adianta fazer um roteiro policial e introduzir trepadas no meio. Produzir um filme em que o erotismo seja interessante pra pessoas com mais de dois neurônios é quase tão difícil quanto achar uma atriz pornô virgem. Por outro lado tem uma porção de filme por aí que só é feito de contextualização. A sacanagem é tão implícita que chega a ser sacanagem com quem tá assistindo.

(abre parênteses) Nesse momento passa o Marcorelha pela minha baia, perguntando sobre um bom filme pra ver com a esposa. Sugeri 'Lucia e o Sexo' e fiquei imaginando o estrago que isso vai causar na noite do casal. Amanhã o cara vai chegar aqui cheio de olheiras e vamos ter que adaptar o apelido de Marcorelha pra Marcolheira (fecha parênteses)

Bom... Pensando bem acho melhor esquecer aquela história toda de roteiro e sacanagem. Acho que são como água e óleo. Além do mais fiquei imaginando certas cenas que realmente não precisam de contextualização nenhuma... E outras que por mais sensual que seja a contextualização não conseguem excitar nem um tarado trancado há dez anos numa jaula.


:: [Marcelo Gluz] » 18:53 -
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:: R E S U L T A D O S

» Resultado consolidado das últimas cinco partidas de PegBall: Gluz - 25 x 11 - Tristão.

» Resultado consolidado da Taça Eurico Cruz de botão: Gluz - 19 pontos, Braz - 10 pontos, Archanjo - 6 pontos, Newton - 0 pontos (w.o.).

» Resultado consolidado das últimas duas partidas de Fifa World Cup: Gluz 5 x 3 Dani

Não é pra me gabar não (quem me conhece sabe que eu sou pouco competitivo), mas depois da tenebrosa semana que passou, da apocalíptica ventania que derrubou um número recorde de árvores no Rio de Janeiro e da passagem pra mais um novo ano(5763, no calendário judaico), os resultados esportivos voltaram pro seu eixo natural. Aceito novos desafios de natureza poliesportiva. É só pitacar.


:: [Marcelo Gluz] » 18:18 -
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:: R E C E I T A

Na fila do banheiro ele escrevia no guardanapo a receita de um drink com gengibre e cachaça amarela. Uma desconhecida com os cabelos pretos presos por uma faixa laranja pergunta o motivo da inspiração momentânea, imaginando que falava com um poeta. Ele enfiou o guardanapo no bolso e respondeu que sempre que entrava em filas tinha idéias interessantes. Ela pediu pra ler o que ele tinha escrito. Ele disse não. Que não costumava mostrar o que escrevia pra desconhecidos, mas que se ela quisesse, depois de mijar ou retocar a maquiagem, eles podiam se conhecer melhor.

Ela não gostou do termo 'mijar', mas fingiu que nem ouviu. Tocava Lenny Kravitz e ela só gostava de samba. Resolveu gastar um tempo com o poeta. De repente ele era o homem da vida dela e tinha como único defeito usar palavras rudes em momentos inoportunos. De repente ele era o guru que ela precisava.

Ele nunca leu um poema na vida. Ouve a Rádio Globo AM de manhã, toma chope num boteco em Botafogo e é considerado um rapaz tímido. Dessa vez resolveu encarnar o poeta chique invasor de banheiros. Forçou a porta até entrar e ficar frente-a-frente com a mulher relaxada na privada. Ela não parou de mijar nem de estar relaxada. Ele fechou a porta e eles treparam em cima da pia. Os sabonetinhos coloridos em formato de peixe se espalharam por todo o lavabo e as outras pessoas da fila dançavam a popular e antiqüíssima dança dos bebedores de cerveja apertados.

Eles saíram do banheiro e foram tomar um drink. Gengibre, açúcar mascavo, mate leão e cachaça amarela, pediu ele com a autoridade de um poeta, invasor de banheiros, metido a barman. Ficaram em silêncio até ela pedir pra ler o poema de novo. Ele tirou o guardanapo do bolso e picotou em milhares de pedaços. Depois daquela noite ele virou poeta e ela mulher de poeta. Ela nunca soube que o transformou em vez de o escolher.


:: [Marcelo Gluz] » 17:17 -
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5.9.02

:: J O R N A L  |  L I V R O  |  B L O G

Escrever é a arte de cortar palavras, disse a professora de teoria da comunicação, enquanto passava a franja cor-de-gelo nos entrededos. Gosto muito das palavras pra cortá-las com tanta facilidade. Gosto de dar o maior número de adjetivos pra cada substantivo e escrever detalhes em primeira análise irrelevantes. Talvez alguns desses detalhes também sejam irrelevantes em última análise, mas é um modo de climatizar o texto e desviar por alguns instantes o leitor da história principal.

Transferi meus créditos pra aula de poesia latino-americana. Talvez aqui eu possa ter uma visão menos dogmática e mais livre, pensei quando o professor entrou na sala. Era um peruano gordo com mãos de almofada e ele se esforçava pra dizer em português que a poesia é a mais sintética das literaturas. Se um romance é um bairro, um conto é um condomínio e um poema é uma esquina. Pensei nos substantivos como tijolos, nas preposições como a argamassa, nos pronomes como as vigas e os adjetivos como estuco. Não gostei de pensar assim. Prefiro pensar nas palavras como coisas vivas, que chamam outras palavras pra perto de si. Prefiro poder me descontrolar com elas, fazê-las espumar outras palavras.

Me transferi novamente. Agora pra aula de prosa experimental. O professor era hippie e exalava maconha por todos os poros. Colé a tua idéia, me perguntou coçando a barba. Ainda não tenho idéia, mas às vezes começo a escrever e as palavras vão me revelando uma idéia, expliquei pra ouvir o discurso do professor que fez trancar a matrícula: Quê isso, cara. Sem idéia não tem texto. As palavras vem da idéia, não o contrário. Faz ioga, olha pro horizonte, e libera os canais energéticos. Depois você volta aqui e me explica a idéia que as palavras vão explicar.

Então não posso escrever jornal, nem romance, nem poesia, nem nada? Já sei. Vou fazer um blog e publicar meus textos prolixos na internet. Ninguém vai estar pagando pra ler, não vai ter editor e eu não vou estar vendendo nada. Se reclamarem eu explico que é por querer. Que eu gosto das palavras e que me divirto sendo dominado por elas. E daí ?


:: [Marcelo Gluz] » 11:10 -
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3.9.02

:: J U N K - M A I L

encontre crianças desaparecidas / enlarge your penis now / obtenha resultados de sua equipe / slim down - lose 10-12 lbs in 30 days guaranteed / get the child support you deserve / silicone-se agora / save your lungs / aumente sua renda através de um plano dimensional de faturamento / become very desirable / detetive moura resolve seu problema / all natural breast enhancer / i'm your real state provider

Leio meu junk mail com surpreendente desvelo. No headphone Jorge Ben conta a história de Hermes Trismegisto, mas prefiro não pensar em nada. Spam é divertido por esse motivo. É como assistir leilão de tapetes na Net de madrugada. Só uma pergunta se faz necessária. Que otário que decide comprar um apartamento, ou aumentar o pau, ou contratar um detetive, lendo a porra do spam?


:: [Marcelo Gluz] » 18:24 -
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2.9.02

:: C O I S A    B O N I T A    D E M A I S

Quer ver mais? Clica. Foi mal, Sheila... Não pude evitar.


:: [Marcelo Gluz] » 20:14 -
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:: ! Morreu em Nova Iorque o homem que inventou o vibrafone como instrumento de jazz. Além do grande músico que foi, Lionel Hampton foi protagonista do ponto crucial da história em que o racismo foi desafiado em prol da música. Benny Goodman, o então queridinho da América, o chamou pra tocar em sua Banda, antes somente formada por jovens brancos. Nos anos 30, ele e o pianista Teddy Wilson subiram no palco com Goodman pra desgosto dos racistas de plantão.


:: [Marcelo Gluz] » 19:44 -
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:: A Q U I    P E R T I N H O

Fizeram aqui pertinho um filme de Spike Lee, linguagem gráfica de Snatch, narrativa de Corra Lola Corra, roteiro de Pulp Fiction e brasilidade de Deus e o Diabo na Terra do Sol. Só que melhor do que tudo isso. O 'aqui pertinho' é que torna o filme inesquecível? Não. É só ver a repercussão do filme na Europa pra saber que o 'aqui pertinho' é só um fator a mais.

Correndo o risco de estar sendo exagerado, posso dizer que Cidade de Deus é o melhor filme que já foi feito no Brasil. Técnica impecável e roteiro brilhante. Os cuidados com a edição de som impressionam desde o início e a fotografia emociona tanto quanto o fantástico roteiro.

Quando vi Amores Brutos (Amores Perros, México 2000) pela primeira vez, fiquei pensando que o cinema nacional ainda não tinha condição de realizar tão bem uma idéia como fizeram os mexicanos. Pensava em estrutura de narrativa, sonoplastia, edição e direção de arte. Agora tenho certeza de que podemos não só produzir filmes tecnicamente admiráveis, como também podemos criar novas linguagens originais.

O Invasor, Bicho de 7 cabeças, Lavoura Arcaica e Abril Despedaçado já indicavam o caminho, mas Cidade de Deus será o marco do nascimento dessa nova cinematografia.



:: [Marcelo Gluz] » 19:07 -
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30.8.02

:: C I D A D E

Quase sexual essa relação do homem com sua cidade natal.
Não falo das meninas que sonham com postes fálicos, mas sim do conforto orgásmico de se sentir em casa.
Aquela ação mecânica de dobrar a direita numa esquina pra pegar todos os sinais verdes.
Aquela memória íntima que sublinha cada canto da cidade.
Ao lado do nome do edifício a mente escreve: 'foi aqui que eu me protegi da chuva no dia que faltou luz no cinema'
Ao lado do nome da rua numa placa a mente comenta: 'aqui morava o pai da minha primeira namorada que, quando viajou pro México, me proporcionou tardes inesquecíveis'.
Marcar às oito, chegar as onze e achar que chegou cedo. Saber que assustar o pão na graxa é esquentar pão com manteiga.
E, por mais violenta que a cidade possa ser, se sentir seguro em sua insegurança vagamente familiar.


:: [Marcelo Gluz] » 19:54 -
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:: !

Se você também é um orfão de Jerry Seinfeld vai gostar de saber que em breve chegará aos cinemas seu mais novo projeto. Nem vou ter que esperar pela chegada do filme ao Brasil porque, depois dessa notícia bombástica, Nandão vai ser o primeiro brasileiro a comprar o DVD do filme. Afinal de contas não conheço muitas pessoas que, não importa onde estejam, correm às 23:00 pra casa só pra ver um capítulo antigo da série.

The Comedian foi gravado em um mais de ano de acompanhamento das performances 'stand-up' de Seinfeld, pela câmera digital do diretor estreiante Chistian Charles. Levando-se em conta que eu quase tive uma síncope ocasionada pelo riso desenfreado quando vi o trailer, acho muito improvável que seja pior que ótimo. Clique aqui e confira.


:: [Marcelo Gluz] » 18:00 -
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:: P L Á S T I C O S     D E S C A R T Á V E I S

Hoje a tarde se fecharão as portas da Plastican, indústria de plástico injetado no pé do Morro do Jacarezinho, na qual estagiei há alguns anos.

Faziam de tudo por lá: embalagens de xampú, baldes, peças para automóveis e aqueles brinquedinhos que apitam quando você aperta. Lembro que quando saí da empresa houve uma decisão estratégica que gerou uma demissão em massa que a reduziu a um quarto do que era então. O presidente percebeu que a margem de lucro em cima da fabricação de cartões de crédito era bem maior do que a dos outros produtos e decidiu focar sua produção somente nas grandes chapas de PVC que vendia para a Visa International. Não importava ser líder de mercado na fabricação de bacias, a multilação estava definida.

O rebuliço tomou conta das duas regiões da fábrica. Na primeira, com ar-condicionado e decoração moderna, os diretores se engalfinhavam pra ver quem segurava o emprego de 5 dígitos, como crianças com medo de perder o espaço na casa da árvore. Funcionários rondavam como urubus na carniça, levando pra casa sacos de lixo repletos de material de escritório. O que não estava aparafusado no chão ou nas paredes foi furtado. Na segunda região, que mais parecia um calabouço medieval, escura, quente e mal-cheirosa, os operários quebravam as máquinas e choravam pelos cantos, sem saber o que falar para os cônjuges. Desde as copeiras até os projetistas chagavam do almoço com um exemplar do caderno de empregos 'Boa Chance' embaixo do braço.

O fim de uma empresa é sempre triste, mas não pude conter a alegria de ver a ordem natural das coisas sendo quebrada. Nesse dia, o diretor financeiro entrou no seu Volvo prateado tão desolado quanto o operador do torno de matrizes. A maior ironia é que, pela primeira vez, o primeiro deu boa tarde para o segundo.



:: [Marcelo Gluz] » 12:57 -
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29.8.02

:: O P Ç Õ E S

A padaria não é perto o suficiente para se ir a pé, nem longe o suficiente pra que se tire o carro da garagem, o que faz dessa decisão algo importante nesse momento de fome matinal. Sentei na privada disposto a sair dali com a decisão tomada, mas logo um diagrama de opções foi se desenhando na minha mente.

Se eu for de carro, talvez passe no açougue que é um pouco mais longe, para comprar a alcatra do rosbife do almoço. Se eu for a pé, talvez aproveite pra dar uma corrida na lagoa. Mas e se eu não quiser comer carne no almoço (acho que vou parar de comer carne), nem suar tanto assim nesse dia abafado? Não preciso almoçar em casa. Posso ir comer peixe em Pedra de Guaratiba e aproveitar a ida até lá para fazer uma caminhada na prainha, mas o negócio é que eu quero estar em casa pra ver o jogo do Flamengo.

Não sei nem pra que que eu fui comprar o pay-per-view do Campeonato Brasileiro. Esse Flamengo de hoje não merece. Não vou ver jogo nenhum. Aliás, nem preciso estar no Rio na próxima quarta-feira. Vou viajar pra Salvador na terça e só volto na quinta, pro churrasco do Fábio. Porra, mas eu parei de comer carne hoje. Também não preciso estar aqui na quinta. Vou aproveitar pra fazer uma viagem mais longa.

É isso. Arrumo minhas malas e vou hoje mesmo pra Salvador. Ou será que vai estar muito quente? Minha prima foi pra Buenos Aires e disse que o clima está ótimo. As viagens pra Argentina estão baratíssimas nesses dias, mas acho que já é hora de fazer uma viegem maior, pra vários países da América do Sul. Chile, Peru, de repente Costa Rica. Mas Costa Rica precisa de visto e umas vacinas malucas. Não vai dar tempo de ir nesses dias...

Bom... Então vou voltar a comer carne, mas não vou no açougue. Não vou sair de casa. São muitas opções e não tô a fim de escolher agora. Vou ligar pro restaurante da esquina e pedir pra entregar um Filé a Oswaldo Aranha. Ou será que à francesa vai cair melhor?



:: [Marcelo Gluz] » 18:49 -
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28.8.02

:: I D É I A S & L E M B R A N Ç A S

Ontem a noite tive uma idéia. Nem lembro bem dela, mas foi a culpada pelo meu sono de agora. Boas idéias me dão insônia e pior do que a insônia é acordar no dia seguinte e concluir que a idéia não era boa. Na verdade era tão ruim que nem digna de lembrança ela foi. Só acordei com as informações de que tinha reunião às dez em ponto e de que era aniversário do meu pai. Atrasado, durante o veloz e tortusoso percurso para o trabalho na terceira pista (aquela que só aparece pros atrasados, entre a da direita e a da esquerda), liguei pro meu pai. Parabéns, falei com o maior ânimo possível numa manhã sem noite. Obrigado mas não é hoje, ele me disse com um riso compreensivo. Nem preciso dizer que a reunião também não era às dez.

Talvez a ausência total de sono não tenha sido conseqüência da idéia, mas sim do filme que eu vi ontem, com o Pacino, que leva o nome da doença. O fato é que essas idéias, assim como os sonhos e os telefones das pessoas ocupam uma parte superficial da memória. Se essas coisas não estão mais em evidência elas somem. É como se fosse o purgatório do cérebro. Há que se decidir se as idéias vão para o céu, caso contrário elas são esquecidas no inferno das idéias, aquele inferno de platão, que não é o mesmo inferno da terra, mas sim uma cópia desse inferno que habita somente nossa massa encefálica.

Todos já devem ter percebido que esse é o depoimento de uma pessoa que acordou exausta. Perdoem-me a falta de objetividade no raciocínio... Pára tudo que eu lembrei da idéia! A idéia era projetar um site em cima da metáfora de um restaurante, onde o menu seria um menu de verdade e cada prato uma peça de portfólio. Ou seja: era melhor não ter lembrado.


:: [Marcelo Gluz] » 10:52 -
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27.8.02

:: ! Agora você que é louco o suficiente para ler esse blog pode assinar o ZarabatanaMail. Segundo as más línguas os assinantes serão avisados por e-mail cada vez que novos projéteis zarabatânicos forem soprados pra grande rede. Nem sei se funciona direito. Quem quiser ser a cobaia é só preencher o campinho de ZarabatanaMail no fim da coluna esquerda. depois me diz se funcionou.
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Quase imperdoável, mas esqueci de dizer que a newsletter foi dica do homem sem fios. Segundo ele mesmo 'setting standarts'.


:: [Marcelo Gluz] » 18:09 -
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:: D R Á U Z I O 3

Mensagem recebida no domingo a tarde, durante o jogo do Flamengo, através do boy da Carvalhão S.A.:

"Dráuzio,
Tentei telefonar para a casa da sua sogra, onde segundo sua ficha, você costuma passar as tardes de domingo, mas aqui em Búzios meu celular não pega direito. Seu projeto foi aprovado com exceção da parte dos prazos. Mando em anexo um arquivo de Microsoft Project com os novos prazos. Favor ir à empresa atualizar o relatório para a reunião de amanhã com o presidente. Depositamos confiança em você para que tenhamos a primeira fase toda pronta na terça-feira.

Obs.: Favor atualizar sua ficha no depto de RH, preenchendo o campo 'Domingo a tarde - domicílio alternativo'. Só o que consta lá é a casa de sua sogra. Nossa empresa não pode adivinhar onde estão seus 2.130 funcionários, concorda?

Atc.
Simões
Ger. de Novas Iniciativas"


:: [Marcelo Gluz] » 16:50 -
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:: D R Á U Z I O 2

E-mail recebido na manhã de quarta-feira.

"Dráuzio,
Precisamos liberar espaço no servidor 'Carvalhão 7'. Favor desconsiderar este e-mail. Já apagamos sua pasta pessoal.

Obs.: As fotos de sua namorada pelada foram poupadas por requisição do depto de tecnologia. Favor replicar esse e-mail caso queira ter acesso às fotos.

Atc.
Lucas
Ger. de Suporte"


:: [Marcelo Gluz] » 14:26 -
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:: D R Á U Z I O - Recado deixado depois do almoço em cima da mesa do pobre projetista de guindastes da Carvalhão:

"Dráuzio,
O guindaste-meta-hidráulico é um sucesso e seu relatório está ótimo, mas é uma pena que você não o tenha paginado corretamente. Como você sabe, de acordo com os padrões da nossa empresa, a paginação de relatórios deve acontecer do lado esquerdo das páginas, a partir da folha de rosto. Não a partir da capa do relatório. Não do lado direito. Não como você fez.

Favor consertar os erros durante o fim-de-semana e fazer também um relatório sobre os custos de papel e tinta que seu erro causou à Carvalhão S.A.

Atc.
Rubens
Ger. de Processos"


:: [Marcelo Gluz] » 13:37 -
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:: V E R D A D E ou C O N S E Q Ü Ê N C I A (como me lembrou a Karen)

Todo mundo já brincou disso. Roda-se um objeto qualquer que indica uma seta e um alvo. O alvo escolhe 'verdade' ou 'conseqüência' e a seta estabelece qual será a pergunta ou prenda à qual o alvo será submetido.

Lembro que quando criança, todos se pelavam de medo de escolher 'conseqüência'. Podia ser um beijo na garota feiosa com os óculos fundo de garrafa ou uma arriada de calças na frente da professora de matemática. Poucos eram os que tinham a coragem necessária. Já 'verdade' era commodity. Afinal de contas, o que um garoto de doze anos de idade pode ter para contar? 'Uma vez, quando eu tinha uns dez anos, eu fiquei 2 dias sem escovar os dentes' ou então 'Tá bom... Confesso que fui eu que rabisquei um piru no seu caderno'.

Ao contrário disso, se fôssemos brincar disso hoje em dia, a 'verdade' seria bem mais interessante. Todos já tomaram porres e pagaram micos enormes, mas pouquíssimos não tem uma terrível confissão a fazer. A verdade disso é que a verdade rareia a cada ano e a conseqüência é que ficou mais fácil ser inconseqüênte do que verdadeiro.


:: [Marcelo Gluz] » 13:34 -
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26.8.02

:: 8 0's

Ninguém resistiu aos anos 80, em cujos meados o universo ficou brega. Tenho certeza que a maioria dos artistas preferem esquecer desse abismo de bom-gosto entre 79 e 90.

Miles Davis, símbolo da elegância melódica, resolveu pintar seu trumpete de vermelho sangue e abusou das jaquetas cintilantes e dos discutíveis timbres dos sintetizadores.

Natassja Kinski, símbolo de beleza crua, resolveu pintar sua cara de vermelho sangue e usou até sutiã com ombreiras e gel de cabelo.

Martin Scorcese, símbolo dos bons filmes sangrentos, resolveu filmar 'Depois de horas' uma pseudo-comédia com o cartaz rosa-choque e aqueles personagens eclético-bizarros cultuados naqueles estranhos anos.



Pois é... Acho que só sobreviveu aos anos 80 quem ficou trancado dentro de casa sem ver TV nem escutar rádio.

Penso, penso e só me vem um nome à cabeça: João Gilberto.


:: [Marcelo Gluz] » 13:00 -
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23.8.02

:: ! Aluysio Escroque é meu candidato a presidente e a qualquer outro cargo a que ele resolver se candidatar.
Clique aqui e entenda que ele chorou por você.


:: [Marcelo Gluz] » 16:01 -
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:: P O L V O

O país onde todos são eventuais técnicos de futebol todos também são críticos de arte.

Pintei um olho numa tela enorme na frente de uma platéia muito participativa. Quase uma torcida de futebol. Vc vai ao banheiro e o André pede um toque psicodélico perto da íris. Rajadas coloridas dizia com os olhos arregalados como se quizesse demonstrar em si mesmo. Letícia acha que eu devia fazer sobrancelhas, a amiga discorda e quer que ele fique fofinho. 'Assina! Tá bom assim', gritaria o Baiano impaciente. Digo pra Sheila que é o olho dela, e peço pra ela ficar por perto porque eu posso esquecer de alguma coisa. Alguém grita 'contraste! mais contraste!' e toma de preto nas pestanas. Virei maquiador, pensei num momento existencialista.

No fim, o olho virou uma coletiva criatura esquizofrênica. Fofinho e psicodélido. Diferente de tudo o que eu já tinha feito na reclusão normal. Interessante como relato social e contraditório como peça gráfica. Coisa de um artista-polvo.


:: [Marcelo Gluz] » 12:54 -
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:: ! Ahhh esse PegBall ainda vai me deixar em maus lençois. O joguinho que tem tudo pra ser chato acaba gerando forte dependência logo após as primeiras partidas. Se você está com os prazos apertados no seu trabalho é melhor nem clicar no link acima.

Há algumas semanas eu e o Triste temos travado uma dramática batalha na liga mundial de pegball entre arquitetos da informação e designers. Hoje aconteceu a grande final cercada de muita catimba e torcedores tendendo pro lado de lá. Entreguei o jogo no fim, após liderar a partida inteira. Tá justo

Vale destacar que o Tristão, além de artilheiro fuçador no PegBall é também o repórter fuçador que entrevistou os papas da arquitetura da informação, Lou Rosenfeld e Peter Morville, nessa entrevista da Web Insider. Ponto pra equipe Triste.


:: [Marcelo Gluz] » 12:38 -
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:: C O N F Ú C I O

O tempo é relativo, disse Confúcio ou qualquer outro chinês com tempo pra dizer essas coisas.

É relativo mesmo e quanto mais farto, menos coisas acontecem dentro dele. Um bom exemplo são esses pensamentos vagos que preenchem meu cérebro no caminho de volta do trabalho.

Hoje, nesse trânsito angustiante, meus neurônios produziram 97 minutos de inutilidades. Idéias para fazer meu banho mais veloz e compensar o atraso (anotar: escova de dente no chuveiro), observação da moça do Palio tirando meleca e contagem dos minutos sem tocar no acelerador.

Ontem, fiz o mesmo percurso em míseros 22 minutos: Percepção óbvia e importante da ridícula e absurda fartura de banners eleitorais na Av. das Américas. Imagens imaginárias do morro sem a Rocinha. Recordações do campus da PUC com menos prédios e mais espaços vazios e arrependimento da maneira que tratei o garçon relapso no almoço.

O tempo é relativo, disse algum chinês que tinha pouco tempo o suficiente pra pensar nessas coisas.


:: [Marcelo Gluz] » 10:52 -
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22.8.02

:: ! Da série Zarabatana Interativa. Quer saber que filme é você? Clique aqui.

Dica do Newton, o homem sem fios.



O meu resultado foi mais ou menos. Imensidão Azul, de Luc Besson é excelente, mas acho que não tem muito a ver comigo. Tô mais pra Woody Allen, John Cassavetes ou Irmãos Coen.


:: [Marcelo Gluz] » 17:08 -
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:: E N L U A R A N D O

Há dois dias tento escrever sobre a lua. O texto não seria uma ode, mas uma desimitificação vigorosa.

No texto, enquanto você me mostrava a luminância dourada da lua no céu, eu retrucava dizendo que a luz não é de propriedade da lua. Ela é só inquilina do sol. Você dizia que a lua era única e que essa civilização foi moldada olhando pra ela. De cortes de cabelo a calendários e misticismos. Eu respondia falando mal dessa civilização e citando o fato de Saturno ter nove luas e nem por isso ser civilizado. Você falava da lua como referência dos perdidos e eu a subestimava, chamando de subúrbio da Terra. New Jersey cósmica.

Você via todas as cores, tamanhos e posições da lua como riqueza e versatilidade, mas eu decretava que era total falta de personalidade. No texto, eu discordava por esporte.

Parei de escrever supreso por perceber uma noite tão clara que dava pra desligar a luz da varanda e continuar escrevendo. Dei dois passos pra frente e procurei a lua, mas ela não estava lá. Peguei a chave do carro e fui tomar um sorvete no Mil Frutas da J.J.Seabra. Projetava meu pescoço janela do carro a fora, mas a lua parecia chateada comigo. Sabia que estava escondida em alguma reentrância do landscape, mas nada de dar as caras.

Acabei o sorvete e junto com o copinho joguei o papel com o texto no lixo. Confesso que senti saudade do intempestivo satélite e com a saudade veio o sono. Enquanto estacionava o carro ela apareceu por trás do Corcovado, imensa e amarela como já cantou Tom Jobim. Fiquei lá no debruçado no volante, esperando ela sair inteira, até criar um contorno branco no topo da montanha escura. Não dá mesmo pra falar mal de certas coisas.


:: [Marcelo Gluz] » 16:32 -
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20.8.02

:: ! Acabo de descobrir que o filho do Ivan Lins resolveu se dedicar aos estudos. Deve ser por isso que o cara não consegue pagar o aluguel dos apartamentos e ainda fica se metendo na minha frente. Maldito filho do Ivan Lins. Entenda melhor sobre isso na Dirce. Foi ela que disse.


:: [Marcelo Gluz] » 18:38 -
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:: L A B I R I N T O 2

Mais desdobramentos no caso do filho do Ivan Lins:

Ana Pow declara ter estudado com a prima do filho do Ivan Lins na faculdade.

Paulo me escreve pra dizer que uma vez o filho do Ivan Lins furou a fila do Itaú, criando uma confusão enorme entre as velhinhas de plantão. Essa agência não tinha caixa especial para velinhas, somente pra filhos do Ivan Lins, me afirmou o Paulo.

O mais surreal desdobramento foi o que a Sheila me lembrou agora há pouco. Há três domingos atrás na Barraca do Aleido, o Gigio teria me dito que conhece o filho do Ivan Lins, com quem contracenou na minissérie Aquarela do Brasil. Até aí tudo bem. O cara está em todos os lugares mesmo. O que me deixou pálido foi o fato do Gigio ter me dito que o sujeito tem um apartamento do qual está pensando em sair. Fico de olhos arregalados, olhando pro monitor, estudando as possibilidades:

a) O filho do Ivan Lins é Deus observando a minha performance no quesito alugar um apê
b) O Ivan Lins tem quinze filhos
c) Isso é uma conspiração. O Gigio, a mulher da Brito Cordeiro, a Ana Pow, o Paulo, o casal amigo, a Sheila e o próprio filho do Ivan Lins tão de sacanagem comigo.
d) O filho do Ivan Lins, com cuja prima a Ama Pow estudou, perdeu o apê pro Juca, dias depois ganhou o apê da Maria Angélica de mim, mas teve mais uma vez seu crédito desaprovado. Debaixo da ponte e desesperado o filho do Ivan Lins encontrou o casal amigo em um outro apartamento no Alto Leblo, mas acabou alugando um outro no Humaitá. Meses depois ele comentou com o Gigio que queria sair do apartamento em que mora, do qual vai acabar saindo agora, como confirmou a moça da Brito Cordeiro.

Tudo faz sentido, menos o fato dele ter furado a fila do Itaú. Talvez tenha alguma coisa a ver com a teoria de que ele é Deus. Ou pelo menos acha que é.




:: [Marcelo Gluz] » 18:27 -
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:: L A B I R I N T O [uma história real]

Quando o Juca resolveu alugar um apartamento no Jardim Botânico, logo na esquina do meu, teve que disputar cabeça-a-cabeça com o filho do Ivan Lins. Parece que apesar de trabalhar em novelas a renda do rapaz global não era das mais seguras e o Juca acabou levando o apartamento.

Há cerca de dois meses eu já procurava um apartamento pro qual devo me mudar em breve. Encontrei o apartamento perfeito na Rua Maria Angélica, mas quando entreguei a documentação necessária, o proprietário me disse que tinha acabado de fechar com o filho do Ivan Lins.

Há algumas semanas um casal de amigos, também na famigerada caça imobiliária, me disse que encontrou o filho do Ivan Lins num dos apartamentos que estavam visitando no Alto Leblon. Achei estranho, mas fiquei na minha. De repente o negócio na Maria Angélica michou...

O mais improvável aconteceu hoje de manhã. A moça da Brito Cordeiro me ligou animada com um apartamento que acabou de vagar no Humaitá. Adivinha quem estava acabando de esvaziar o tal apartamento???? Sim!!! O filho Ivan Lins!

Agora, das duas uma: Ou o Ivan Lins é um coelho reprodutor tendo feito milhares de filhos, todos espalhados pelas imobiliárias da cidade, ou tem um pobre desgraçado mais obcecado do que eu pra sair desse labirinto de tijolos





:: [Marcelo Gluz] » 11:35 -
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